Glossário Teosófico

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Verbetes: A

Anos de Brahmâ

O perfodo inteiro de uma Idade de Brahmã, ou seja, cem Anos de Brahmã, equivalentes a 311,040,000,000,000 anos solares, (Ver Yuga.) Anouki (Eg.) —- Uma forma de Ísis; a deusa da vida, de cujo nome deriva a palavra hebraica Ank, vida, (Ver Anúki,) Anrita (Sânsc.) — “Não- verdadeiro”, falso, injusto, impróprio.

Ansada (Cruz)

Ver Cruz Ansada. Ansumat (Sânsc.) — Personagem purânico, “sobrinho de sessenta mil tios”, filhos do rei Sagara, que foram reduzidos a cinzas por um só olhar do “Olho” do richi Kapila, Anta (Sânsc.) — Fim, extremo, limite, morte. Antah ou Antar (Sánsc.) — Interior, interno, Antabkarana ou Antaskarana (Sânsc.) — Este termo tem vários significados que diferem em cada seita e escola filosófica, Shankarâchârvya traduz esta palavra com o sen- tido de “entendimento”; outros, como “órgão ou instrumento interno, a Alma, formada 40

Antaskarana

Ver Antahkarana. Anthesteria (Gr.) — Festa das Flores (Floralia). Durante esta festa, celebra-se o rito do Bautismo ou purificação nos Mistérios eleusinos, nos tanques do templo, Limnae, e por ela passavam os neófitos (Mystae) através da “estreita porta” de Dionísio, para dalí saírem como Iniciados perfeitos. Anticar (Alg.) — Bórax. Antimum (Alq.) — Mel da primavera,

Antropologia

À ciência do homem. Abrange, entre outras coisas, a Fisiologia (ramo da ciência natural que estuda os órgãos e suas funções nos homens, animais e plantas) e, especialmente, a Psicologia (a grande e atualmente, muito abandonada ciência da alma, tanto como entidade distinta do Espírito como em suas relações com o Espírito € o corpo). Na ciência moderna, a Psicologia trata apenas ou principalmente das condi- ções do sistema nervoso e desconhece quase por completo a natureza e essência psíqui- cas, Os médicos denominam a Psicologia de ciência da loucura e, nas Escolas de Medici- na, designam com tal nome a disciplina da demência ou alienação mental.

Antropomorfismo

Do grego anthropos, que significa “homem”. Consiste em atribuir a Deus ou aos deuses uma forma humana e qualidades e atributos igualmente humanos. Anu (Sânsc.) — “Átomo”. Um dos epítetos de Brahmã, pois dele se diz que é um átomo, ou seja, o Universo infinito. Alusão à panteística natureza da Divindade. 41

Anurutidha

Um dos mais eminentes discípulos de Gautama Buddha, considerado como o grande mestre da metafísica búdica, Anusvâra (Sânsc.) — É o ponto que se coloca sobre uma letra ou sílaba para substi- tuir o M ou N, dando-lhe um som nasal, como nas palavras Om, Ahamkâára ou Ahankãra, Samsâára ou sansára. Anuttara (Sánsc.) — Sem rival, sem par, incomparável. Assim, anuitara bodhi sig- nifica: “inteligência não superada, sem igual”; anuttar adharma, “lei ou religião sem igual”, Anuvritti (Sánsc.) — Continuação, sucessão; obediência, submissão; revolução, roda da vida: adaptação. (Bhagavân Dás) Anvávya (Sâánsc.) — Onipenetrante,

