Glossário Teosófico

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Verbetes: E

Estercoranistas (do latim stercorare, estercorar)

Nome dado àqueles que susten- tavam que o corpo de Jesus Cristo, na Eucaristia, ingerido pela comunhão, estava sujeito à digestão e Às suas consegiiências naturais, como qualquer outro alimento. Em meados do séc. 1X, Pascasio Rabbert compôs um tratado sobre a Eucaristia, algumas de cujas questões, em especial a que se referia ao acima citado, suscitaram acirrados debates. Dom Luc d'Acheri terminou amigavelmente à questão, publicando uma obra anônima na qual se liam as seguintes palavras: “Ninguém além de Deus sabe o que acontece com a Eucaristia, quando a recebemos” (Hist, des Cultes Relig.)

Estrelas

Segundo o Dicionário de Antiguidades Cristãs, do abade Martigny, em alguns monumentos cristãos antigos vê-se o Cristo coroado de estrelas, que, em alguns casos, são em número de sete, Também se vê alguns monogramas de Cristo onde cada um dos raios termina numa pequena esfera ou globo, Será esta uma representação do Cristo-Sol rodeado pelos sete planetas?

Esus

Com este nome os antigos gauleses adoravam ao Ser supremo, Não lhe eri- giam altares nem o representavam em imagens; rendiam-lhe culto em algum bosque sa- grado, onde acreditavam que residia, Lucano, no terceiro livro de seu Farsalia, fornece- nos uma curiosa descrição de um destes bosques sagrados. Etat (Sânsc.) — Este, (Ver Este.)

Éter

É preciso distinguir entre Ether e Éter.

Éter ou Ether

Os estudantes são muito propensos a confundir o Éter com o Á£ã- za e com à Luz Astral. Não é nem uma coisa nem outra, no sentido em que a ciência físi- ca descreve o Éter. O Éter é um agente material, embora nenhum aparelho físico o te- nha, até agora, descoberto, enquanto o Ákâáza é um agente distintamente espiritual, idên- tico em certo sentido ao Ánima Mundi, e a Luz Astral é apenas o sétimo e mais elevado princípio da atmosfera terrestre, tão impossível de descobrir como o Ákáza e o verda- deiro Éter, por ser algo que se encontra completamente em outro plano. O sétimo princf- pio da atmosfera terrestre, ou seja, a Luz Astral, é apenas o segundo da escala cósmica. A Escala de Forças, Princípios, e Planos cósmicos, de Emanações (no plano metafísico) e Evoluções (no físico), é a Serpente Cósmica que morde sua própria cauda, a Serpente que reflete a Serpente superior e que é refletida, por sua vez, pela inferior, O Caduceu explica este mistério e o quádruplo dodecaedro sobre cujo modelo, diz Platão, o Uni- verso foi construído pelo Logos manifestado — sintetizado pelo Primeiro- Nascido não- manifestado —, dá, geometricamente, a chave da Cosmogonia e seu reflexo microcósmi- co, Ou seja, a nossa Terra. [O Éter, verdadeiro Proteu hipotético, uma das “ficções re- presentativas” da ciência moderna, é um dos princípios inferiores do que chamamos “Substância Primordial” (Ákáza em sânscrito), um dos sonhos da Antiguidade e que agora tornou a ser o sonho da ciência de nossos dias. É a maior e mais atrevida das es culações sobreviventes dos filósofos antigos. Segundo o Dicionário de Webster, o Éter “é um meio hipotético de grande elasticidade e extrema sutileza, que se supõe preencha todo o espaço, sem executar o interior dos corpos sólidos, e seja o meio de transmissão da luz e do calor”, Para os ocultistas, contudo, tanto o Éter como a Substância Primor- dial não são coisas hipotéticas, mas verdadeiras realidades, Acredita-se geralmente que o Ákaza, da mesma forma que à Luz Astral dos cabalistas, são o Éter, confundindo-se este com o Éter hipotético da ciência, Grave erro, O Ákáza não é o Éter admitido como hi- pótese por Newton e nem o Éter dos ocultistas; é muito mais. O Ákãza é a síntese do 178

