Glossário Teosófico

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Verbetes: R

Renascimento

Ver Reencarnação. Renu (Sânsc.) — Pó; pólen ou pó fecundante das flores.

Renúncia

Pode se referir a diversos pontos, tais como aos presentes e comadida- des da vida, ao uso de determinadas substâncias (carne, álcool etc.) e a várias outras coi- sas de que se abstém o asceta com o objetivo de purificar seu corpo e dominar seu eu inferior, Outra renúncia importante para quem segue o sendeiro da ação ou Karma-voga é a do fruto das obras. Com esse fim, todas as obras devem ser executadas sem egofsmo e sem desejo de recompensa nem nesta nem na outra vida, Desse modo, as ações deixam engendrar Karma e não se ligam a quem as executa. À renúncia ao glorioso estado do Devachan, cora todos os seus sublimes gozos da sabedoria e do amor mais puro, é tam- bém da maior transcendência e assinala uin rápido progresso na evolução humana, visto que o ser, que pratica tal ato de abnegação, atua impulsionado pelo desejo de aplicar em benefício da humanidade as energias espirituais que se gastaram naquelas regiões de bem-aventurança inefável, Porém, a renúncia máxima é a praticada por aquele que, re- pleto de compaixão infinita para com o mundo que geme na Terra, leva sua abnegação ao extremo de que, tendo já na mão o merecido prêmio de uma série incalculável] de lutas e penalidades sofridas no enorme curso de suas numerosas existências, renuncia genero- samente ao Nirvâna, para “desposar generosamente à angústia” e seguir o sendeiro da dor até o fim dos Kalpas sem fim, com o objetivo de converter-se em Bodhisattva ou Salvador do mundo, padecendo, por sua vez, “sofrimentos mentais indizíveis, sofrimento pelos mortos-vivos e compaixão impotente pelos homens que gemem em kármica angús- tia”. (A Voz do Silêncio, U e IL) Repa (Sânsec.) — Cruel, selvagem; ruim, desprezível, Repha (Sânsc.) -— Cruel, vil; como substantivo: paixão, sentimento. 565

Respiração

Na prática do Yoga, esta função fisiológica consta de três partes: uma inspiração (páraka), um intervalo (kumbhaka) e uma expiração (rechaka). Quando a res- piração ocorre pela narina direita, chama-se pingalâá; quando se verifica pela narina es- querda, chama-se idá e, quando se realiza por ambas, suchunnãô,. À respiração pelo lado direito chama-se solar, devido à sua natureza saudável, enquanto aquela realizada pelo lado esquerdo é a lunar, por causa de seu caráter refrigerador, (N. C. Paul, Cinco Anos de Teosofia) — Ver Prânâvâma.

Ressurreição do Senhor

Ver Páscoa. Retana (Sânsc.) — Semente viril. Retentiva— Ver Memória. Retificação (Alg.) — Nova depuração de um corpo ou de um espírito químico, pela destilação reiterada ou por qualquer outra operação em uso para tal efeito. Em termos de Química Hermética, é o mesmo que sublimação ou exaltação da matéria da obra a um grau mais perfeito, Retra (Sânsc.) — Semente viril, néctar, ambrosia,

Retribuição, Lei de

Ver Karma, Reuchlin, /. — Distinto filósofo alemão; eminente cabalista e ocultista. Nasceu em Pfortzheim, em 1455, e em sua primeira juventude foi diplomata, Em certo perfodo de sua vida, desempenhou o alto cargo de Juiz do Tribunal de Tubinga, onde permaneceu por 11 anos. Foi amigo de Pico de la Mirandola, mestre e instrutor de Erasmo, Lutero e Melanchton e por este motivo é chamado de “Pai da Reforma”, Sofreu cruéis persegui- ções por parte do clero, pela glorificação que fez da Cabala hebraica. Morreu em 1552, na miséria, destino comum de todos os que, naqueles dias, atacavam a letra morta da lgreja. Revanta (Sânse.) — Nome do quinto Manu do presente Kalpa, Revatf (Sânsc.) — À última mansão lunar. Este nome também é empregado para de- signar uma das mátris ou energias divinas. Revatibháva (Sânsc.) — O planeta Saturno.