Anyodei

À vida espiritual; o estado subjetivo no qual a essência superior da alma entra após a morte, tendo já se despojado de suas partes mais grosseiras, no Kâma-loka. Corresponde à condição do Devachan, (E . Hartmann) Anyonyâdhyfsa (Sânsc.) — Na filosofia vedantina, É “a imposição dos atributos de um objeto sobre outro”, Anza (Ansa ou Aficha) (Sánsc.) — Parte, partícula, AÀ Mônada ou Espírito indivi- dual. (Ver Bhagavad-Guá, AV, 7.) Aour (Cald.) — À síntese dos aspectos da Luz astro-etérea ou Luz Astral propria- mente dita, o Od, a pura luz que dá vida, e Ob, a luz que dá à morte, [Aour: este é o no- me hebreu da essência da luz, que corresponde à essência do prótilo — do grego protos (primeira), hyle (matéria) — elementar, melhor dizendo, a sua raiz masculina, pois o Áour (Fiat Lux do Génese) é lançado como germe fecundante no seio da Vida Eterna ou oni- presente, (LJyotis Prâcham, O Mistério da Vida)) Arpâm Napat (Zend.) — Um ser misterióso, que corresponde ao Fohat dos ocultis- tas. também um nome Védico e um nome A vestiano [ou do Avestal, Literalmente, este termo significa “Filho das Águas” (do Espaço, isto é, do Éter), pois, no Ávesta, Apâm Napãt encontra-se entre os yazatas [ou espíritos celestiais puros] do fogo é 08 yazatas da gua. (Ver Doutrina Secreta, LL, 400, nota.) Apâna (Sânsc.) — “Alento inspiratório”. Uma das práticas do Yoga, Prâna e Apâna são respectivamente os alentos “expiratórios” e “inspiratórios”, No Anugfrá, é designado por “vento [ou ar] vital”, [H4 uma certa discrepância entre os autores sobre o significado exato da palavra. Segundo o Dicionário Clássico Sânscrito-Francés de Burnouíf, é o so- pro ou alento expirado; no Dicionário Sânscrito-Inglês de C. Cappeller, é o vento ou ar que vai até embaixo (no corpo); no comentário do Bhagavad-Girá, de Râmanujâáchârya, equivale à “expiração” e com este sentido é interpretado também por Schlégel e outros tradutores e comentaristas, Constitui um dos cinco ares vítais, a corrente que vai do 43

Apântaratamas

Richi védico, que, segundo Shankara (em seu Comentário do Brahmasútra), encarnou-se com o nome de Krishna Dwaipâyana, ou Vyâsa, autor ou compilador do Mahâbhârata e outras obras importantes, na época da passagem do Kali- yuga ao Dvápara-yuga. (Weber, Indische Literaturgeschichte) Apap (Eg.) — Em grego, Apophis, À serpente simbólica do mal, O barco e o Sol são os grandes matadores de Apap, no Livro dos Mortos. É Typhon, que, após matar Osfris, encarna-se em Apap, com a intenção de matar Hórus, Como Tacêr (ou Ta-ap-oer), as- pecto feminino de Typhon, Apap chama-se “devorador de almas” e com razão, pois Apap simboliza o corpo animal, matéria sem alma e abandonada. Sendo Osíris, como os demais deuses solares, um símbolo do Ego superior (Christos), Hórus (seu filho) é o Ma- nas inferior ou Ego pessoal, Em vários monumentos pode-se ver Hórus, auxiliado por uma multidão de deuses com cabeças de cão, armados com cruzes e lanças, matando Apap. Como diz um orientalista: “O deus Hórus, em pé, como vencedor, sobre a Ser- pente do Mal, é uma imagem que pode ser considerada como a forma primitiva de nosso conhecido São Jorge (Miguel) e o Dragão, ou seja, a santidade abatendo o pecado”, O Draconismo não morreu com as religiões antigas, mas converteu-se corporalmente na última forma cristã de culto. Apara (Sânsc.) — Inferior. O oposto de Para. Apara-prakriti (Sânsc.) — À natureza inferior, “Terra, água, fogo, ar, éter, manas, buddhi e ahankâára: eis aqui os oito componentes que integram minha natureza material. Esta é minha natureza inferior” (Bhagavad-Gitá, VII, 4-5). Apara-vidyi (Sânsc.) — Conhecimento inferior, conhecimento dos fenômenos, a ciência que se ocupaapenas dos efeitos exteriores, das ilusões do mundo fenomenal, (À. Besant)

