Glossário Teosófico

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Verbetes: V

Veda

Ver Vedas, Vedaniá (Sânsc.) — O segundo dos cinco Skandhas (percepções, sentidos); o sexto Nidâna (ver esta palavra). Vedângas (Sânsc.) — Ciências sagradas consideradas como partes acessórias dos Vedas, São em número de seis: a primeira trata da pronunciação; a segunda, das cerimô- nias religiosas; a terceira, da gramática; a quarta, da prosódia; a quinta, da astronomia, e a sexta, da explicação das palavras e frases difíceis dos Vedas. Livros acessórios. Lite- ralmente: “ramos ou membros dos Vedas”. Vedânta (Sânsc.) — Literalmente: “o fim ou coroa dos Vedas”. O principal sistema filosófico da Índia. (Ver Filosofia vedânta.) Vedânti (Sânsc.) — Vedantino ou partidário da filosofia vedânta. Vedas (Sânsc.) — À “revelação”, as Escrituras dos hindus; palavra derivada da raiz vid “conhecer” ou “conhecimento divino”, São as mais antigas e mais sagradas obras sânscritas. Os Vedas (sobre cuja antiguidade não há dois orientalistas que estejam de acordo), no conceito dos próprios hindus, cujos brâbmanes e panditas devem saber mais do que ninguém a respeito de seus próprios livros religiosos, foram inicialmente ensina- dos oralmente pelo espaço de milhares de anos e, depois, copiados nas margens do lago Màânasa-Sarovara (foneticamente, Mânsarovara), além do Himalaia, no Tibet. Quando isso ocorreu? Enquanto seus instrutores religiosos, tais como Swami Dayanand Saras- wati, reclamam uma antiguidade de muitas décadas de séculos, nossos orientalistas mo- dernos não lhes concedem uma antiguidade maior, em sua forma atual, que uns mil a dois mil anos antes de Cristo. Compilados em sua forma definitiva por Veda Vyfsa, contudo, os próprios brâhmanes unanimemente lhes dão uma antiguidade de 3.100 anos antes da era cristã, época de Vyâsa. Portanto, os Vedas devem ser tão antigos quanto esta data, Porém, sua antiguidade é suficientemente provada pelo fato de que foram escritos numa forma tão antiga de sânscrito, tão diferente do sânscrito atualmente em uso, que não existe outra obra semelhante na literatura desta irmã mais velha de todas as Knguas co- nhecidas, como a denomina o Prof, Max Múller. Somente os mais instruídos dos panditas brâbhmanes podem ler os Vedas em sua forma original. Sustentou-se que o Colebrooke encontrou à data de 1440 a,C. corroborada de modo absoluto por uma passagem por ele descoberta e que está baseada em dados astronômicos. Porém se, como foi unanime- mente demonstrado por todos os orientalistas e também pelos panditas hindus que (a) os Vedas não são uma obra individual e nem também o é qualquer um dos diferentes Vedas; mas cada Veda e quase cada hino e divisão do mesmo é uma produção de vários autores; e que (b) estes livros foram escritos (como zruti, “revelação” ou não) em diversos perfo- dos da evolução etnológica da raça bhindu-ária, então o que prova a descoberta de Cole- 734

Védico

Pertencente ou relativo aos Vedas. (Ver Vaidika.) Vedodita (Sânsc.) — Dito pelo Veda; ortodoxo. Vedoveda (Sânsc.) — Uma manifestação do Suchumnãá, (Râma Prasãd)

Veer (Esc,)

Sobrenome de Thor, (Eddas) Vega (Sânsc.) — Velocidade; força, impulso; agitação; violência; ímpeto; explosão; curso, corrente.

Vegetarismo ou Vegetarianismo

Sistema de alimentação onde estão excluídas as substâncias de origem animal (carne e seus derivados). O vegetariano puro é aquele que 735

Veículo luciforme

Entre os platônicos, é o Augoeides, o veículo etéreo da alma purificada, cuja parte irracional foi colocada sob a completa sujeição da racional. (C. C. Massey, Cinco Anos de Teosofia, p. 39.)

