Glossário Teosófico

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Verbetes: S

Santos, Os Quatro

Os quatro Mahárdjas ou devas que presidem os quatro pontos cardeais; anjos ou regentes que governam as forças cósmicas do Norte, Sul, Leste e Oeste e que, segundo a tradição cristã, são respectivamente os arcanjos Gabriel, Miguel, Rafael e Uriel, Santuchta (Sárnrsc.) — Satisfeito, contente, alegre, feliz, tranqúilo. Sântva ou Zântva (Sânsc.) — Sentimento ou esforço ardente de conciliação (Bha- gavân Dãàs), — A placamento, mitigação; consolo; conforto.

Sanyojanas (Pál,)

Cadeias ou obstáculos para o progresso. São dez: Ilusão do eu (Sakkãya ditthi), dúvida (Vizikicchã); subordinação a ritos supersticiosos (Silabbata-pa- râmâása), sensualidade, paixões corporais (Káma), ódio, maus sentimentos (Patigha); amor à vida na terra (Rúparága); desejo de vida num céu (Artiparága); soberba 610

São Josafá

Este príncipe, protagonista da história de Barlaam e Josafá, € de ori- gem hindu e, na realidade, é o próprio Buddha. Tal nome, como está perfeitamente de- monstrado, é uma corruptela de Bodhisativa, qualificativo bastante conhecido do célebre reformador hindu. Josafá foi elevado à categoria de santo, tanto na Igreja grega como na romana, sendo celebrada a sua festividade, na primeira delas, no dia 26 de agosto, e na última, no dia 27 de novembro. Que o fundador de uma religião oriental atefsta tenha si- do elevado a santo cristão é um dos fatos mais estupendos da história religiosa. (A. A. Macdonell, História da Literatura Sânscrita, cap. XVI) Para corroborar o que foi dito e para maiores detalhes, ver /sis sem Véu, Il, pp. 579-581, e Emílio Burnouf, À Ciência das Religiões, terceira edição francesa, págs. 254-255. Este último autor afirma que o original sânscrito das diferentes versões da história de Barlaam e Josafá € o Lalita-vistã- ra, que já existia no século III antes de nossa era, sendo preciso notar que todos os no- mes sânscritos foram substituídos, nas versões, por nomes sirfacos e que o protagonista do relato não é outro senão o próprio Buddha Sâkyamuni.

São Pedro

Considerando Cristo como um mito solar, diz Depuis: “Sob o nome de Pedro, reconheceremos o antigo Jano com suas chaves e sua embarcação, à frente das doze divindades dos doze meses, cujos altares estão a seus pés”. (Origem de todos os Cultos, cap. IX.) Esta citação tem estreita relação com a seguinte passagem de A Via Perfeita, de Anna Kingsford: “Com os olhos do entendimento, a alma olha para o inte- rior e o exterior, e esta qualidade característica da alma foi representada sob a forma de Jano, a divindade de duas faces”, Jano é também o guardião da porta, como o é Pedro na tradição católica; motivo pelo qual a porta foi chamada de janua e 0 primeiro mês do ano, januarius (janeiro). Ver À Via Perfeita, Introdução, Sapakeha (Sânse.) — Partidário; seguidor. Saparyâ (Sânsc.) — Honra, adoração, Sapatna (Sânsc.) — Rival, inimigo, adversário. Sapatráâkarana (Sânsc.) — Aflição, pesar; angústia. 611

Sapta-sindhava (Véd,)

Os “sete Rios Sagrados”. É termo védico. Nas obras es- critas em zende são denominados de Hapta Heando. Estes rios encontram-se estreita- mente relacionados com os ensinamentos esotéricos das Escolas do Oriente e têm um significado muito oculto, [Ver Sapta-sindhu.) Sapta-sindhu (Véd.) — Esta palavra, cujo plural é Sapta-sindhava, significa a Hep- tapotamia (os sete rios), isto é, o Indo médio e seus afluentes. Saptatantu (Sánsc.) — Oferenda, sacrifício, Sapta Tathâgata (Sânsc.) — Os sete Nirmânakâyas principais entre os inumeráveis guardiães antigos do mundo, Seus nomes encontram-se escritos num pilar heptagonal, que há numa câmara secreta em quase todos os templos búdicos da China e do Tibet. Os orientalistas erram ao pensar que estes são “os sete substitutos budistas para os Richis dos brahmanes”". (Ver Taihâgata-gupta.)