Revelação

Tanto a flosofia Sânkhya como o Yoga admitem a revelação (autori- dade ou testemunho) como uma das três espécies de prova, certeza ou demonstração da verdade; com a diferença de que a primeira baseija principalmente a certeza do conheci- mento nas duas provas restantes, isto É, na percepção direta através dos sentidos e na inferência ou dedução, apelando raramente, e também por mera forma, para a autoridade 566

Rhazes

Célebre alquimista árabe do século IX. Percorreu o Oriente e a Espanha; dirigiu os estudos científicos em Bagdá e em Ray; publicou duas notáveis enciclopédias médicas que, durante muito tempo, serviram de base para o estudo; fez importantes des- cobertas químicas e deu a conhecer grande número de novos compostos, tais como o or- pimento, o bórax, alguns sais de mercúrio, vários compostos arseniacais etc. “O grande segredo da química — dizia — é mais possível do que impossível; seus mistérios se revelam apenas à custa de trabalho e perseverança, mas que triunfo, quando o homem pode le- vantar uma ponta do véu que cobre a Natureza!" Em seus escritos, levava a reserva e a prudência a um grau extremo. Ao descobrir o processo de fabricação da aguardente, por ele inventado, disse: “Toma de alguma coisa desconhecida a quantidade que queiras (Re- cipe aliquid ignotum, quantum volueris) .

Rhizômata

Com este nome foram designados os quatro elementos (terra, água, ar € fogo), raízes ou princípios de todos os corpos compostos. (Doutrina Secreta, 11, 634) Ri (Sânsc.) — Dança; queda; dano; perda; desejo; brilho; luz. Ri (Sânsc.) — Movimento,

Ri-thlen

Literalmente: “guardador de serpentes”. É uma espécie terrível de feiti- çaria praticada em Cherrapunji, nas colinas de Khasi. O primeiro local é antiga capital destas últimas, Segundo a lenda, há já alguns séculos, um shlen (serpente, dragão), que 570

Ribhavas

Ver Ribhus. Ribhu (Sânsc.) — Literalmente: hábil, destro. Espírito planetário. Um dos quatro Kumâras. Epíteto de indra e também de Agni e dos Adityas. Nos Purânas, Ribhu é um filho de Brahmã, que era naturalmente dotado da verdadeira sabedoria. (Ver Ribhus.) Ribhukcha, Ribhukchan ou Ribhukchin (Sâénsc.) — Nome do primeiro Ribhu. Epíteto de Índra; o raio ou o paraíso de Indra, Ribhus ou Ribhavas (Sânsc.) — Três antigos reformadores do sacrifício primitivo, filhos de Sudhanvan e chamados respectivamente de: Ribhu, Vibhu (ou Vibhvat) e Vãja. Por sua assiduidade na prática de boas ações, obtiveram poderes sobre-humanos € foram adorados como seres de condição divina. Supõe-se que residam na esfera do Sol e che- gou-se a identificá-los com os raios do astro-rei. (Ver Azvins.) Rich (Sánsc.) — Estância; dístico dos hinos do Veda; o Rig- Veda; esplendor.

Richabha

Ver Rishabha, Richehhãrãâ (Sânsc.) — Mulher de má vida, Richi (Rishi) (Sânsc.) — Adepto; inspirado ou iluminado, Na literatura védica, este termo é empregado para designar aqueles personagens através dos quais foram revelados os diversos mantras. [Os Richis, literalmente “reveladores”, são sábios santos ou ilumi- nados, cantores ou poetas inspirados, a quem foram revelados os hinos védicos. Estes sublimes personagens distinguem-se por seu vasto saber e santidade e, apesar de terem completado sua evolução como homens, permanecem nas regiões suprafísicas, em con- tato com a humanidade, a fim de ajudá-la em seu progresso, Há sete ordens deles, à sa- ber: os Brahmarchis (Richis brahmânicos ou que pertenceram a esta classe sacerdotal), os Devarchis (Richis divinos ou santos celestes, filhos do Dharma e Yoga, entre os quais fi- guram Nárada, Bharadvâja, Vasichtha etc.), os Rájarchis (Richis pertencentes à classe real, entre os quais figura Vizvâmitra), os Maharchis (grandes Ríchis ou santos, em nó- mero de sete e cujo chefe é Bhrigu), os Paramarchis (ou Ríchis supremos), os Kandar- chis (Richis que explicam uma só parte, uu Kanda, dos Vedas) e os Zrutarchis (Richis que 567

Richirna

Ver: Rishirna. Richta (Sânsc.) — Ferido, perdido, desgraçado. Como substantivo: golpe, ferida; destruição; desdita, Nome de um demônio morto por Vishnu.

