Glossário Teosófico

Consulte um termo

Verbetes: C

Ceromancia (do grego keros, cera, e manteia, adivinhação)

Adivinhação através da cera, muito em uso pelos antigos gregos. Para este fim, deixavam cair, numa vasilha com água, algumas gotas de cera derretida que, ao esfriar, formavam figuras diversas, das quais se retiravam, segundo a forma, bons ou maus augários.

Cerus ou Caerus

Os antigos pagãos fizeram uma divindade daquele momento fa- vorável para ter bom êxito numa empresa, aquele instante fugitivo que denominamos ocasião, Tal nome deriva, talvez, do latim serus (tardio), porque o tão esperado momento chega sempre tarde para a medida de nossos desejos. Sobre este deus imaginaram-se as mais belas alegorias, Comumente, é representado pela figura de um jovem que tem na mão uma navalha e cuja cabeleira em desordem é agitada pelo vento; porém a pintura mais engenhosa dessa divindade é aquela encontrada em uma das fábulas de Fedro (A Ocasião Pintada, liv. V, fáb, VIID. Nela, Cerus é representado nu, com asas nos pés e à cabeça calva, exceto na parte da frente, onde possui uma mecha de cabelos, através da qual é preciso segurá-lo com rapidez, durante sua corrida veloz, para não o deixar esca- par, pois do contrário foge ce some rapidamente de vista, Tal pintura explica estas duas expressões populares, aparentemente contraditórias: “A ocasião é calva” e “É preciso agarrar à ocasião pelos cabelos”,

César (Caesar)

Astrólogo de grande renome e “professor de magia”, isto é, ocul- tista, durante o reinado de Henrique IV da França. “É crença comum que foi estrangula- do pelo Diabo, em 1611”, como nos faz saber o Irmão Kenneth Mackenzie.

Ceugant (Celt)

“Círculo do vazio”, de ceu (vazio, infinito) e cant (círculo). Na divisão dos três mundos, círculos ou esferas de existência, é a região inacessível, de onde a teologia druídica abstrai a Existência pura, sem modos, sem fenômenos, o Absoluto, o Parabrahm da Vedanta, o Ensoph da Cabala; numa só palavra, Deus. Por círculo é preciso entender aqui, com os druidas, muito antes de São Boaventura e Pascal, “um cfr- culo infinito, cujo centro está em todas as partes e a circunferência em nenhuma” (Cupus centrum est ubique et circumferentia nusquam), O que explica admiravelmente a onipre- sença e a infinitude divinas, (E. Bailly)

Céus

São as regiões ou mundos de felicidade para onde vão, ao morrer, as almas dos justos, segundo o grau de seus méritos, Estes céus são, em ordem descendente: 1º) Brahmaloka, mundo de Brahma ou das divindades superiores; 2º) Pitriloka, mundo dos Pitris, Richis é Prajâpatis; 3º) Somaloka, mundo dos Pitris lunares; 49) Indraloka, mundo de Indra ou das divindades inferiores e 59) Gandharvaloka, mundo dos músicos celestes. (Ver Campos Felizes, Campos Elíseos etc.)

CH

No alfabeto sânscrito há três letras que soam de modo mais ou menos pareci- do com ch: 1º) uma que se pronuncia como tch; 2º) outra cuja pronúncia é semelhante ao nosso ch, como em machucar; e 3º) outra que equivale a chh e que se pronuncia como tch, mas com aspiração suave, 104

Chabrat Zereh Aur Bokher (febr,)

