Glossário Teosófico

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Verbetes: V

|  Vida

TUDO É VIDA e cada átomo, até o do pó mineral, é uma Vida, embora es- teja acima de nossa compreensão e percepção, À Vida se encontra em todas as partes do 739

V

Vigésima segunda letra do alfabeto latino, Numericamente, representa o 5; por isso, o V romano com um traço em cima (PD equivale a 5.000. Os cabalistas ocidentais relacionaram tal letra com o divino nome hebraico IHVH. O Vau hebraico, contudo, tendo numericamente o valor 6, apenas por ser idêntico ao W, pode chegar a ser um sím- bolo apropriado para o macho-fêmea e o espírito-matéria. O equivalente para o Vau he- braico é o EU e numericamente o 6. [O V é a quadragésima terceira letra e a quarta se- mivogal do alfabeto sânscrito. Nesta língua, frequentemente substitui a letra B, como na palavra Vrihaspari ou Brihaspati, vâhya ou bâhya, vija ou blja etc. Depois de uma vogal, soa como V normal; porém, depois de uma consoante, soa mais como o W inglês.) Va (Sânsc.) — Sobrenome de Varuna; o nome de sua morada; mantra em honra de Varuna; força, poder. Vê (Sânsc.) — Movimento, marcha; choque.

Vaca

À Vaca era em todos os países, o símbolo da força geradora passiva da Na- tureza, Ísis, Vâch, Vênus (mãe do prolífico deus do amor, Cupido), porém, ao mesmo tempo, o do Logos, cujo símbolo, entre os egípcios e os hindus, tornou-se o Touro, como o demonstram os touros hindus e o Apis, nos templos mais antigos. Na filosofia esotéri- ca, a Vaca é o símbolo da Natureza criadora, e o Touro (seu filho), o Espírito que vivifi- ca, ou o “Espírito Santo”, como o demonstra o Dr, Kenealy, Daí o símbolo dos chifres. Estes eram sagrados também entre os judeus, que colocavam no altar chifres de madeira de Setin, agarrando-se aos quais um criminoso assegurava sua salvação. (Doutrina Se- creta, 11, 436) Ver Touro,

Vaca da Abundância

Ver Kâma-duh e Terra. Vâch (Sânsc.) — Chamar Vách simplesmente de “linguagem” é de clareza deficiente. Vâch é a personificação mística da linguagem e o Logos feminino, sendo uno com Brah- mã, que a criou de uma metade de seu corpo, que dividiu em duas partes; é também um com Viráj (chamada a “Viráj feminina”), que nela foi criada por Brahmâ. Num certo sentido, Vách é “linguagem” através da qual o conhecimento foi ensinado ao homem; noutro sentido, é “a linguagem mística secreta”, que desce sobre os Richis primitivos e neles entra, como as línguas de fogo, que, segundo se diz, “pousaram sobre” os apósto- los, porque é chamada “o criador feminino”, “a mãe dos Vedas” etc, Esotericamente, é a subjetiva Força criadora que, emanando da Divindade criadora (o Universo objetivo, sua “privação” ou ideação), passa a ser o manifestado “mundo da linguagem”, isto é, a ex- pressão concreta da ideação e, por conseguinte, a “Palavra” ou Logos, Vâch é o Adão “macho e fêmea” do primeiro capítulo do Gênese e assim é denominado de “Vâch-Vi- rájy” pelos sábios, (Ver Atharva-Veda.) E também “a celestial Sarasvati produzida dos céus”, “uma palavra derivada do Brahmãâ sem fala” (Mahâbhârata), a deusa da sabedoria e da elogitência., Finalmente, é chamada Sata-rúpa, a deusa de cem formas. [Palavra, lin- guagem, locução, som, o Logos, palavra mística, o poder oculto dos maniras. Segundo se expressa no Rig- Veda e em vários Upanichads, Vâch é de quatro espécies, que se cha- mam Pará, Pazyantí, Madhyamãâ e Vaikhart Vâch;, a luz do Logos é a forma Madhyamã e o próprio Logos é a forma Pazyantf, enquanto Parabrabman é o aspecto do Pará (isto é, além do Noumeno e de todos os Noumenos) daquele Vách. (Doutrina Secreta, L, 465-466) Ver Eu e Ísis.) Vachas (Sânsc.) — Palavra, fala, linguagem, discurso, aviso. 725

Vacuum (Lat)

