Glossário Teosófico

Eternidade

Abusou-se lamentavelmente desta palavra e em grande número de casos este termo é aplicado de maneira bastante incorreta, Na maioria das vezes, a eter- nidade é apenas relativa e expressa um vastíssimo período de tempo, interminável em comparação com a brevidade de nossa existência terrena e que parece infinito porque nossa inteligência mitada não pode fazer idéia de sua longa duração. À palavra eterni- dade, com a qual os teólogos cristãos interpretam a expressão “para todo o sempre”, não existe na língua hebraica. Oulam — diz Le Clerc — significa um tempo cujo princípio ou fim é desconhecido. Não expressa “duração infinita” e a expressão “para sempre” do Antigo Testamento significa apenas “um longo tempo”. Também nos Purânas a palavra “eternidade” não é empregada no sentido cristão, uma vez que está claramente expresso que os termos “eternidade” e “imortalidade” significam apenas “existência até o fim de um Ralpa” (Doutrina secreta, 1, 339 e fsis sem Véu, 1, 12). Na maior parte das vezes, a palavra “eternidade” deve ser substituída por eon ou evo, no sentido de período de tem- po aparentemente interminável. Nem mesmo ao Níirvâna pode-se aplicar tal palavra, visto que, acima de tão glorioso estado, há outros superiores (Para-nirvâna), que tam- bém têm seu limite na Eternidade Absoluta. Na Doutrina Secreta faz-se menção de “E- ternidades”, entendendo-se por “eternidade” a sétima parte de uma Idade de Brahmãá, ou Maháâákalpa, equivalente à enorme cifra de 311.040,000.000,000 anos solares (Doutrina Secreta, 1, 227). Só se pode chamar de eterno aquilo que nunca teve princípio é nunca terá fim. O símbolo da Eternidade é uma serpente encurvada, formando um círculo, mordendo sua própria cauda, Etrobacia (Aethrobacia) (Gr.) — Literalmente: “andar no ar” ou nele se elevar, sem a intervenção de qualquer agente visível; “levitação”. Pode ser consciente ou in- consciente; no primeiro caso, é magia; no segundo, é uma enfermidade ou poder que re- quer algumas palavras explicativas. Sabemos que a Terra é um corpo magnético; de fato, como descobriram alguns sábios e como afirmou Paracelso há uns trezentos anos atrás, a Terra é um enorme imã. Está carregada de um tipo de eletricidade — digamos positiva — que desenvolve incessantemente, por ação espontânea, em seu interior ou centro de mo- vimento. Os corpos humanos, assim como todas as demais formas de matéria, estão car- regados de eletricidade de carga oposta, negativa. Assim, os corpos orgânicos e inorgâ- nicos, abandonados a si próprios, contínua e involuntariamente desenvolverão um tipo de eletricidade oposta à da Terra e com ela se carregarão. Então, vejamos: o que é o peso? É simplesmente a atração da Terra, “Sem a atração da Terra, não teríamos peso algum — diz o prof, Stewart — e, se tivéssemos uma Terra duas vezes tão pesada quanto à nossa, experimentaríamos uma atração duas vezes maior.” Como podemos, pois, nos livrarmos dessa atração? Segundo a lei elétrica exposta anteriormente, há uma atração entre o 179

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