É a crença de que os “espíritos” dos mortos voltam à Terra, para se comunicarem com os vivos, seja em virtude de poderes medianímicos de alguém ou gra- ças à intervenção de um médium. Esta crença não é melhor do que aquela da materializa- ção do espírito e da degradação das almas divina e humana, Os que acreditam em tais comunicações simplesmente desonram os mortos e cometem um contínuo sacrilégio, Com razão era chamado de “necromancia” em tempos antigos. Porém, nossos espiritas modernos sentem-se ofendidos quando se lhes diz esta simples verdade, É preciso notar que os ingleses dão geralmente o nome de “Espiritismo” (Spiritism) à escola francesa fundada por Alan Kardec € o nome de “Espiritualismo” (Spiritualism) à escola espírita da 174
À falta de acordo entre os autores a respeito do emprego de tal palavra deu origem a uma tremenda confusão. Geralmente é tomado como sinônimo de abra e.os lexicógrafos apóiam seu uso. Nos ensinamentos teosóficos, a palavra “Espírito” é aplica- da unicamente ao que pertence diretamente à Consciência universal, e que é sua emana- ção homogênea e pura. Assim, a Mente superior do homem, ou seja, seu Ego (Manas), quando unida de modo indissolível ao Buddhi, é um Espírito; enquanto que o termo “Alma” humana ou até animal (o Manas inferior, que atua como instinto nos animais) aplica-se apenas ao Kâma-Manas e é qualificada tle alma vivente. Esta é nephesh, em he- braico, o “alento de vida”. O espírito é uniforme e imaterial e, quando se encontra indi- vidualizado, é da mais elevada substância espiritual. Suddasartva, a essência divina, de que € formado o corpo dos mais elevados Dhyânis que se manifestam, Por conseguinte, os teósofos repelem a denominação de “Espíritos” para aqueles fantasmas que aparecem nas manifestações fenomenais dos espíritas, e dão a tais fantasmas o nome de “cascas”, além de outros. (Ver Sâkchma-Sharira), Em breves palavras, o Espírito não é uma enti- dade no sentido de ter forma, visto que, como declara a filosofia bádica, onde há forma, há causa de dor e sofrimento. Porém cada espírito individual! — entendendo-se que esta individualidade dura apenas todo o ciclo de vida manvantárico — pode ser descrito como um centro de consciência, um centro auto-senciente e autoconsciente; um estado, não um indivíduo condicionado, Isso explica por que há tanta riqueza de palavras em sânscrito para expressar os diferentes estados de Ser, Seres e Entidades, com a particularidade de que cada denominação indica a diferença filosófica no plano a que pertence tal unidade e seu grau de espiritualidade ou materialidade. Infelizmente estes termos são quase intra- duzíveis para nossas línguas ocidentais. [O Espírito (Atman) é uno com o Absoluto, como sua radiação. (Chave da Teosofia) Não deve ser confundido com a Alma. “A Matéria é o veículo para a manifestação da Alma neste plano de existência e a Alma é o veículo, num plano mais elevado, para a manifestação do Espírito, e os três formam uma trindade sin- tetizada pela Vida que impregna a todos.” (Doutrina Secreta, 1, 80) São Paulo estabelece também claramente a distinção entre Alma e Espírito, nas seguintes passagens: “E o Deus de paz santifique-os em tudo, para que vosso espírito e alma e corpo seja guardado inteiro..* Tesalon., V, 23); “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz e mais pene- tranmte' do que toda espada de dois fios e alcança até partir a alma e também o espírito...” (Hebr,, V, 12), Esta distinção pareçe ter sido esquecida por completo em nossos dias. A palavra Espírito, diz F. Hartmann, é usada indistintamente, O que pode dar origem a grande confusão, Em seu verdadeiro significado, Espírito é uma unidade, um poder vivo universal, a origem de toda a vida; porém a palavra espírito e a palavra espíritos são em- pregadas com muita frequência para significar coisas invisíveis, porém apesar disso substanciais, tais como: formas, figuras e essências elementais e elementares, sombras, espectros, aparições, anjos e diabos. Espírito significa vontade consciente e, sob este as- pecto, todas as coisas são expressão de seu próprio espírito, que reside em seu interior; porém o espírito sem organização nem substância não tem individualidade e é como um sopro, Só depois de organizado o espírito como ser substancial dentro de uma forma viva É que pode existir como ser individual, (F. Hartmann)] Espírito (Alg.) — Os filósofos herméticos entendem que o Espírito é uma substância extremamçente tênue, sutil, penetrante, esparsa em todos os mistos e específica em cada 175
Ver Espírito vital. Espírito individual -— Também chamado de Jívátmã. O Eu divino ou superior; uma parte do Espírito Universal individualizada por sua união com alguma forma corpórea, (Ver Bhagavad-Girá, AV, 7)
À terceira Pessoa da Trindade teológica; a energia (Shakti) femi- nina, a essência das três Pessoas. Porém o Espírito Santo dos primitivos cristãos era a di- vina Sabedoria (feminina). Entre os gnósticos era também a divina Sabedoria (Sophia), que é a mãe de Ogdoad (ver). Seu símbolo, entre os cristãos modernos, é uma pomba, porém, se dermos crédito ao que afirma Draper, em seu Desenvolvimento Intelectual da Europa, os cruzados, liderados por Pedro,o Ermitão, levavam à frente de seu exército o Espírito Santo na forma de um anjo branco acompanhado de um bode e, nos Atos dos Apóstolos, é representado sob forma de “língua de fogo”. É o Anima Mundi dos cristãos. Corresponde ao planeta Vênus na trindade astronômica, composta do Sol (o Pai), mer- cúrio (o Filho) e Vênus (o Espírito Santo).