Vendidãâd (Pelvi)

O primeiro livro (Nosk) da coleção de fragmentos zendes, ge- ralmente conhecidos pelo nome de Zend-Avesta. O Vendidãd é uma corruptela da pala- vra composta “Vídaêvô-dátem”, que significa “lei antidemoníaca” e está chela de ensi- namentos sobre a maneira de evitar o pecado e o vício através da purificação moral e fí- sica, sendo que cada um dos ensinamentos está baseado nas leis ocultas. É um tratado eminentemente oculto, cheio de simbolismo e frequentemente de um significado com- pletamente contrário do encontrado expresso na língua morta do texto. O Vendidãâd, se- gundo se pretende por tradição, é o único dos vinte e um Nosks (obras) que escaparam 736

Vênus

Ver Lúcifer. Ventre (Alg.) — Os alquimistas dizem que se nutre a crença filosófica no ventre de sua mãe, Por ventre entendem tanto o vaso ou ovo filosófico como o mercúrio que ab- sorveu o enxofre ou o enxofre que absorveu o mercúrio, sendo um supostamente o ma- cho e o outro a fêmea. Quando juntos no ovo, ocorre uma corrupção, a geração metafó- rica de uma criança, que é preciso nutrir,

Venzel, Zeyier, Agostinho

Este monge se viu cumulado de honrarias e foi nomea- do marquês de Reinesberg pelo imperador Leopoldo 1 da Alemanha, por ter realizado, em sua presença, à transmutação do estanho em ouro. À verdade é que — acrescenta L.. Figuier, de quem tomo esta notícia —, depois de algum tempo, reconheceu-se que tal operação havia sido um fracasso do Adepto. Veor (Esc.) — Ver Veer, Vera (Sânsc.) -- Corpo.

Verdade

No mundo finito e condicionado em que se encontra o homem, a verda- de absoluta não existe sob nenhum conceito; existem apenas verdades relativas, nas quais devemos buscar o apoio que meihor nos sirva. Em todos os tempos existiram sábios que chegaram a possuir a verdade absoluta e aos quais, contudo, era permitido ensinar apenas verdades relativas. Ninguém em nossa raça pode comunicar a outrem a verdade total e definitiva, porque cada indivíduo precisa encontrá-la por si mesmo e em si mesmo. Cada alma deve receber a suprema luz por si mesma de acordo com sua capacidade e não pela mediação de alguma outra. O mais elevado dos Adeptos pode tão-somente revelar, da Verdade universal, aquela parte suscetível de ser assimilada pela alma. Quanto mais ele- vada for nossa consciência, tanto mais poderemos ser impregnados da Verdade. Para al- cançar o sol da Verdade no plano espiritual, é mister trabalhar muito seriamente. Sabe- mos que paralisando os ralos de nossa personalidade inferior, o homem animal que está em nós pode ceder lugar ao homem espiritual; neste caso, uma vez postos em atividade, os sentidos e as percepções espirituais experimentam um desenvolvimento simultâneo: esta é à prática atual dos Adeptos, dos Yogfs da Índia. Para se aproximar da Verdade, primeiro é necessário o amor à Verdade pela própria Verdade, pois, sem este requisito, não é possível chegar a conhecimento algum. Além de certa condição elevada e espiritual da alma, através da qual o homem se unifica com a Alma universal, não se pode obter 737

Verdades, As quatro nobres

São estas: 1º) as penalidades da existência evolucio- nária, que acabam em nascimentos e mortes, vida após vida; 2º) a causa produtora de sofrimento, que é o desejo egoísta sempre renovado de satisfazer-se a si mesmo, sem po- der jamais atingir tal objetivo; 3º) a destruição daquele desejo ou o afastar-se dele e 4º) o meia de obter-se tal destruição. (Olcott, Catecismo Búdico, Pre. 121.) Vesica piscis (Lar.) — “Bexiga de Peixe." Um símbolo de Cristo; é uma auréoia oval, que circunda toda figura erguida e, segundo se supõe, encerra uma alusão ao sagra- do emblema cristão, o ichtys. (Ver Ichtus ou Ichthys.)