Uma ordem da Sociedade Rosacruz, cujos membros estudam a Cabala e as ciências herméticas, Admite ambos 08 sexos e tem mui- tos graus de instrução. Os membros reúnem-se secretamente e também a existência da ordem é geralmenie desconhecida, (W. W. W.) Chad (Sânsc.) — Tem significado idêntico a chat (ver), embora, por eufonia, o t seja substituído pelo d. Chadanga (Sânsec.) — Às seis partes do corpo (cabeça, tronco, braços e pernas). Os seis angas ou suplementos do Veda, Chadâyatana (Sânsc.) — Literalmente, as seis moradas ou portas existentes no ho- mem para a recepção das sensações, Assim, no plano físico, os olhos, o nariz, a língua, o tato, 05 ouvidos e a mente, como produto do cérebro físico. No plano mental (esoterica- mente), a visão, o olfato, a audição, o paladar e a percepção espirituais, tudo isso sinteti- zado pelo elemento Buddhi-âtmico. Chadâvatana é um dos doze nidânas, que formam a cadeia de causa e efeito incessante. Chaddarzanâni (Sânsc.) — Os seis darzanas ou sistemas filosóficos da Índia, (Ver Darzanas.) Chadurmayã (Sânsc.) — Literalmente; “as seis ondas”, Os seis inimigos internos, que precisam ser vencidos antes de se alcançar a libertação, a saber: a luxúria, a ira, a co- biça, a ofuscação (moha), o orgulho e a inveja. (Bhagavân Dãs, A Ciência das Emoções) Chaia (Alq.) — Matéria dos filósofos obtida à cor branca. Chaitanya (Sânsc.) — Fundador de uma seita mística da Índia. Um sábio relativa- mente moderno que, segundo se crê, é um avatar de Krishna, [Chaitanya: Inteligência, consciência, mente, pensamento, alma pensante, luz do Espírito.) Chaitra (Sânsc.) — Um mês Junar do calendário hindu, que corresponde a março- abril e outras vezes a fevereiro-março. Um religioso mendicante, Chaitya (Tchaitya) (Sánsc.) — Qualquer lugar que se tenha tornado sagrado em virtude de algum fato da vida de Buda. Esta palavra significa a mesma coisa em relação aos deuses, e também qualquer local ou. objeto de culto. Chakchas (Sânsc.) — Instrutor ou mestre espiritual, Sobrenome de Brihaspati, como perceptor dos deuses, Chákechucha (Sáânse.) — “Visível”. Nome do sexto Manu.

Chakchur (Tchakchur)

Ver Chakchus. Chakchus ou Tchakcehus (Sânsc.) — Olho. Daí, Loka-chakchus, "o olho do mun- do”, que é um título do Sol. [Chakchus é também a modificação ocular do Prâna. (Râma Prasãd) Em outro verbete deste glossário, H. P. Blavatsky diz: “Tchakchus; o primeiro vidjiana (ver). Literalmente: “o olho”, no sentido da faculdade da visão ou, melhor di- zendo, uma percepção oculta das realidades espirituais e subjetivas. (Chakchur)]

Chakna-padma-karpo (Tib)

“O que tem o lótus”, Qualificativo aplicado a Chenresi, o Bodhisattva. Não é um termo verdadeiramente tibetano, mas semi-sânserito, Chakra ou Tchakra (Sânsc.) — Uma roda, um disco ou o círculo de Vishnu, em geral. Esta palavra também é utilizada para expressar um ciclo de tempo e tem outros 105

Chama

À Alma das coisas. Este é um dos termos tomados pelos filósofos do Fo- go para facilitar a compreensão de certos símbolos e termos arcaicos. (Ver Doutrina Se- creta, 1, 110,)

Chama de três línguas

Esta chama, que nunca se extingue, é a Trfade espiritual que não perece: Ágmá, Buddhi e Manas, ou melhor dizendo, o fruto deste último princf- pio assimilado pelos dois primeiros, após cada vida terrestre. Os quatro pavios desta chama constituem o Quaternário, ou seja, os quatro princípios inferiores, mortais, inclu- sive o corpo físico. (Doutrina Secreta, 1, 257)

Chama Santa

Chama Santa ou sagrada é o nome que os cabalistas asiáticos vrientais (semitas) dão à Anima Mundi ou “Alma do Mundo”. Os Iniciados eram conhe- vidos pelo nome de “Filhos da Chama Santa”,