Primitivamente eram os regentes ou governadores dos planetas. Nossa Terra tem sua hierarquia de espíritos planetários terrestres, desde o plano mais elevado até o mais inferior, como a tem qualquer outro corpo celeste. No Ocultismo, contudo, o termo “Espírito Planetário” geralmente é apli- cado apenas às sete hierarquias mais elevadas, correspondentes aos arcanjos dos cristãos. Todos estes passaram por uma etapa da evolução correspondente à humanidade terrestre em outros mundos, em ciclos remotos, Nossa Terra, que ainda está apenas em sua quarta Ronda, é muito jovem ainda para ter produzido Espíritos planetários elevados. O supre- mo Espírito planetário, que rege um Globo qualquer, é na realidade o “Deus pessoal” daquele planeta e é verdadeiramente muito maior sua “providência-diretriz” do que a da contraditória Divindade infinita pessoal do clero moderno. (Ver Dhyân Chohans.)
Na filosofia, é o estado ou condição da mente oposto ao materia- lismo ou à uma concepção material das coisas. À Teosofia, doutrina que ensina que tudo 176
Segundo a mitologia grega, o espirro foi o primeiro sinal de vida dado pelo homem de Prometeu. Quando este deu a última mão na figura de barro, que havia fabricado e da qual queria fazer um homem, ficou muito perplexo. Como lhe dar movi- mento e vida? Nisso implorou o auxílio de Minerva, que o conduziu até o Sol, que era considerado a Alma do Mundo, fonte de vida e pai da Natureza. Protegido pelo manto de Minerva, Prometeu aproximou-se do globo luminoso, levando na mão uma pedrinha de cristal fabricada com este objetivo (o linga-sharíira ou corpo astral, veículo da Vida) e que preencheu sutilmente com uma porção de raios. Depois de tapá-la com cuidado, voltou à Terra. Sem perder um só momento, colocou a pedrinha junto ao nariz de sua estátua, destapou-a e os ralos solares, que não tinham perdido sua eficácia, insinua- ram-se com tanta impetuosidade no cérebro da figura de barro que esta espirrou, Os raios, depois, difundiram-se por toda a massa e conseguiram animá-la,
O décimo Sephira, Malkuth, é denominado pelos cabalistas como “Esposa de Microprosopo”; é a Hé final do Tetragrammaton, do mesmo modo que a Igreja cristã é chamada de “Esposa de Cristo”. (W. W. W.) Espuma do Mar Vermelho (Alg.) - Matéria dos filósofos preparada para a obra, ou minério de seu mercúrio. Flamel foi o primeiro a dar tal nome a este minério. Espuma dos Dois Dragões (Alg.) — É a matéria ao negro,
Geralmente se dá este nome às combinações de matéria for- mada nos três reinos elementares. Esta essência é moldada produzindo formas através de agregação, formas que duram algum tempo e acabam por se desagregarem. À essência elementar existe em centenas de variedades em cada subdivisão do plano astral, Esta vasta atmosfera de essência elementar responde sempre às vibrações causadas pelos pensamentos, sensações e desejos, (A. Besant, Sabedoria Antiga)
Palavra helenizada que vem do hebraico Asa, “curador”, Os essênios constituem uma seita misteriosa de judeus que, segundo Plínio, viveu próxima ao Mar Morto por millia saeculorum(durante milhares de séculos), Alguns supuseram que eram fariseus extremados e outros, o que talvez seja a opinião verdadeira, os descendentes dos Benim-nabim da Bíblia e acham que eram “Kenitas" e Nazaritas. Tinham muitas idéias e práticas budistas; é digno de nota que os sacerdotes da Grande Mãe, em Éfeso, Diana- Bhavani com muitos seios, eram também designados com este nome, Eusébio e, mais tarde, De Quincey, declararam que eram idênticos aos cristãos primitivos, o que é mais provável. O título de “irmão”, usado na Igreja primitiva, era essênio. Constituífam uma fraternidade ou um Koinobion [cenóbio] ou comunidade semelhante à dos primeiros convertidos, (sis sem Véu) De todas as seitas judias — diz o abade Fleury — a dos essênios era a mais singular. Viviam longe das grandes cidades; seus bens eram comuns; sua ali- mentação era muito simples, Dedicavam muito tempo à oração e à meditação, Levavam vida bastante contemplativa e tão perfeita que muitos dos padres da Igreja considera- ram-nos cristãos, Estanho (Alg.) — Metal branco ao qual os químicos deram o nome de Júpiter, filho de Saturno. Em termos de filosofia hermética, é à cor cinza que, durante as operações da obra, sucede imediatamente à cor negra, chamada de “Saturno” ou “Latão”, que ele branqueia. 177