Richthausen

Amigo Íntimo de um Adepto chamado Labujardiêre, Em 1648, her- dou deste certa quantidade de pedra filosofal, com a qual se apresentou ao imperador Fernando 111 da Bohemia, que era muito versado em filosofia hermética, e em sua pre- sença, depois de ter tomado todas as precauções de praxe, realizou a operação transmu- tatória dirigida pelo conde de Rutz, diretor das minas. Com um grão do pó, Richthausen transformou duas libras e meia de mercúrio em ouro, com o qual o imperador mandou cunhar uma medalha, que, em 1797, era ainda conservada na Tesouraria de Viena. Com outra parte do mesmo pó, Fernando 111 fez uma nova projeção em Praga, em 1650, e com o ouro obtido fabricou-se outra medalha, que, no século passado (X VIII figurava ainda na coleção do castelo imperial de Ambras, no Tirol. Devido a estes feitos, o impe- rador concedeu a Richthausen o título de Barão do Caos e com tal nome este percorreu toda a Alemanha, fazendo projeções. Sua operação mais famosa foi aquela que, em 1658, executou o Eleitor de Mangúcia, que converteu em ouro quatro onças de mercúrio. Maiores detalhes em L. Figuier: A Alquimia e os Alquimistas, 3º edição, p. 248. Richyakcha (Sânsc.) — Oferenda aos Richis, isto é, a oração e o estudo do Veda, Riddha (Sânsec.) — Próspero, rico, florescente; vasto, grande, poderoso, forte. 568

Rifeos

Segundo a mitologia, constituem uma cadela de montanhas sobre a qual dormia o deus do coração gelado das neves e dos furacões, Segundo a filosofia esotérica, é um verdadeiro continente pré-histórico, que de um país tropical sempre luminado pelo Sol como era, passou agora a uma desolada região situada além do círculo ártico. Riger (Esc.) — Ver BEifrost. Rig-Veda (Véd.) — O mais antigo e mais importante dos Vedas. Segundo se diz, foi “criado” pela boca oriental de Brahmãâ. Como indica o Ocultismo, foi comunicado pelos grandes sábios no laso Man (a) saravara, além do Himalaia, dezenas de milhares de anos atrás. [O Rig- Veda (de rich, celebrar, cantar, e veda, ciência) é assim chamado porque cada uma de suas estâncias é denominada um rich. Nesta “Bíblia da Humanidade”, inti- tulada Rig- Veda, foram colocadas, no amanhecer da humanidade intelectual, as pedras fundamentais de todos os credos e a distinta fé de cada igreja e de cada templo erigido, do primeiro ao último, Os “mitos” universais, as personificações dos Poderes divinos e cósmicos, primários e secundários, bem como os personagens históricos de todas as reli= giões, tanto as ainda existentes como as extintas, podem ser encontradas nas sete princi- país Divindades e suas trezentas e trinta milhões de correlações do Rig-Verda e estas sete, com seu acréscimo de milhões, constituem os Raios da Unidade única e infinita, (Doutri- na Secreta, IL, 229) Ver Vedas.) Rigveda-sanhitã (VEd.) — À coleção dos hinos do Rig- Veda. Rig-vidhâna (Véd.) — Alguns escritos que versam sobre a virtude mística e mágica da recitação dos hinos do Rig- Veda e também de alguns de seus versos isolados. Riju (Sânsc.) — Reto, direto; honrado, justo, Rijyá (Sánsc.) — Reprovação, censura, vergonha, recato, modéstia, Rik ou Rich (VYéd.) — Um verso [ou estância] do Rig- Veda. Rika (Sânsc.) — Coração, alma; litígio. Rikcha (Riksha) (Sânsc.) — Cada uma das vinte e sete constelações que formam o Zodiaco, Qualquer estrela fixa ou constelação. [Como adjetivo significa: cortado, dividi- do.] Rikcheza (Rikcha-lxa) (Sânsc.) — Literalmente: “Senhor das estrelas”: a Lua. Rikta (Sânsc.) — Vazio; esvaziado, evacuado; indigente, pobre, Como substantivo: o vazio, o deserto. Riktha (Sânsc.) — Bens, riqueza, poder.