Chamas

São uma Hierarquia de Espíritos semelhamoes, senão idênticos, aos ar- dentes Serafins mencionados por Isafas (VI, 2-6), aqueles que, segundo a teogonia he- braica, estão em presença do “Trono do Onipotente”. Nas obras exotéricas, o nome Chamas é dado indistintamente a Prajâpatis, Pitríis, Manus, Asuras, Richis, Kumâáras etc. Na Doutrina Esotérica, recebem o nome de Asuras, Asura-devatã ou Pitar-devatá (deu- ses), porque, como se disse, foram inicialmente Deuses — e os mais elevados — antes de se converterem em “não-Deuses”, e Espíritos do Céu descidos a Espíritos da Terra — exote- rica. nte, entenda-se bem, no dogma ortodoxo. (Doutrina Secreta, 11, 258)

Chamas divinas

Constituem a primeira das Hierarquias criadoras (ver). Chambar (Alg.) - Magnésio filosófico. Chambelech (Alg.)— Elixir. Chafichala (Sánsc.) — Inconstante, volúvel, vacilante, inseguro. Chafichalatva (Sânsc.,) — Inconstância, volubilidade, instabilidade, vacilação. Chandâ ou Chandi (Sânsc.) — Epíteto da deusa Durgã. Chandâla (Chhandâla ou Tcehandâla) (Sânsc.) — Os chandálas são párias ou gente sem casta, Este nome é dado atualmente a tudas as classes inferiores de hindus; porém, 106

Chandf

Ver Chandãâ. Chandra (Sânsc.) — À Lua é também uma divindade ou personificação da mesma. Os termos Chandra e Soma são sinônimos. O alento esquerdo (Ráâma Prasâãd). Segundo diz uma lenda do Padma Purâna, Chandra, esposo das vinte e sete filhas de Dakcha, dei- xava-as de lado por Rohini, sua favorita, Às irmãs de Rohiní, zelosas de tal preferência, queixaram-se a seu pal, que várias vezes repreendeu seu genro, reprovando sua conduta, Porém, vendo que suas admoestações eram inúteis, condenou-o através de uma maldi- ção, à ficar sem filhos e a viver preso da languidez e consunção, Suas mulheres implora- ram, a seu favor, a compaixão de Dakcha, que suavizou a maldição, pois não podia revo- gá-la totalmente, e ordenou que sua languiídez, ao invés de contínua, fosse apenas perió- dica. Essa é a origem do minguante e crescente sucessivos da Lua. Chandradârâs (Sânsc.) — Os vinte e sete asterismos ou mansões lunares e as vinte e sete ninfas, filhas de Dakcha e esposas de Chandra, que são sua personificação, Poste- riormente admitiram-se vinte e oito asterismos (mansões celestes atravessadas pela Lua em seu curso mensal), Ver Chandra e Nakchatras. Chandragupta (Tehandragupta) (Sânsc.) — Primeiro rei budista da Índia, avô de Azoka; o Sandracoto (Sandracottus ou Sandrocyptus) de todos os incompetentes escri- tores gregos, que foram à Índia no tempo de Alexandre. (Ver Azoka.) No verbete Tchandragupta desta obra, sua autora acrescenta: Tchandragupta ou Chandragupta (Sânsc.). Filho de Nanda, primeiro rei budista da dinastia Morya, avô do rei Azoka, “o amado dos deuses” (Piyadasi). Chandra- Kânta (Sânsc.) — “Pedra da Lua”. Pedra preciosa que se pretendia fosse formada pela congelação dos raios da Lua, que lhe comunicava propriedades mágicas e ocultas. Quando aplicada em ambas as fontes, tem uma influência bastante refrigerante, nos casos de febre, Esta palavra significa também “lótus branco”, Ver Chandramani e Chandropala, Chandra-loka (Sânsc.) — O mundo ou esfera lunar, Chandramânam (Sânsc.) — O método de calcular o tempo através dos movimentos da Lua, Chandramani (Sânsc.) — Ver Chandra-kânta. Chandramas (Sânsc. — à Lua ou o deus da Lua, Chandramãâsa (Sânsc.) — Um mês lunar. Chandra-vansa (Sânsc.) — “À raça lunar”, em contraposição a Sárya-vansa, à “ra- ça solar”. Alguns orientalistas acham que é uma inconsegliência dizer que Krishna, que pertencia à raça lunar (por descender do ramo de Yadu), era um avatar de Vishnu, que é uma manifestação da energia solar, no Rig-Veda, obra de autoridade não sobrepujada entre os brâhmanes, Isso manifesta, contudo, o profundo significado oculto do Avatar, 107