Saptadhatu (Sâánsc,)

Os sete elementos do corpo (quilo, sangue, care, gordura, medula, 0880 e sêmen masculino). Saptadídhiti (Sânsec.) — “De sete raios.* Epíteto de A gni. Sapta-dwipa (Sânsc.) — Às sete ilhas sagradas ou “continentes”, segundo os Purá- nas. Assim se chama também a Terra, por ser constituída por sete grandes ilhas ou conti- nentes. (Ver Jambu-dwinpa.) Saptajihva (Sânsc.) — “De sete línguas,' Epfteto de Agni. Saptaka (Sânsc.) — Sete; sétimo. Sapta-loka (Sânsc.) — Às sete regiões superiores, contando-se da Terra para cima. Saptama (Sânsc.) — Sétimo. Saptami (Sánsc.) — O sétimo dia da quinzena, Saptaparna (Sânsc.) — [Literalmente: “sete folhas”] ou a “sétupla”. Uma planta sa- grada de sete folhas [Echites scholaris], que dá seu nome a uma famosa caverna, um vi- hára, em Râjâgriha, atualmente próxima de Buddhagaya, onde o Senhor Buddha costu- mava meditar e ensinar seus arhar's e onde, depois de sua morte, foi celebrado o primeiro Sínodo, Tal caverna tem sete câmaras e daf seu nome, Em esoterismo, Saptaparna É o símbolo do “sétuplo Homem-Planta” [isto é, o homem constituído por sete Princípios]. Saptarchi (Sapta-richi) (Sânsc.) — Os sete Richis. Como estrelas, formam a cons- - telação da Ursa Maior e como tais receberam o nome de Rikcha e Chitra-zikhandinas, de penacho brilhante. [No plural, saptarchis ou, mais propriamente, saptarchayas são os sete Richis principais chamados ÁAtri, Angiras, Kratu, Pulastya, Pulaha, Maríchi e Vazi- chtha., Os sete Richis marcam o tempo e a duração dos acontecimentos em nosso ciclo de vida planetário. São tão misteriosos como suas supostas esposas, as Plêyades ou Kritti- kâs. (Doutrina Secreta, II, 579) Às sete estrelas da Ursa Maior também são designadas pelo nome de Saptarchi ou Saptarikoha, (Ver Ambâã.)) 612

Saptãzva

Ver Saptasapti. Sar ou Saros (Cald.) — Um deus caldeu de cujo nome, representado por um hori- zonte circular, os gregos tomaram seu termo Saros, ciclo. Sara (Sânsc.) — Marcha, movimento; água, lago, tanque,

Sâra (Sánso,)

Essência, parte essencial; força, vigor; o vento; água; riqueza; pro- priedade; aptidão. Como adjetivo: bom, distinto. Saraghã (Sânsc.) — Abelha. Sâragha (Sânsc.) — Mel, Saraja ou Sâraja (Sânsc.) — Manteiga. Saraka (Sáânsc.) — Que vai ou marcha; caminho; diretriz do movimento, bebida es- pirituosa; o céu; o ar, Saramã (Sânsc.,) — Segundo os Vedas, é a cadela de Indra e mãe dos cães chamados Sârameyas. Saramã é a “vigilante divina” do deus e é a mesma que guardava o “dourado rebanho de estrelas e ralos solares”; o mesmo que Mercúrio, o planeta, e o Hermes gre- go, chamado Sârameyas. [Saramâ recobrou as vacas roubadas pelos panis, mito que, se- gundo se supõe, significa que Saramâ é a aurora e que as vacas representam os ralos so- lares arrebatados pela noite, (Dowson, Dicionário clássico hindu) Ver Panis.)

Sâranam (Pál,)

Refúgio; guia, Na primeira destas acepções, é sinônimo de Nirvã- na, (Ver Tisarana.) Saraph (Hebr.) — Uma serpente voadora, Saras (Sânsc.) — Á Eua, lago, tanque. Sarasa e Sarast (Sânsc.) — Extensão de água, Sarasa (sarast) significa também: do- tado de sabor, saboroso. Sarasija (Sânsc.) — “Nascido na água": lótus. 613

Sarcófago (do grego sarkós, carne, e phagein, comer)