Aparecido, aparição

Fantasma, espectro, sombra, alma ou espírito, Esta é a de- nominação aplicada às diversas aparições que se apresentam nas sessões espíritas, Aparigraha (Sánsc. — “Que não recebe dons”, Aparinâmin (Sáâánsc.) — O imutável e inalterável, O inverso de paríinámin, o que está sujeito a mudanças, modificações, diferenciação ou decadência, A parokcha (Sâárxsc.) — Direto ou imediato. Âpas (Sânse.) — “Água”, Um dos cinco Tartvas, denominado éter saporífero (Râma Prasãd). O elemento radical da matéria correspondente ao órgão do paladar. Assim le- mos no Bhagavad-Gitá (VII, 8-9) as seguintes palavras de Krishna: “Eu sou o sabor nas Águas... A pasarpana (Sânsc.) — Que se distancia. Ápava (Sânsc.) — “Que se recria nas águas”, Outro aspecto de Nârâyana ou Vishnu e de Brahmâ combinados, pois Ávapa, como este último, divide-se em duas partes, ma- cho e fêmea, e cria Vishnu, que, por sua vez, cria Virá), que cria Manu, Na literatura brahmânica, este nome é explicado e interpretado de várias maneiras. Apavarga ou Apavarjana (Sânsc.) — Liberação de novos renascimentos, Liberação final.

Ápis ou Hapi-ankh (EgJ)

“O morto-vivo”, ou seja, Osíris encarnado no Touro branco sagrado, Apis era o deus-touro, que foi morto cerimonialmente ao atingir a idade de vinte é oito anos, idade em que Osíris foi morto por Typhon., Não se adorava o touro, mas o símbolo de Osíris, do mesmo modo que os cristãos ajoelham-se diante do Cordei- ro, símbolo de Jesus Cristo, (Ver Culto do Touro.) Apocrypha (Gr.) — Erroneamente traduzido e adotado como “duvidoso” ou “espú- rio”, Esta palavra significa simplesmente: secreto, oculto, esotérico. Em português: “A - pócrifo”,

Apolo de Belvedere

É a melhor e mais perfeita das antigas estátuas de Apolo, fi- lho de Júpiter e Latona, também chamado de Febo, Hélios e o Sol. Encontra-se na Gale- ria Belvedere do Vaticano, em Roma. É denominado Apolo Pitio, porque o deus é re- presentado no momento de sua vitória sobre a serpente Pitón. Essa estátua foi encontra- da nas ruínas de Ánzio, no ano de 1503, Apolônio de Tiana (ou de Tianes) (Gr.) — Filósofo admirável, que nasceu em Ca- padócia, no início do séc. I. Pitagórico fervoroso, estudou as ciências fenícias sob a orientação de Euxeno de Eutidemo, e filosofia pitagórica e outros estudos sob a orienta- ção de Euxeno de Heráclea. Seguindo as doutrinas dessa escola, foi vegetariano durante sua longa vida, alimentando-se apenas de frutas e hortaliças: não tomava vinho; usava roupas feitas apenas por fibras vegetais; andava descalço e deixou o cabelo crescer em todo o seu comprimento, como o faziam todos os Iniciados. Foi iniciado pelos sacerdotes do templo de Esculápio (Asclépios), em Eges, aprendendo muitos dos “milagres” utiliza- dos para curar doentes, realizados pelo deus da Medicina, Tendo-se preparado para uma iniciação mais elevada, através de um silêncio que durou cinco anos e também através de viagens, nas quais visitou Antióquia, Éfeso, Panfilia e outros locais, encaminhou-se sozi- nho, através da Babilônia, para a Índia, pois seus discípulos mais íntimos abandonaram- no por temerem ir à “terra dos encantos”, Contudo, um discípulo acidental, Damis, que encontrou no caminho, acompanhou-o em suas viagens. Na Babilônia, foi iniciado pelos caldeus e magos, como relata Damis, relato este que foi copiado por F. P. Filóstrato, cem anos depois. Após seu regresso da Índia, mMostrou-se como um verdadeiro Iniciado, pois todas as pestes e terremotos, mortes de reis e outros acontecimentos que profetizou ocorreram pontualmente. Em Lesbos, os sacerdotes de Orfeu, invejosos, negaram-se a iniciá-lo em seus mistérios especiais, embora o fizessem alguns anos depois. Pregou, ao povo de Atenas e outras cidades, a moral mais pura e nobre e os fenômenos que realizou foram tão admiráveis e estupendos quanto numerosos e bem comprovados. “Como é que — pergunta Justino (mártir) com espanto — os talismãs (telesmata) de Apolônio têm à virtude de impedir, como presenciamos, a fúria das ondas, a violência dos furacões e as investidas de animais ferozes, e, enquanto os milagres de Nosso Senhor são recordados apenas por tradição, os de Apolônio são numerosíssimos e realmente manifestados em fatos atuais?” (Quoest. XXIV). Porém, responde facilmente esta pergunta o fato de que, após cruzar o Hindu-kush, Apolônio foi orientado por um rei para a Mansão dos Sábios (que pode ser a mesma dos dias de hoje), onde lhe ensinaram a ciência não superada por nenhuma outra, Seus diflogos com o coríntio Menippo constituem um verdadeiro cate- cismo esotérico e revelam (quando compreendidos) mais de um importante mistério da Natureza, Apolônio era amigo, correspondente e hóspede de reis e rainhas e não há po- deres maravilhosos ou “mágicos” melhor atestados que os seus. No fim de sua longa e prodigiosa vida, abriu uma escola esotérica, em Efeso. Morreu com aproximadamente cem anos de idade. Apporrheta (Aporrheta) (Gr.) — Instruções secretas sobre assuntos esotéricos da- das durante os Mistérios gregos e egípcios. 45