Vestíbulos, Os três

Há três vestíbulos que conduzem o peregrino vencedor de Mãra, o tentador, por três diferentes estados de consciência (Jagat, Svapna é Suchupti) ao quarto (Turíya) e daí aos sete mundos, aos mundos do eterno Repouso. O nome do primeiro vestíbulo é Ignorância; o do segundo é Instrução & do terceiro é Sabedoria, além do qual estendem-se as águas sem margens do Akchara, a inesgotável fonte de Onisciência, (Voz do Silêncio, IL)

Vestimenta da Iniciação

Também chamada de Shangnra, é a aquisição da Sabe- doria, através da qual se alcança o Nírvâna de destruição (da personalidade). Põe termo ao renascimento, mas também mata à compaixão; assim é que os Buddhas perfeitos, que se encontram revestidos da glória do Dharmakâãya, já não podem coadjuvar a salvação do homem. (Voz do Silêncio, II.) Ver Vestimentas, As três. Vetála (Sânsc.) — Um elemental, um espírito que frequenta os cemitérios e anima os cadáveres, Vetâla Siddhi (Sânsc.) — Uma prática de feitiçaria; meios de alcançar poder sobre Os vivos através de magia negra, encantamentos e cerimônias executadas sobre um corpo humano morto, durante cuja operação o cadáver é profanado. (Ver Vetãla.) Vettá (Sânsc.) — Testemunha, conhecedor. Vettri (Sânsc.) — Ver Venôá, Vi (Sânsc.) — Prefixo que denota privação, separação, alijamento. Expressa, às ve- zes, a intensidade superlativa. Em alguns casos é transformado em vai. Vibhâga (Sânsc.) — Divisão, desunião, separação; distribuição; distinção, diferen- ciação, diferença; classificação; participação; parte, classe. Vibhakta (Sânsc.) — Dividido; separado; distinto, diferente; isolado, só; múltiplo. 738

Vestimentas, As mrês

As três vestimentas, formas ou corpos búdicos são denomi- nadas respectivamente: Nirmânakâva, Sambhogakáya é Dharmakâãya. (Ver Trikãya e ca- da uma destas três palavras.)

Vichaya

Ver Vishaya. Vichetas (Vi-chetas) (Sânsc.) — Privado de entendimento, juízo ou razão; néscio, insensato, Vichidant (Sánsc.) — Desalentado, abatido; triste, aflito; desesperado, perplexo, Vichuva, Vichuvat (Sânsc.) - Uma manifestação do Suchumnãá. (Râma Prasãod) Vid (Sáânsc.) -— Saber, conhecer, distinguir; pensar, considerar, julgar, opinar; ver, perceber, sentir, Como adjetivo, ao final de uma palavra composta: sabedor, conhecedor, inteligente, douto, versado, experto.

Vida órfica

Vida pura, religiosa, iluminada pela ciência e uma de suas práticas consistia em abster-se do uso de alimentos de origem animal, (Ver Orfeu.)

Vida secreta

À vida do Nirmânakâvya. “Saiba que o Bodhisativa que troca a Li- bertação pela Renúncia, com o objetivo de assumir as penalidades da Vida Secreta, é qualificado de “três vezes Honrado”. (Voz do Silêncio, 11) Vide dos Sábios (Alg.) — Matéria da qual os Químicos Herméticos extraem seu mercúrio. Videha (Sânsc.) — Literalmente: “sem corpo, incorpóreo”", isto é, livre dos laços da matéria, O oposto ao Prakritilaya (ligado à matéria). (Ver Comentários aos Aforismos do Yoga, 17 e 19 do Livro 1, por M. Dvivedi.)