Eternidade

Abusou-se lamentavelmente desta palavra e em grande número de casos este termo é aplicado de maneira bastante incorreta, Na maioria das vezes, a eter- nidade é apenas relativa e expressa um vastíssimo período de tempo, interminável em comparação com a brevidade de nossa existência terrena e que parece infinito porque nossa inteligência mitada não pode fazer idéia de sua longa duração. À palavra eterni- dade, com a qual os teólogos cristãos interpretam a expressão “para todo o sempre”, não existe na língua hebraica. Oulam — diz Le Clerc — significa um tempo cujo princípio ou fim é desconhecido. Não expressa “duração infinita” e a expressão “para sempre” do Antigo Testamento significa apenas “um longo tempo”. Também nos Purânas a palavra “eternidade” não é empregada no sentido cristão, uma vez que está claramente expresso que os termos “eternidade” e “imortalidade” significam apenas “existência até o fim de um Ralpa” (Doutrina secreta, 1, 339 e fsis sem Véu, 1, 12). Na maior parte das vezes, a palavra “eternidade” deve ser substituída por eon ou evo, no sentido de período de tem- po aparentemente interminável. Nem mesmo ao Níirvâna pode-se aplicar tal palavra, visto que, acima de tão glorioso estado, há outros superiores (Para-nirvâna), que tam- bém têm seu limite na Eternidade Absoluta. Na Doutrina Secreta faz-se menção de “E- ternidades”, entendendo-se por “eternidade” a sétima parte de uma Idade de Brahmãá, ou Maháâákalpa, equivalente à enorme cifra de 311.040,000.000,000 anos solares (Doutrina Secreta, 1, 227). Só se pode chamar de eterno aquilo que nunca teve princípio é nunca terá fim. O símbolo da Eternidade é uma serpente encurvada, formando um círculo, mordendo sua própria cauda, Etrobacia (Aethrobacia) (Gr.) — Literalmente: “andar no ar” ou nele se elevar, sem a intervenção de qualquer agente visível; “levitação”. Pode ser consciente ou in- consciente; no primeiro caso, é magia; no segundo, é uma enfermidade ou poder que re- quer algumas palavras explicativas. Sabemos que a Terra é um corpo magnético; de fato, como descobriram alguns sábios e como afirmou Paracelso há uns trezentos anos atrás, a Terra é um enorme imã. Está carregada de um tipo de eletricidade — digamos positiva — que desenvolve incessantemente, por ação espontânea, em seu interior ou centro de mo- vimento. Os corpos humanos, assim como todas as demais formas de matéria, estão car- regados de eletricidade de carga oposta, negativa. Assim, os corpos orgânicos e inorgâ- nicos, abandonados a si próprios, contínua e involuntariamente desenvolverão um tipo de eletricidade oposta à da Terra e com ela se carregarão. Então, vejamos: o que é o peso? É simplesmente a atração da Terra, “Sem a atração da Terra, não teríamos peso algum — diz o prof, Stewart — e, se tivéssemos uma Terra duas vezes tão pesada quanto à nossa, experimentaríamos uma atração duas vezes maior.” Como podemos, pois, nos livrarmos dessa atração? Segundo a lei elétrica exposta anteriormente, há uma atração entre o 179

Eu

Esta palavra é usada pelos teósofos em três sentidos diferentes, expressando o segundo e o terceiro a mesma idéia que o primeiro, embora com maior limitação: 1º) Ár- man, o Espírito único em tudo, “Eu sou o Eu (Átman) situado no coração de todas as criaturas; sou princípio, meio e fim de todos os seres” (Bhagavad-Gftá, X, 20); 2º) o Ego superior, o Pensador, o homem imortal [o eu individual]; 3º) o Ego inferior [0 Eu pes- soall. O primeiro deles é denominado “o Eu”; o segundo, “Eu superior” e o terceiro, “Eu inferior”, “E agora teu Eu se encontra perdido no Eu; tua mesmo em Ti Mesmo, su- mido n'Aquele Eu, do qual tu emanaste primitivamente.* (A Voz do Silêncio, D) (P. Hoult.) — Há dois Eus no homem: o superior e o inferior; o Eu impessoal e o Eu pessoal, Um é divino € o outro semi-animal. Entre ambos é preciso fazer uma grande distinção (H. P. Blavatsky, Glossário da Chave da Teosofia). O Eu inferior é o Kâma-Manas, o Ego pessoal; num sentido mais amplo, é o Quaternário ou os quatro “Princípios” infe- riores. O Eu supremo é Átmâ em seu veículo Buddhi. (A. Besant e H, Burrows, Pequeno Glossário de Termos Teosóficos) (Ver Ego.)