Aquastor

Um ser criado pelo poder da imaginação, isto é, pela concentração do pensamento no Ákaza, graças ao qual pode-se criar uma forma etérea (elementais, súcu- bos e íncubos, vampiros etc.) Estas formas imaginárias e contudo reais podem adquirir a vida da pessoa, através de cuja imaginação foram criadas. Sob certas circunstâncias, po- dem até se tornar visíveis e tangíveis, (F. Hartmann)

Aquelarre (Witches Sabbath ou Sábado das Bruxas)

À suposta festa e assembléia de bruxas em algum local solitário, onde, diz-se, as bruxas comunicavam-se diretamente com o Diabo, Todas as raças € todos os povos creram nisso e alguns, ainda hoje, acredi- tam. Assim, costuma-se dizer que o principal ponto de reunião de todas as bruxas da Rússia é o Monte Calvo (Lissaya Gorá), situado próximo a Kiev; na Alemanha, o Broc- ken, nos montes do Harz, Na velha Boston (EUA) congregavam-se próximo ao “Lago do Diabo”, numa vasta selva hoje desaparecida, Em Salem, os dignatários da Igreja ma- taram-nas à vontade e, na Carolina do Sul, uma feiticeira foi queimada no ano de 1865, Na Alemanha e Inglaterra, foram assassinadas aos milhares pela Igreja e pelo Estado, após serem obrigadas a mentir e confessar, através de tortura, sua participação no “Sá- bado das Bruxas”. [A Noite de Santa Walpurgis ou Walpurga, cuja festa é celebrada pela Igreja no dia primeiro de maio, noite que ainda hoje as pessoas mais simples vêem chegar com certo temor supersticioso, tornou-se famosa na Idade Média pelo aquelarre (sabá) celebrado por bruxos e bruxas na agreste montanha do Brocken ou Blocksberg, o pico mais elevado do Harz. Esta cena é magistralmente descrita na primeira parte do Fausto, de Goethe.)

AQUELE

O Todo Absoluto, o Eterno Absoluto, fora do qual nada existe, do qual tudo procede e no qual tudo se resolve; a causa instrumental e material do Universo; a substância e essência do Universo. É a existência Una, incognoscível, cuja primeira manifestação é o Espírito. O Espaço e o Tempo são apenas formas d'Aquele. Para os sentidos e as percepções dos seres finitos, Aquele é Não-Ser, no sentido de que é a única Ipseidade, porque nesse Todo oculta-se sua coeterna e coeva emanação ou radiação ine- rente, que, ao se converter periodicamente em Brahmã (a potência masculina-feminina), desdobra-se, formando o Universo manifestado, (Doutrina Secreta)

Ar-Abu Nasr-al-Fareabi

Chamado em latim Alpharabius. De nacionalidade persa, foi o mais insigne filósofo aristotélico de seu tempo. Nasceu no ano 950 de nossa era e, segundo se diz, foi assassinado em 1047. Era filósofo hermético e dotado do poder de hipnose através da música, fazendo rir, chorar, dançar e tudo quanto quisesse daque- les que o ouviam tocar alaúde. Algumas de suas obras referentes à filosofia hermética encontram-se na biblioteca de Leyden. Árâdhana (Sânsc.) — Culto, adoração; propiciação, favor, Eraça. 46

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