Chaos

Ver Caos. Chara (Sânsc.) — Móvel, animado. Charaka (Sânsc.) — Celebérrimo escritor de medicina, que floresceu nos tempos védicos, Acredita-se que era uma encarnação favatara) da serpente Sesha, isto é, uma personificação da sabedoria divina, pois Sesha-Naga, rei da raça das “serpentes”, é sinô- nimo de Ananta, a Serpente de sete cabeças, sobre a qual dorme Vishnu, durante o pra- laya. Ananta é o “infinito” e o símbolo da eternidade e, como tal, é uno com o Espaço, enquanto Sesha somente é periódica em suas manifestações. Daf é que, enquanto Vishnu identifica-se com A nanta, Charaka é tão-somente o avatar de Sesha, (Ver Ananta e Se- sha.) [Charaka é também o nome de uma das principais escolas de Yajus negro, uma das divisões do Yajur- Veda.) Charana (Sânse.) -- Uma sociedade ou escola védica, Châranas (Sânsc.) — Os panegiristas dos deuses, Charati-manasi (Sânsc.) — O que reside e se move na mente, 108

Charnock, Tomás

Famoso alquimista do séc, X VI; um cirurgião que vivia e exer- cia sua profissão próximo a Salisbury, estudando a arte em alguns claustros vizinhos, com um sacerdote, Diz-se que foi Iniciado no segredo final da transmutação pelo célebre místico G. Bird, que “havia sido prior de Bath e custeou os gastos de restauração da igreja da abadia com o ouro que preparou através dos elixires vermelho e branco”, (Ro- yal Mas. Cycl.) Charnock escreveu seu Breviário de Filosofia no ano de 1557,e 0 Enig- ma da Alquimia, em 1574,

Charon (Gr)

Ver Caronte, Châru (Sânsc.) — Belo, formoso, gracioso, Chârvâka (Sânsc.) — Existiram dois famosos personagens com este nome. Um deles era um Rákchasa (demônio), que se disfarçou de brâhmane e entrou em Hastinâpura; porém os brâhmanes descobriram-no e reduziram Chârvâka a cinzas, com o fogo de seus olhos — isto é, magneticamente, através daquilo que, no Ocultismo se denomina “olhar negro” ou mau-olho, O outro era um materialista atroz, que negava tudo, exceto à ma- téria, e que, se pudesse retornar à vida, deixaria envergonhados todos os livre-pensado- res e os agnósticos de nossos dias. Viveu no período ramayânico, porém sua escola e seus ensinamentos sobreviveram até hoje e têm ainda partidários, que se encontram princi- palmente em Bengala. A escola de Chârvâka, atéia e materialista, só reconhece os ele- mentos ou princípios terra, água, fogo e ar, que se combinam entre si, formando o corpo humano e produzindo a inteligência e a sensibilidade, da mesma forma que o poder em- briagante se desenvolve pelo efeito da mistura de certos ingredientes. À alma, pois, não existe independentemente do corpo, mas forma com ele uma única coisa, As Escrituras, segundo tal escola, não têm qualquer autoridade; não há outra vida além da presente e o supremo fim da existência é gozar todos os prazeres possíveis,

Círculo de leitura

Receba novos textos e percursos de estudo.