Vidente

O clarividente; aquele que pode ver as coisas visíveis e invisíveis — para os outros — a qualquer distância e tempo com sua visão ou percepção espiritual ou inter- na. (Ver Richi.) Vidhâtri (Sánsc.) — Brahmãá, o Criador. Vidiõâna (Sânsc.) — Ver Vijiâna e Chakchus. Vidro (Aig.) — Matéria dura, seca, transparente, formada da umidade radical incor- ruptível dos mistos, através da violência do fogo, que separa as partes heterogêneas e combustíveis. Vidyá (Sânsc.) — Saber, conhecimento oculto. [Há quatro Vidyãs que fazem parte dos sete ramos do saber mencionados nos Purânas e que são: Yajfia Vidyá, ou seja, a prática dos ritos religiosos com o objetivo de produzir certos resultados; Mahãâ Vidyâ, o grande conhecimento mágico, atualmente degenerado em culto tântrika; Guhya Vidyd, a ciência dos mantras com seu verdadeiro ritmo e entonação, dos encantamentos místicos etc, é Armá Vídvá, a sabedoria verdadeiramente espiritual e divina. (Doutrina Secreta, 1, 192.) Vidyá chadakchart (Sânsc.) — À fórmula búdica de seis sílabas: Om Mani Padme Hum, é a mais sagrada de todas as fórmulas orientais. Tem sete significados diferentes e pode produzir sete resultados diferentes, de acordo com a entonação dada a toda a fór- mula e a cada uma de suas letras, (Doutrina Secreta, III, 436.) Vidyá-dhara (Sânsc.) — Vidyâ-dhara e Vidyá-dhari, divindades, masculina e femi- nina. Literalmente: “Possuidores do Conhecimento”. São também chamados de Nabhas- chara, “que se movem no ar”, que voam, e Privam-vada, “melífluos”, São os silfos dos rosacruzes, divindades inferiores que habitam a esfera astral entre a Terra e o éter e que, segundo a crença popular, são benéficos, mas, na realidade, são Elementais astutos, ma- lévolos e carentes de inteligência ou “Poderes do Ar”, São representados, tanto no Oriente como no Ocidente, como tendo relações com os homens (“casando-se com eles”, como se diz em linguagem rosacruz, Ver Conde de Gabalis). Na Índia são chamados 740

Vigilantes

Nome dado a certos Seres Celestiais (Dhyân Chohans), que guiam e inspecionam as manifestações da Vida de uma Raça, Ronda ou Planeta, (P. Houtit)

Vignana e Vignyâna

Ver Vijúâna. Viguna (Sânsc.) — Falta de mérito, virtude ou qualidade; isento de qualidade; im- perfeito, defeituoso. Vihàra (Sânsc.) — Qualquer lugar habitado por ascetas ou sacerdotes budistas; um templo búdico, geralmente uma caverna ou templo aberto na rocha, Um mosteiro ou também um convento de monjas. Encontra-se atualmente Vihâras edificados nos recin- tos de mosteiros e academias para a disciplina búdica em vilas e cidades; porém, em ou- tros tempos, só podiam ser encontrados em locais selvagens e não freqlientados, no alto das montanhas e nas paragens mais desertas. [Vihâra significa também: expansão, distra- ção; recreio, jogo, passeio; distribuição, prazer; local de recreio.) Vihâraswâmin (Sáânsc.) — O superior ou superiora de um mosteiro ou convento (vihâra). Também chamado de Karmadâãna, porque todo mestre ou guru, pela autoridade que possui, toma sobre si a responsabilidade de certos atos, bons ou maus, cometidos por seus discípulos ou pelo rebanho a ele confiado. Vihita (Sânsc.) — Dado, concedido; atribuído, assinalado; estabelecido, constituído; prescrito; criado, instituído; dotado; provido; fixado.

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