Irmã de Saturno e deusa das riquezas (opes, em latim), fertilidade e abundân- cia. Idêntica a Cibeles, Rhea e até à Terra, já que desta procedem todas as riquezas, Or ou Our (Cald.) — Fogo puro, luz não criada, esplendor eterno, sob cuja imagem os caldeus representavam a Divindade,
Um dos principais elementos das religiões exotéricas, Se lermos e medi- tarmos bem nas seguintes palavras de São Mateus, encontraremos nelas a norma fiel que nos guiará na oração: “Mas tu, quando orares, entra em tua câmara e, com à porta fe- chada, ora a teu Pai que está em segredo e teu Pai, que vê em segredo, recompensar-te-á em público... Não vos assemelheis a eles (aos gentios), porque vosso Pai sabe o que que- reis antes que o peçais” (VI, 6-8), O significado desta passagem é que, uma vez concen- trados em nós mesmos e fechadas as portas dos sentidos a todo tipo de impressões exte- riores, fixemos nosso pensamento no Espírito de Deus, que mora no sacrário de nosso coração, em nosso Eu interno, único Deus que podemos conhecer, procurando com es- forço perseverante elevar-nos a Ele e trabalhar sempre de acordo com Sua vontade, com o desígnio divino. Assim, pois, o verdadeiro teósofo, ao invés de orar diante de seres criados e finitos e de dirigir suas preces ao Absoluto, que é pura abstração, trata de substituir a oração, vã e estéril, por atos meritórios e boas ações, completamente alheias à todo interesse pessoal, tanto no que se refere à vida atual como à futura. À oração, tal como geralmente é entendida, paralisa a atividade e destrói no homem a confiança em si mesmo. Por outro lado, se uma pessoa consegue um bem moral ou material apenas por dirigir um pedido a um Deus ou à um santo, de que recompensa é merecedor? Além disso, para que pedirmos, pobres ignorantes que somos, graças e dons a uma Divindade onisciente que, como tal, sabe muito melhor que nós todas as nossas necessidades? Esta reflexão tem um peso ainda maior se levarmos em conta que, na maioria das vezes, a oração obedece a interesses puramente egoístas, visto que pedimos com afã favores pessoais, que resultam em dano a nós mesmos ou em grave prejuízo ao nosso próximo, Eis em que termos se expressa Leadbeater sobre este ponto: “Sinto ainda, como teósofo, o que sempre senti como sacerdote da Igreja cristã: que pedir a Deus em favor de si pró-. prio ou para obter alguma coisa pessoal, implica falta de fé nº Ele, pois indica claramente que Deus precisa que lhe digam o que convém a seus filhos, Jamais me senti tão seguro do que mais me convinha, de que como poderia eu acreditar na disposição de ordenar al- £o ào supremo Governador de céus e Terra, Sempre me pareceu que Ele sabia muito melhor do que eu, e que, sendo Pai amoroso, já fazia por mim o que poderia ser feito, sem qualquer necessidade de súplicas, com tanto mais razão quanto meus pedidos pu- dessem ser provavelmente encaminhados para a obtenção de um desejo que de modo al- gum me conviesse"”. (Ver “Inspiração”, por Leadbeater, no Lótus branco de julho e agosto de 1917.) Além disso, supondo que alguém reze suas orações com verdadeira de- voção e não de modo rotineiro e com ânimo distraído (que é o mais comum), a imensa
Contestações dadas pelas divindades, pela boca das pitonisas e dos sa- cerdotes do paganismo, às consultas feitas diante de seus ídolos. Também se dava o nome de oráculo a uma figura ou imagem que representava a divindade cujas respostas eram pedidas. O mais famoso dos oráculos era o de Delfos; também eram renomados os de Claros, Ammon, Serapis, Heliópolis e alguns outros. Hanse foi atribuído por alguns ao diabo. Porfírio, Jâmblico e outros filósofos platônicos admitiam que os oráculos eram expressados por “demônios”, palavra que os antigos cristãos tomaram no sentido de “diabo” e não naquele de “gênio” ou “divindade”, como deve ser entendido. (Ver Dai- mon.) Outros opinam que os oráculos não passam de fraudes hábeis, das quais parece que não poucas foram comprovadas, (Ver Dicionário Filosófico, verbete Oracles.) À maior parte dos oráculos tinha um caráter equívoco ou de ambiguidade, de modo que, por seu duplo sentido, podiam ser interpretados de diversas maneiras, segundo foi demonstrado em numerosos exemplos da História Antiga, como o expresso no seguinte verso latino: Credo equidem Eacidas Romanos vincere pósse, que tanto podia significar que os roma- nos podiam vencer aos cácidos, como estes podiam vencer aos romanos. Não se deve confundir estes oráculos com as predições que, durante o “furor profético”, são feitas por algumas pessoas dotadas de alto grau de espiritualidade. (Ver Chrestos.) Orai (Gr.) — Nome do anjo regente de Vênus, segundo os gnósticos egípcios.