[Vazio.] — Símbolo da Divindade absoluta ou Espaço infinito, esotericamente, Vâda (Sânsc.) — Palavra, linguagem, discurso, menção, afirmação, asserção, decla- ração, proposição, disputa, discussão, controvérsia; a forma principal de argumentação; som, música. Vadana (Sânsc.) — Boca, cara, rosto, frente, lábios, fauces, garganta. Vâdava (Sânsc.) — O fogo submarino que “devora a água do oceano”, fazendo-o lançar vapores, que se condensarão em chuva e neve, (Dowson) Vâádin ou Vâdi (Sâánsc.,) — Palestrista, expositor, instrutor, preceptor; disputador,

Váhan

Ver Vâhana. Vâhana (Sânsc.) — Um veículo, o portador de algo imaterial e sem forma, Todos os deuses e deusas são, portanto, representados como utilizando váhanas para se manifes- tarem e tais veículos são sempre simbólicos. Assim, por exemplo, Vishnu, durante os pralayas, tem AÁnanta, “o infinito” (o Espaço), simbolizado pela serpente Zecha e, du- rante os manvantaras, tem Garuda, o gigantesco ser meio homem e meio águia, símbolo do grande ciclo; Brahma aparece como Brahmã, descendo até os planos de diferenciação sobre Kála-hamsa, o “cisne no tempo ou eternidade finita”, Shiva aparece como o touro Nandi; Osíris como o touro Apis; Indra viaja montado num elefante; Kârttikeya num pa- vão real; Kâma-deva em Makâára, em outros tempos um papagaio; A gni, o deus do Fogo universal (e também solar), que é, como todos eles, “um Fogo consumidor”, manifes- ta-se como um carneiro e um cordeiro, Ajá, “o não-nascido”; Varuna, como um peixe etc., etc., enquanto o veículo do HOMEM é seu corpo. Vâhana veículo, carro, cavalo etc.; sinônimo de upádhi. Vahni (Sânsc.) — Epfíteto de Agni (o Fogo), por levar a oferenda aos deuses; fogo, chama, calor; digestão; apetite. Vaibhâchikas (Sânsc.) — Seguidores do Vibhâcha Shâstra, antiga escola de mate- rialismo; uma filosofia que afirmava que nenhum conceito mental poderia ser formado exceto pelo contato direto entre a mente (através dos sentidos, tais como a visão, a audi- ção, o tato etc.) e os objetos exteriores. Existem ainda hoje vaibháâchikas na Índia,

Vaichuava

Ver Vaishnava. Vaichnavi (Sânsc.) — Sakti ou energia feminina de Vishnu; Durgã. Vaideha (Sânsc.) — O filho da união de um vaeisya com uma mulher brâhmane. (Leis de Manu, X, 11.) Vaidhátra (Sânsc.) — O mesmo que os Kumáâras, [“Filho de Vidhâtri”, Criador ou Brabmã.] Vaidhrita ou Vaidhriti (Sânse.) — O vigésimo sétimo yoga. Há vinte e sete yogas na eclíptica. “O yoga — diz Colebrooke — é apenas uma maneira de indicar a soma das longitudes do Sol e da Lua” e assim é, de fato. (Râma Prasád) Vaidika (Sânsc.) — Védico ou relativo aos Vedas. Vaidyuta (Sânsc.) — O fogo elétrico, o mesmo que Pávaka, um dos três fogos que, divididos, produzem quarenta e nove fogos místicos. 726

Vaizechika

Ver Vaisheshika. Vaizvânara (Sânsc.) — Ver Vaishvânara. Vaizvânari (Sânsc.) -- Uma oblação particular. (Leis de Manu, XL, 27.)

Vaizya

Ver Vaisva. Vajra (Sânsc.) — Literalmente: “Bastão, diamante” ou cetro. Nas obras hindus, o cetro de Indra, semelhante aos raios de Zeus, com que esta divindade, como deus do raio, mata seus inimigos. Porém, no Budismo místico, é o cetro mágico dos Sacerdotes Ínicia- dos, exorcistas e Adeptos — o símbolo da possessão de Siddhis ou poderes sobre-huma- 728

Valentin, Basile

Célebre alquimista alemão, nascido em Erfurth, em 1394, e con- siderado como um dos fundadores da química e da farmácia. Entregou-se com ardor ao misticismo hermético, preparando assim o caminho para Paracelso. Escreveu várias obras notáveis, nas quais expõe seus vastíssimos conhecimentos químicos e alquímicos, tais como o Carro iriunfal do Antimônio, As Doze Chaves da Filosofia etc. Em seus es- critos encontram-se numerosos logogrifos, como o seguinte: Visitando interiora terrae, retificandoque, invenies ocultum tapidem, veram medicinam, Juntando as iniciais de cada palavra, encontra-se o termo vitriolum. Valfader (Esc.) —- Sobrenome de Odin. (Eddas) Valquírias (Esc.) — As virgens que assistem às batalhas e dão de beber aos En- chearyars ou heróis no Walhalla. Suas amadas e protetoras. (Eddas) 729