Rik- Veda (Véd,)

O mesmo que Rig- Veda, em que, por eufonia, o g foi substituf- do pelo &. S69

Ripley, George

Eminente alquimista inglês do séc. X V. Fez interessantes estudos sobre a ciência hermética. Compôs o famoso tratado As Doze Portas, no qual explica o procedimento para a preparação da Quintessência ou Pedra Filosofal, servindo-se para isso de alguns termos alegóricos que lembram aqueles que Goethe colocou na boca de Fausto, na pitoresca cena do Domingo de Páscoa. Ofereceu cem mil libras de ouro aos cavaleiros de Rodes, quando esta ilha foi atacada pelos turcos, em 1460. Sua dignidade eclesiástica, como cônego de Bridlington, não o livrou de ser publicamente acusado de feitiçaria por seus contemporâneos. Ripu (Sânsc.) — Inimigo, adversário, Ripuvaza (Sánsc.) — Submetido a um inimigo. Rishaba (Sânsc.) — Um sábio que, segundo se supõe, foi o primeiro a ensinar as doutrinas jainas na Índia. [Teve muitos filhos, o mais velho dos quais foi Bharata. Depois de abdicar do trono em favor de seu filho primogênito, retirou-se para viver numa ermi- da, onde levou uma vida de austeridades muito severa, Rishaba ou Richabha ou Richa- bhan significa também touro e é o nome do segundo signo zodiacal, Touro, No final de uma palavra composta, Rishaba equivale a: o melhor, chefe, senhor, príncipe, principal, primeiro, excelente etc. Assim, nararchabha (nararichabha) signífica: o melhor dos ho- mens, o príncipe.]

Rishi

Ver Richi. Rishirna (Sânsc.) — Dívida contraída com os Richis, porque os Richis da raça ali- mentam e nutrem o corpo do Jíva, (Bhagavân Dês, A Ciência das Emoções, p. 137.) Rita (Sânsc.) — Reto, justo, devido, conveniente; verdadeiro; próprio; puro; honra- do, venerado; brilhante, luminoso, Como substantivo: verdade, retidão, justiça, fé; or- dem; lei divina; hino, oração, O Brilhante, sobrenome de Agni, Ritambhara (Sânsc.) — Percepção psíquica, ou seja, aquela faculdade através da qual as realidades do mundo são conhecidas com tanta verdade e exatidão como o são as coisas exteriores percebidas comumente, (Ráâma Prasãd) Ritambhara- prajná (Sánsc.) — Conhecimento intuitivo,

Rito do Féretro ou Pastos

Este era o rito final da Iniciação nos Mistérios do Egito, Grécia e outras nações, Os últimos e supremos arcanos do ocultismo não podiam ser revelados ao discípulo até que este tivesse passado por tal cerimônia alegórica da Morte e Ressurreição para uma nova luz, O verbo grego releutao — diz Vronski — signifi- Ca, na voz ativa, “eu Morro” e, na voz passiva, “eu sou Iniciado”, Stoboeus cita um autor antigo, que diz: “A mente é afetada na morte, exatamente como o é na Iniciação nos Mistérios; é a palavra corresponde à palavra; assim a coisa deve corresponder à coisa; porque releutan é 'morrer' e releisthai, *'ser Iniciado.” E assim, como corrobora Macken- zle, quando o aspirante era colocado no Pastos, leito ou ataúde (na india), ou no torno (como foi explicado na Doutrina Secreta, 11, 572 e 5390), “dizia-se simbolicamente que morria”, [Ver Coribantes.)

Ritu (Sânsc,)

Período, época, estação do ano, Os hindus dividem o ano em seis estações, de dois meses cada vma, designadas pelos nomes de Vasanta ou Kusumákara (primavera ou estação temperada, que compreende março-abril, Grichma (verão ou es- tação quente, que compreende maio=junho), Vercha (estação chuvosa, que compreende julho-agosto), Zarad (outono, que compreende setembro-outubro, à estação em que cessam às chuvas), Hemania inverno, estação das neves e que compreende novembro- dezembro) e Zizira (estação do orvalho e das geadas, que compreende janeiro- fevereiro),

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