Sistema filosófico fundado pelo Richi Kapila; sistema de me- tafísica analítica e um dos seis Darzanas ou escolas de filosofia, Trata de categorias nu- méricas e do significado dos vinte-e-cinco tartvas (forças da Natureza em diversos graus). Esta “escola atômica” (como alguns a denominam) explica a Natureza pela ação mútua de vinte-e-quatro elementos além do Purucha (Espírito), modificados pelos três gunas ou qualidades, ensinando a eternidade do Pradhâna (matéria homogênea primor- dial) ou a autotransfornação da natureza é a eternidade dos Egos humanos, [Por sua eti- mologia, o sistema Sânkhya significa sistema enumerativo, ou melhor, sistema raciona- lista (de sânkhya: número, enumeração, raciocínio). Explica a natureza do Espírito (Pu- rucha) e da Matéria (Prakriti ou Pradhâna), dois princípios igualmente não-criados e eternos que, por sua mútua união, dão origem a todos os seres, animados e inanimados. Tal como o exposto no Sânkhya-Kárikãâ, este sistema filosófico não menciona nenhuma Divindade ou Senhor Supremo (fzvara), tendo sido, por isso, qualificado de ateísta (an- Ízvara), mas admite um sem-número de Puruchas, visto que cada indivíduo, cada corpo, cada ser da criaçaó tem seu Purucha ou Espírito particular. O Buddhi, o Ahankâra, o Manas, os Indrivas etc. são outros tantos princípios, tatívas ou produtos derivados do Prakriti, ou seja, da Matéria sempre ativa e sujeita a contínuas mudanças e modificações, diferenciando-se nesse ponto do Purucha ou Espírito, que permanece sempre inativo € imutável, como mero espectador ou experimentador, pois toda a atividade do Prakriti € empregada unicamente em favor e proveito do Purucha, para sua experiência e liberta- ção. À matéria é constituída por três fatores, modos ou qualidades (gunas), denominados respectivamente sattva, rajas e tamas, é o predomínio de um deles num indivíduo é que determina seu caráter ou condição, Na matéria caótica, não-deferenciada ou não-mani-= festada, os três gunas encontram-se perfeitamente equilibrados; assim não há atividade, não há evolução; todas as potências e energias repousam numa não-ação comparável à de uma semente; porém, quando se rompe tal equilíbrio, começa a manifestação, o processo evolutivo. (Ver Darzanas.)
Um dos seis Darzanas ou escolas de filosofia hindu, fun- dada por Kanâda. É também designada pelo nome de Escola Atômica, porque ensina a existência de um Universo transitório, constituído por átomos [eternos], um número in- finito de almas e um número fixo de princípios materiais, através de cuja correlação e ação recíproca ocorrem as evolugoês cósmicas periódicas sem qualquer Força diretriz, exceto uma espécie de lei mecânica inerente aos átomos. É uma escola eminentemente materialista, [A filosofia vaisheshika ensina a existência de átomos primordiais eternos, 192
Sistema místico de filosofia, que se desenvolveu graças aos esforços de gerações de sábios para interpretar o significado secreto dos Lipanichads (ver). Em Chad-darzanas (seis escolas ou sistemas de demonstração) é denominado Urta- ra-Miímânsã |[Mímânsã posterior], atribuído a Vyâsa, compilador dos Vedas, a quem se atribui, portanto, a fundação da Vedânia. Os hindus ortodoxos chamam a Vedânta (pala- vra que significa literalmente “fim ou objeto de todo conhecimento (védico)”) de Brah- ma-jnâna ou conhecimento puro e espiritual de Brahma. Assim, admitindo as últimas datas assinaladas por nossos orientalistas para várias escolas e obras sânscritas, a Ve- dânia deve ter uma antiguidade de 3,300 anos, visto que se afirma que Vyâsa viveu 1.400 anos a.C. Se, como disse Elphinstone, em sua História da Índia, os Brâhmanas constituem o Talmud dos hindus e os Vedas os livros mosaicos, a Vedânia deve então se chamar, com toda propriedade, de Cabala