Vampiros

Espectros ou cadáveres que andam pela noite chupando pouco à pouco o sangue dos vivos até matá-los. — Formas astrais que vivem a expensas das pessoas, das quais extraem vitalidade e força. Podem ser os corpos astrais de pessoas vivas ou das que Já morreram, porém que ainda se aferram a seus corpos físicos, que estão na sepultura, tratando de conservá-los com o alimento que extraem dos vivos e, deste modo, prolom- gam sua própria existência, Tais casos são bem conhecidos, especialmente no Sudeste da Europa (Moldávia, Sérvia, Hungria, Grécia, Rússia etc.). A chave para compreender a natureza dos vampiros é que a esfera sensitiva do homem, da qual o corpo visível é, por assim dizer, nada mais do que a amêndoa do fruto, estende-se muito além dos limites do corpo, uma mudança mútua constante verifica-se entre os dois, Por conseguinte, o corpo do morto, no qual ainda existe um resto da vida astral, pode vampirizar os vivos e, ainda mais, isso pode se verificar entre os próprios vivos (F, Hartmann). Casos bem autênticos de vampiros podem ser encontrados nas obras de Maximiliano Perty e em Ísis sem Véu. Algumas pessoas que não podem ver tais vampiros, podem senti-los instintivamente e até fisicamente, como um vento, frio ou uma corrente elétrica que passa pelo corpo. No cu- rioso artigo de H, P. Blavatsky, publicado com o título O Hipnortismo e suas relações com outros meios de fascinação, lemos o seguinte: “Qual éa causa real do vampirismo? — Se se entende por esta palavra a transmissão involuntária de uma parte da própria vita- lidade ou essência da vida, através de uma espécie de osmose oculta, de uma pessoa para outra, estando esta última dotada (ou antes affigida) por tal faculdade vampirizante, então só se pode compreender tal ato, quando estudamos bem a natureza e essência do “fluido áurico”. Como toda outra forma oculta na Natureza, este fim e procedimento exosmósico pode converter-se em benéfico ou maléfico, seja inconsciente ou voluntariamente. Quando um operador são mesmeriza um enfermo, com o propósito deliberado de 730

Van

O ciclo tártaro, de 180 anos. (Doutrina Secreta, 111, 352.) Vânaprastha ou Vanaprastha (Sánsc.) — Eremita, anacoreta. (Ver Ázrama.)

Van Helmont, João Batista

Célebre médico, filósofo e alquimista belga (1577-1644). Foi autor do descobrimento químico mais importante de seu século, ou se- ja, o descobrimento da existência dos gases, sobre o qual deviam erigir-se mais tarde as teorias da química positiva. Em uma de suas obras, ele próprio diz que, tendo recebido de uma pessoa desconhecida um grão de pedra filosofal, realizou em seu laboratório a transmutação em ouro (com aquela pequena quantidade de pó) de oito onças de mercú- rio. À operação teve um resultado tão feliz, que desde aquele momento tornou-se acér- rimo partidário da Alquimia. Fez do alcaest o solvente universal, assim chamado porque dissolve todos os corpos, “como à água quente derrete a neve", (Luis Figuier) Vanhem ou Vanahem (Esc.) — O país dos vânios. (Eddas) Vânios (Esc.) — Uma classe de seres muito sábios, inferiores aos deuses e superiores aos homens. (Eddas) Vansa (Sânsc.) — Linhagem, raça, família, dinastia, Vapor (Alg.) — Os filósofos dizem que a primeira matéria dos metais é um vapor que se corporifica e se especifica em metal, pela ação do enxofre ao qual se une nas en- tranhas da Tetra. Vara (Masd.) — Termo usado no Vendidâd, onde Ahura-Mazda ordena a Yima construir o Vara. Esta palavra significa também um invólucro ou veículo, uma arca (ar- gha), ao mesmo tempo, HOMEM (verso 30). Vara é o veículo de nossos Egos anima- dores, isto é, o corpo humano, a alma em que está representado pela expressão “uma ja- nela resplandescente por si mesma no interior”. Vara (Esc.) — Uma filha das Asianas. (Eddas) Varâha (Sânsc.) — O avatar-javali de Vishnu; o terceiro, em número, [O Varâha nomeia o nosso atual Kalpa — o Varâha Kalpa ou Ano de Brahmã, (Doutrina Secreta, L, 395.) Um dos oito pequenos dvípas.] Várâha Purâna (Sânsc.) — O Purâna da Terra, um dos 18 Purânas, aquele em que à glória do grande Varáâha é revelada à Terra por Vishnu. Vâranasi (Sânsc.) — À cidade sagrada de Benares. Vâranâvata (Sânsc.) — À cidade em que os príncipes pândavas passaram seus anos de desterro.