Um sepulcro de pedra para nele ser depositado um cadáver. Em Lícia foi encontrado o lapis assius, pedra com a qual se fabricam os sarcófagos e que tem a propriedade de consumir os corpos em pouquiíssi- mas semanas. No Egito, construfam-se sacófagos com vários outros tipos de pedra, tais como: basalto negro, granito vermelho, alabastro e outros materiais, que só serviam co- mo receptáculos exteriores dos féretros de madeira, que continham as múmias. Os apitá- fios de alguns deles são notáveis, por serem altamente morais e nenhum cristão poderia desejar coisa melhor. Um destes epitáfios, que data de milhares de anos antes de nossa era, diz: “Dei água a quem tinha sede e vesti o nu. Não prejudiquei ninguém”. Outro diz: “Pratiquei os atos desejados pelos homens e os prescritos pelos deuses”. À beleza de al- gumas destas tumbas pode ser julgada pelo sarcófago de alabastro de Oimeneftah 1, que se encontra no Museu de sir John Soane, em Lincoln's Inn. “Foi lavrado num só bloco de alabastro fino e tem 2,70 m de comprimento por 56 a 60 cm de largura e 68 a 81 cm de altura... Do lado externo podem-se ver pontinhos e nozinhos gravados, que em outro tempo foram recobertos de cobre azul para representar o céu. Descrever as maravilhosas figuras que adornam este sarcófago por dentro e por fora ultrapassa os limites desta obra, Grande parte de nossos conhecimentos de mitologia popular emana de tão precioso monumento, com suas centenas de figuras que representam o juízo final e a vida além- túmulo, Deuses, homens, serpentes, plantas e animais simbólicos podem ser vistos ali, es- culpidos com extrema arte.” (Ritos Funerários dos Egípcios) [Há outros sarcófagos adornados com grande riqueza, Os do rei Ai e de Set | apresentam um resumo de todas as cenas funerárias das tumbas. Suas quatro faces estão cobertas de esculturas. O sarcó- fago de Taho é uma obra-prima que os gravadores não se cansam de admirar. Às cenas que adornam estes monumentos referem-se ao curso noturno do Sol nas regiões subter- râneas. Nos sarcófagos mais recentes figuram lendas mitológicas relativas aos gênios fu- nerários, a Ísis e Néftis etc., tanto que sobre o peito surge o gavião com cabeça humana, símbolo da alma, (Pierret, Dict. d' Arch. Égvpt)) Sarga (Sânsec.) — Criação, emanação, emissão, produção, geração; criatura, coisa criada; prole, linhagem; origem, nascimento; mundo; natureza; caráter; ordem; espécie; multidão; legião; resolução; propósito, capítulo ou canto de um poema épico. Sargon (Cald.) — Um rei babilônico. Descobriu-se recentemente que foi o protótipo de Moisés e da arquinha de juncos que se encontrou no Nilo, Sariputra (Sânsc.) — Literalmente: “Filho de Sari”, Sobrenome de um dos princi- pais discípulos de Buddha; o São Pedro do budismo. Seu verdadeiro nome era Upatisya,

Sarira

Ver Shârira. Sarísripa (Sânsc.) — Serpente, réptil, inseto que se arrasta, “o infinitamente peque- no. 614

Saros

Ver Sar, Sârpa (Sânsc.) — Serpentino; próprio da serpente, Sarparaja (Sânsc.) — Literalmente: “Rei dos náôgas ou serpentes”. Título de Vâsuki.. Sarpa-rajõôf (Sânsc.) — A Rainha das serpentes, segundo os Bráhimanas. [O Aitare- ya Brâhmana dá à Yerra o nome de Sarparajãt, “Rainha-Serpente” e “Mãe de twudo o que se move”, (Doutrina Secreta, 1, 103)) Sarpas (Sâánsc.) — Serpentes cujo rei era Secha, a Serpente, ou melhor, um aspecto de Vishnu, que reinava no Párála. [Há uma notável diferença, esotericamente, entre as palavras Sarpa e Nãga, embora ambas sejam usadas indistintamente. Sarpa, serpente, ver da raiz srip, arrastar-se, e é designada pelo nome de aúi, de há, abandonar. Os sar- pas foram produzidos pelos cabelos de Brahmã, os quais, por causa de seu espanto ao ver os yakchas, que eram horríveis à visão, calram-lhe da cabeça, convertendo-se cada um deles numa serpente. São chamados “Sarpa porque se arrastam e ahi porque abando- naram a cabeça”. (Wilson, 1, 53,) Porém os nâágas, segundo as alegorias, apesar de sua cauda serpentina, não se arrastam, mas andam, correm e lutam, (Doutrina Secreta, 1, 192.) Os sarpas são de ordem inferior àquela dos nãgas, (Ver Nágas.)) Sârpt (Sânsc.) — O nono asterismo lunar. Sarva (Sânsc.) — Todo, inteiro; universal; todos, todo, todas as coisas, o mundo in- teiro, o universo, o grande Todo,