da Índia. Porém, quão imensamente maior (é) Zankarâchârya, que foi popularizador do sistema vedantino e o fundador da filosofia ad- vaita; é chamado algumas vezes fundador das modernas escolas da Vedânta. [A filosofia Vedânria É a ciência do Abstrato, a única Realidade, enquanto o universo concreto é con- siderado como uma ilusão. De modo geral, ocupa-se do conhecimento de Brahma (Brahma-júâna) exposto nos Vedas. Segundo os ensinamentos da Vedânia, Paramâtmã (Alma universal ou Brahma) é a causa onisciente e onipotente da existência, manutenção e dissolução do Universo; é a Causa eficiente e material do mundo; a criação é um ato de sua vontade; ao chegar a consumação do Universo, todas as coisas n'Ele se resolvem, A Vedânta divide-se em três escolas: 1º) a dualista ou dvaita;, 2º) a dualista com a dife- rença ou vizichradvaita; e 3º) a monista, não-dualista ou advaita, da qual Zankarâchârya foi apóstolo fervoroso (ver estas palavras),|
Um dos seis Darzanas ou escolas filosóficas da Índia. Este siste- ma, fundado pelo grande Richi Patafijali, constitui, no fundo, o sistema Sânkhya adapta- do à prática e modificado em alguns pontos. À diferença mais notável entre os dois sis- temas é que, assim como no de Kapila não há menção de qualquer Divindade, o de Pa- tafijali, pelo contrário, é declaradamente teísta, visto que admite a existência de uma Di- vindade, sendo esta um Espírito distinto dos inumeráveis Espíritos (Puruchas) indivi- duais da escola sânkhya ou, em outras palavras, admite a existência de um Purucha úni- co, chamado fzvara, Senhor do Universo, a quem não afetam as influências a que estão submetidos od Puruchas individuais; por esta razão o sistema yoga é também denomina- do de Sânkhya deísta ou Sezvara Sânkhya, isto É, Sânkhya com Ízvara (sa-Ízvara). Outra diferença importante entre tais sistemas refere-se aos meios de se obter a liberação, que, segundo os sânkhyas, consistem no conhecimento dos princípios (faftvas) e no discerni- mento entre Purucha e Prakriti, enquanto que, segundo os yogis, consiste na contempla- ção espiritual e na devoção à Divindade, O Yoga de Patafijali expõe um “sistema de es- forços” que têm por objetivo o domínio da mente, a liberação do Espírito, arrancando-o dos laços da matéria, e finalmente a união com a Divindade. (Ver Darzanas e Yoga.)
Nome dado aos filósofos herméticos e alquimistas da Idade Média e também aos rosacruzes, Estes últimos, sucessores dos teurgos, consideravam o fogo como símbolo da Divindade. Era origem não só dos átomos, mas também o 193
O que permaneçe firme, quando o corpo elementar é desagregado ou dissolvido, A esfera da alma do Macrocosmo e respectivamente a do Microcosmo. (F. Hartmann) Fixação (Alg.) — Ação ou operação através da qual se fixa uma coisa de natureza volátil. O princípio da fixação é o sal fixo e a digestão num fogo conveniente. Os quími- cos herméticos dizem que a perfeição da fixação só pode ser obtida através das opera- ções e procedimentos da Pedra dos Filósofos, aos quais somente sua matéria é suscetível, e que atinge este grau quando, através da cocção, chega à cor vermelha do rubi. Esta operação é realizada através de um fogo filosófico do terceiro grau. Fixar (Alg.) — Em termos de Ciência Hermética, é cozer a matéria Jogo que atingir a cor negra, pela putrefação, até estar perfeitamente branca e, finalmente, atingir a cor vermelha do rubi. Essa matéria torna-se então de tal maneira fixa que resiste à ação do fogo mais violentó, Fixar É, propriamente falando, transformação de um sal volátil em sal fixo, de modo que ele não mais se evapore nem se sublime. O volátil não se fixa por si mesmo, assim como o fixo não se volatiza sozinho; mas aquele que domina sobre o outro, muda o mais fraco para sua própria natureza.