Aquele que estuda os diversos ramos da ciência oculta. Este termo é empregado pelos cabalistas franceses (ver as obras de Eliphas Levi), O ocultismo abran- ge todo o campo dos fenômenos psicológicos, fisiológicos, cósmicos, físicos e espirituais. A palavra ocultismo deriva da palavra latina occultus (oculto ou secreto) e se aplica ao estudo da Cabala, da Astrologia, Alquimia e todas as ciências arcanas em geral, [O Glossário da Chave da Teosofia define o ocultista nos seguintes termos: “Aquele que pratica-o Ocultismo; um Adepto das ciências secretas”, Porém este nome é aplicado fre- qientemente ao simples estudante de tais ciências.]|
Este nome era utilizado para designar as diversas provas do fogo, do ferro candente, da Água em ebulição ou fria, do duelo e outras provas usadas na Idade Média para provar à verdade de alguma coisa ou a inocência de uma pessoa. Tais provas eram comumente chamadas de “Juízos de Deus”, Ordraerer ou Odreyer (Esc.) - Um cubo onde foi lançado o sangue de Qvaser, que É a pocsia,
Literalmente, “enegrecido”. À mitologia fá-lo filho de Eagro e da musa Calfope, A tradição esotérica identifica-o com Arjuna, filho de Indra [misticamente] e discípulo de Krishna, Percorreu o mundo ensinando às nações a sabe- doria e as ciências e estabelecendo mistérios. A própria história de Orfeu ter perdido sua esposa Eurídice e de a encontrar no Hades, no mundo inferior, é outro dos pontos de semelhança com a história de Arjuna, que vai ao Párála (Hades ou inferno, porém, na realidade, aos antípodas ou América) onde encontra Ulápi, filha do rei Nâga e com ela se casa. Isso é tão significativo como o fato de Orfeu ter a pele de cor enegrecida ou escu- ra, como acreditavam os próprios gregos, que nunca tiveram uma tez muito bonita. [Sa- bemos, por Heródoto, que Orfeu levou os mistérios à India, que, segundo a ciência ofi- cial, são anteriores aos caldeus e egípcios. Sabe-se que, no tempo de Pausânias, havia uma família sacerdotal que, da mesma forma que os brâhmanes com os Vedas, confiavam à memória todos os Hinos Órficos, que dessa maneira eram transmitidos de geração a geração. (Doutrina Secreta, 11, 297) Músico consumado, cultivou a cítara, que recebeu dos deuses, e acrescentou duas cordas às sete que possufa anteriormente; tinha tal destre- za em tocar a lira, que com seus acordes amansava as feras. Levou vida extremamente pura e abstinha-se de ingerir carne e outros alimentos de origem animal. (Ver Mistérios rficos.) É digno de nota o fato de que nos monumentos cristãos primitivos encontra-se algumas vezes, em meio aos profetas da Bíblia e santos da nova Lei, a figura de Orfeu rodeada de animais ferozes e domésticos atraídos pelo som de sua lira, Isso se relaciona com o fato de que, nos primeiros séculos do cristianismo, o insigne cantor da Trácia era objeto de uma singular veneração e até de uma espécie de culto por parte dos próprios santos Padres da Igreja, (Martigny, Dict. des antiq. Chrét.)) OÔrgelmir (Esc.) -- Literalmente, “barro fervente”. O mesmo que Ymir, o gigante; ser errático, indômito, turbulento; símbolo da matéria primordial, de cujo corpo, depois de tê-lo morto, os filhos de Bôr criaram uma nova Terra, Ôrgelmir é também a causa do Dilóvio nos Cantos escandinavos, por ter arrojado seu corpo no Ginnungapap, o abismo aberto, que, tendo sido preenchido por ele, transbordou o sangue, produzindo uma gran- de inundação, na qual se afogaram todos os Hrimthurses, os gigantes de gelo; apenas um deles, o astuto Bergelmir, salvou-se juntamente com sua esposa em um barco e se tornou O pai de uma nova raça de gigantes: “E havia gigantes na Terra naqueles dias”,