Varchavasana

Ver Varsha. Várchneya (Sânsc.) — Literalmente: “Filho ou descendente de Vrichni”. Nome pa- tronímico de Krishna, por ser descendente de Vrichni,

Varhichad

Ver Barhichad. Varna (Sânsc.) — Literalmente: “cor”. As quatro castas principais, denominadas por Manu: brahmânica, kchatriya, vaisya e súdra; são chamadas de chatur-varna. [Varna significa também: raça, tintura, brilho, beleza; observação religiosa; qualidade, proprie- dade; elogio; modo musical; forma, figura etc. (Ver Casta.)) Varna-dharma (Sânsc.) — À lei própria de cada casta; o código que regula os de» veres das castas. Varna-sankara (Sânsc.) — Mistura ou confusão de castas. Varsha (Sânsc.) — Região, planície, uma extensão de terra situada entre as grandes cordilheiras da Terra. [Os varshas ou divisões do continente receberam os nomes de Ku- ru, Kinnara, Ketumâálãá, Bharata, Bhadrâzva, Remânaka, Hari, Hiranmaya, Hâávrita. O varsha ou varshavasana é o nome de uma espécie de retiro ou quaresma búdica, que dura desde o plenilúnio de julho até o de novembro e é seguido de uma reunião geral dos bhikchus. Varsha significa também: chuva ou estação chuvosa; a Índia ou Jambu-dvípa.]

Varshavasana

Ver Varsha. Variman (Sânsc.) — Via, caminho, sendeiro; curso, corrida, meio, método. Varuna (Sánsc.) — O deus da água ou deus marinho, porém muito diferente de Ne- tuno, porque no primeiro caso, à mais antiga das divindades védicas, Água significa as “Águas do Espaço” ou o céu que a tudo rodeia, o Áfráza, em certo sentido. Varuna ou Uaruna (foneticamente) é, sem dúvida, o protótipo do Ouranos dos gregos. Como diz Muir: “Às maiores funções cósmicas são atribuídas a Varuna, Dotado de ilimitado co- nhecimento... sustenta o céu e a Terra, mora em todos os mundos como governador so- berano... Fez brilhar o Sol áureo no firmamento. O vento, que ressoa através da atmos- fera, é seu alento. Pela operação de suas leis, a Lua segue brilhante em seu curso e as es- trelas... se desvanecem misteriosamente na luz do dia, Ele conhece o vôo das aves no céu, os roteiros dos navios no oceano, o curso do vento, que percorre grandes distâncias, e contempla as coisas que existiram ou que existirão... Vê a verdade e a falsidade dos ho- mens. Instrui o richi Vazichta nos mistérios, porém seus arcanos e os de Mitra não serão revelados ao insensato...” “Os atributos e as funções atribuídas a Varuna dão a seu ca- ráter uma elevação moral e uma santidade que supera em muito aquela atribuída a qual- quer outra divindade védica.” [Varuna anda sobre as águas montado num peixe ou monstro marinho chamado Makara. (Ver esta palavra))] Varuni (Sánsc.) — O vigésimo quinto asterismo lunar. Vâsana (Sânsc.) — O hábito e a tendência engendrados na mente pela execução de algum ato. (Râma Prasãd) Vestimenta, tecido; habitação. Vâásaná (Sânsc.) — Instinto material; tendência, inclinação; impressão; desejo de vi- da; memória; imaginação, segurança; confiança em si mesmo, Segundo a filosofia sânkh- ya, as experiências e os acontecimentos da vida deixam no Buddhi impressões ou marcas indeléveis, que permanecem em estado latente até que alguma circunstância favorável para sua mmanifestação ou desenvolvimento as coloque em atividade. Tais impressões, chamadas de vânasãs, constituem a memória, o instinto, as tendências e aptidões de cada indivíduo, (Ver Trichnã.) 732

Vazitva

Ver Vashitva. Vazya (Sânsc.) — Submetido, obediente, disciplinado, submisso, dominado, vencido. Vazyâtman (Sânsc.) — Que tem o eu dominado ou reprimido; que é dono de si mesmo; que vence à si mesmo.

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