Ver Pisâcha-loka. Pizuna (Sânsc.) — Espião; cruel, malvado, vil, desprezível, (Ver Pesh-Hun.) Plaggon (Gr.) - Pequenas bonecas de cera, que representavam as pessoas ao natural e que eram utilizadas para encantamentos. Plakcha (Sânsc.) — Um dos sete grandes dwípas (continentes ou ilhas) no panteão hindu e nos Purânas. [E também o nome da figueira sagrada (Ficus religiosa), bem como de outra espécie chamada Ficus infectoria.]
Ver Phila. Flagae (Herm.) — Nome dado por Paracelso a uma classe particular de gênios ou anjos guardiões. [São equivalentes aos anjos da guarda dos cristãos e aos pitris ou ante- cessores dos ocultistas, (Doutrina Secreta, 1, 242) Espíritos que conhecem os segredos dos homens; espíritos familiares; espíritos que podem ser vistos os espelhos e que reve- lam coisas secretas, (F. Hartmann) Cada criança, ao nascer, recebe um gênio ou espírito familiar e estes espíritos, às vezes, instruem seus discípulos desde a mais tenra idade. Muitas vezes ensinam-nos a fazer coisas extraordinárias. Há no Universo um número in- calculável de tais gênios e deles podemos aprender todos os mistérios do Caos, pelo fato de estarem relacionados com o Mistério Magno. Estes espíritos familiares são chamados de Flagae, (Ver F, Hartmann, Os elementais (Pheumatologia), p.p. 20 € ss.]
Ver Escola Platônica, Plava (Sânsc.) — Balsa, embarcação, Prolongamento do som das vogais na leitura do Veda; desenvolvimento de uma idéia através de várias estâncias, Plavaga (Sânsc.) — O cocheiro do Sol. Plavin ou Plavin (Sânsc.) — Ave, pássaro. Plenum (Lar.)— Ver Espaço e Pleroma. Pleroma (Gr.) — “Plenitude”, Termo gnóstico adotado para significar o mundo di- vino ou Alma universal. O Espaço, desenvolvido e dividido em séries de éons. À mansão dos deuses invisíveis. Tem três graus. [É o Vefeulo da Luz e receptáculo de todas as for- mas, uma Força difundida em todo o Universo, com seus efeitos diretos ou indiretos, que os escolásticos latinos conseguiram transformar em Satã e suas obras. (Doutrina Secreta, 11, 537)] Segundo os primitivos Padres da Igreja, o Pleroma era a mansão das hostes de Anjos caídos. (Doutrina Secreta, 1, 218) O Pleroma é um só, não muitos, e seus estados de existência são graus do autodesenvolvimento da Mente universal, a partir da única e distinta Causa que está por detrás da mesma. (Theosoph. Review, cit. por P, Hoult) 494
Ver Josefa. Fiegiae (Phlegiae) (Gr.) — Antiga Uha submersa em tempos pré-históricos e identi- ficada por alguns escritores como a Atlântida. É também o nome de um povo da Tessá- lia.
Ver Anthesteria. Flores (Alg.) — Os filósofos herméticos dão este nome aos espíritos encerrados na matéria, Expressamente recomendam que se use sempre um fogo brando, visto que esses espíritos são de tal maneira vivos que quebrariam o vaso, por mais forte que fosse, ou se queimariam, Através desse nome, expressam também as diferentes cores atingidas pela matéria durante as operações da obra. Assim, a Flor do Sol é a cor citrina-avermelhada que precede o vermelho de rubi. À Flor-de-lis é a cor branca, que aparece antes da citri- na, Fios rosinae metallicae (Alg.) — Flor de enxofre,
Geralmente conhecido pelo nome de Robertus de Fluctibus, princf- pe dos “filósofos do fogo”, Célebre filósofo hermético inglês e fecundo escritor do séc. XVI. Escreveu sobre a essência do ouro e outras matérias místicas e ocultas,
É o fluido invisível que emana dos dedos de um magnetizador; é a “Substância Primordial”, que preenche o espaço e todas as coisas e que recebeu di- versos nomes, tais como “aura nervosa”, “Úeletricidade vital”, “vida”, “fogo vivente”, arqueo dos gregos etc. (Doutrina Secreta, 1, 361)