Certos regulamentos que, segundo se crê, remontam à própria origem da Igreja Cristã e foram inseridos nas Constituições Apostólicas. Prescreviam que as igrejas fossem dispostas de maneira que a porta estivesse voltada para o ocidente e que a ábside apresentasse sua convexidade voltada para o oriente; assim os fiéis, ao orarem, teriam seu rosto voltado para o oriente, Esta regra foi abolida desde os primeiros séculos e, segundo se diz, para se conservar pelo menos o espírito do uso primitivo, nas igrejas orientadas: ao inverso, o altar era disposto de maneira que o celebrante tivesse o rosto voltado para o povo e, portanto, para o oriente, (Ver. Martigny, Dict, des Antiq. Chrét,, p. 544,)
Célebre doutor da Igreja, que nasceu no final do séc. 11, provavelmente na Africa [Alexandria] e sobre o qual sabe-se muito pouco, se é que realmente se sabe alguma coisa dele, uma vez que seus fragmentos biográficos, em idades posteriores, passaram pela autoridade de Eusébio, o mais desenfreado falsificador que já existiu. À ele se atribui o fato de ter colecionado mais de cem cartas de Orfgenes (ou Orígenes Adamancio) que, segundo se diz agora, foram perdidas. Para os teósofos, a mais inte- 443
Corruptela do nome Ormuzd. Ormuzd ou Ahura Mazda (Zend.) — O deus dos zoroastrianos ou parses modernos. É simbolizado pelo Sol, pois é a Luz de todas as luzes. Esotericamente, é a síntese de seus seis Amshaspends ou Elohim e o Logos criador. No sistema masdefsta exotérico, Ahura-Mazd é o Deus supremo e uno com o Deus supremo da idade védica, Varuna, se lermos os Vedas literalmente. [Ormuzd significa literalmente: “Grande Rei” ou, segundo Burnouf, “Mestre Sábio”. É o Princípio do Bem, em contraposição a Ahriman, sua som- bra, que é o Princípio do Mal. Por corruptela, o nome de Ormuzd foi transformado em Oromazes ou Oromasio. (Ver Ahura Mazda e Ahriman.)
Modo de predizer acontecimentos futuros através do vôo, grito ou canto das aves, ; Ornitoscopia — Adivinhação pelo vôo, canto ou presença de certas aves. (M. Tre- viRO) Oromazes, Oromasio, Ormasio etc. — Ver Ormuzd, Orodazeschté (Zend.) — O fogo que está no homem; a vida da alma. Um Ferouer. íZend Avesta)
Burnouf define a palavra orto- doxia nos seguintes termos: “Um conjunto de idéias, símbolos e ritos ligados a uma or- ganização sacerdotal mais ou menos completa; porém - acrescenta o autor - esta palavra implica ao mesmo tempo à exclusão de toda doutrina, de todo culto e de todo sacerdócio estranhos; cada ortodoxia acredita que é a única boa e a única verdadeira. Quase não há nenhuma igreja para a qual a intolerância assim entendida não tenha sido um princípio fundamental e uma condição de existência, Algumas igrejas budistas professam certa to- lerância em relação às demais comunhões; porém, se o sacerdócio budista serviu de tipo e modelo para outras organizações clericais, as doutrinas do Budismo, seus ritos e seus símbolos são tão filosóficos e sua moral é tão humana que, de todas as religiões, é talvez a única que não levou ao mundo nenhum elemento ideal de hostilidade. (Emilio Burnouf, A Ciência das Religiões)
O deus supremo do Egito; filho de Seb (Saturno), fogo celeste, e de Neith, matéria primordial e espaço infinito. Isso o apresenta como o Deus existente por si mes- mo e autocriado, à primeira divindade manifestada (nosso terceiro Logos), idêntico a Ahura Mazda e a outras “Primeiras Causas”, Assim como Ahura Mazda é uno com os Amshaspends, ou a síntese deles, Osfris, a Unidade Coletiva, quando diferenciada e per- 444
Um monte assim chamado, à tumba dos gigantes (alegoricamente). [Este monte da Grécia Antiga está separado do Olimpo pelo rio Peneu e o vale de Tem- pe. Seu nome moderno é Kiovo,]