Sârva (Sânsc,)

De todos, comum à todos. Sarvabhâvena (Sânsc.) - Com toda a alma; de todo o coração, Sarvabhrit (Sânsc.) — Sustentação do universo. Sarvadarzin (Sânsc.) — Que a tudo vê, Sarvaga (Sânsc.) — Literalmente: “que a tudo sacrifica”. Epíteto de Buddha, que num jataka (vida ou encarnação) anterior sacrificou seu reino, sua liberdade e também sua vida, para salvar os demais, Sarvaga (Sânsc.) — À suprema substância do mundo, [Literalmente: “que vai a to- das as partes”, onipenetrante: Brahmâ Shiva; a alma; a água.) Sarvagata (Sânsc.) — Que vai a todas as partes; estendido a todos os lugares; oni- presente, onipenetrante: universal; que a tudo preenche. Sarvahara (Sânsc.) — Que a tudo arrebata, Sarvajanina (Sânsc.) — Que se refere a todos os homens. Sarvajit (Sânsc. — Que a tudo vence; invencível, irresistível. Sarvajõa (Sânsc.) — Que a tudo sabe; onisciente; dotado de conhecimento infinito; um Buddha. Sinônimo da palavra páli sabbannu. Sarvaka (Sânsc.) — Tudo, 615

Sarvakartri (Sânsc)

Autor de tudo; Supremo Criador; Brahmã, Sarva- mandala (Sánsc.,) - Nome aplicado ao “Ovo de Brahmâ”, Sarvamaya (Sâánsc.) — Total, universal; que se refere ao todo. Sarvamôchaka (Sânsc.) — “Que a tudo arrebata"”. O tempo. Sarvânga (Sânsc.) — À coleção de membros: o corpo inteiro, Sarvapriya (Sânsc.) — Universalmente amado; que ama a tudo e a todos.

Sarvârthãtã (Sânsc,)

À totalidade das coisas. Sarvasaha (Sánsc.) -- “Que a tudo sustenta”: a Terra, Sarvasannâha (Sánsc.) — “Que une todos os seres entre si": a Alma ou Espírito Universal. Sarva-sâra (Sânsc.) — Título de um dos Upanichads.

Sarvathãá (Sânsc,)

De todos os modos, por todos os meios; em qualquer lugar ou condição; completamente, Sarvâtman ou Sarvâtmãâ (Sânsc.)- À Alma Suprema; o Espírito onipenetrante. [O Espírito Universal; a Superalma, (Doutrina Secreta, L, 117] Sarvatomukha (Sânsc.) — Que tem o rosto voltado para todas as direções; Brahmã, de quatro faces,

Sarvatra

Ver Sarvathã, Sarvaveda (Sânsc.) — Brahmane que leu todo o Veda. Sârvavedya (Sánsc.) — Brahmane que conhece todos os vedas. Sarvavid (Sânsc.) — Que tudo sabe ou conhece; onisciente, Sarva-vyâpi (Sônsc.) — Onipresente; onipenetrante.

Sarvesha

Ver Sarveza. Sarveza [Sarva-fza] (Sânsc.) — “Senhor do Universo”, o Ser Supremo; aquele que rege ou governa todas as ações e forças do universo, [Ver Sarvezvara.) Sarvezvara [Sarva-tizvara] (Sânsc.) — Rei universal, Senhor Supremo ou do uni- verso. Sinônimo de Sarveza. Sârvika (Sánsc.) — Universal, concernente a tudo, Sarviya (Sânsc.) — Relativo a todos. Sasin (Sáânsc. — Qutro nome do Ástro-das-Noites, a Lua (palavra masculina em sânscrito), Suas esposas eram as vinte-e-sete constelações, porém apenas Rohini, a Var- melha (a constelação do Touro, cuja estrela principal é vermelha), reinava em seu cora- ção. (Bergua, O Râmayâna, p. T47, nota.) Sâsmita (sa-asmita) (Sânsc.) — Literalmente: “com egotismo”, Tratando-se de meditação, é aquela em que se conserva o sentimento ou a consciência do ser pessoal (e- gotismo). Ver Aforismos de Patafijati, 1, 17, 616

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