Eu individual

O Ego superior, aquele que se reencarna, (Ver Eu e Reencarna- ção.)

Eu silencioso

O Eu superior, o sétimo “Princípio”. “Não imagines que quebrando seus ossos e lacerando tuas carnes unir-te-ás ao teu “Eu silencioso'.* (A Voz do Silêncio, ID

Eu Superior ou Supremo

O supremo Espírito divino, que exerce sua influência protetora sobre o homem, À coroa da Tríade espiritual superior no homem, O Eu su- premo é o Ármná, o raio inseparável do Eu Uno e Universal, É o Deus que está acima an- tes que dentro de nós (“Feliz é o homem que consegue saturar d'Ele seu Ego interno” — Chave da Teosofia, 149). — À idéia de que o homem em seu Eu interior é uno com o Eu do Universo (“Eu sou Aquele”) impregna tanto e tão profundamente todo o pensamento hindu que com freqiiência o homem é designado como “a cidade divina de Brahma”, “a cidade de nove portas”, Deus que mora na cavidade de seu coração. No Mândt kyopani- chad, o Eu é descrito como condicionado pelo corpo físico, pelo corpo sutil e pelo corpo mental, e se elevando, depois, acima de todos eles no Unico “sem dualidade”. (A. Besant, Sabedoria Antiga, 16-7)

Eu-deva

O Eu que se reencarna, o Eu individual ou superior, (A Voz do Silêncio, ID

Eucaristia

O mistério da Eucaristia não pertence exclusivamente ao Cristianismo. Godfrey Higgins prova que foi instituído muitas centenas de anos antes da “Ceia Pascal” 180

Eudica (Herm,)

Água mercurial dos filósofos, feita para defender os corpos ter- restres da combustão,

Eurasianos

Abreviação de “europeu-asiático”, A mistura das raças de cor: os fi- lhos de pai branco e mãe de tez escura da Índia, ou vice-versa. Eva (Alg.) — Magistério dos Sábios, quando atingiu o branco.

Evangelistas

Os quatro evangelistas são comumente representados sob o emble- ma de quatro figuras animais: um homem, um leão, um touro e uma águia, as mesmas descritas por São João no Apocalipse: “.. e no meio do trono e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos na frente e atrás, E o primeiro animal (era) semelhante a um leão, € o segundo semelhante a um bezerro, e o terceiro animal que tinha face como a de ho- mem, e o quarto animal semelhante a uma águia voando” (IV, 6, 7), Algumas cruzes da mais remota antiguidade estão adornadas em suas quatro extremidades com os quatro animais evangélicos e também se encontram estas figuras nas bases dos altares, vasos sa- grados, vestimentas sacerdotais de épocas antigas, medalhas, sarcófagos, murais etc, Às opiniões dos Santos Padres (São Jerônimo, Santo Agostinho, Santo Ambrósio) sobre seu significado não concordam entre si; são distintas, para não dizer contraditórias, Todos estes símbolos são muito anteriores ao Cristianismo e podem ser encontrados na Índia, Caldéia e Egito, (Ver (Os) Quatro Ánimais.)

Evapto

Iniciação; o mesmo que Epopteia (ver).

Evestrum

O corpo astral (Doppelgânger) do homem; seu consciente etéreo dupli- cado, que pode velar sobre ele e avisá-lo da proximidade da morte ou de algum outro perigo. Quanto mais ativo e consciente encontra-se o corpo físico em relação às coisas exteriores, mais aturdido encontra-se o corpo astral; o sono do corpo é o despertar do Evesirum, Durante este estado, pode comunicar-se com os Evestra de outras pessoas ou com os dos mortos, Pode afastar-se a certa distância do corpo físico por breve tempo; porém, se sua união com o corpo for rompida, este morre. (EF. Hartmann)

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