Glossário Teosófico
Orfeu (Orpheus, em grego)
Literalmente, “enegrecido”. À mitologia fá-lo filho de Eagro e da musa Calfope, A tradição esotérica identifica-o com Arjuna, filho de Indra [misticamente] e discípulo de Krishna, Percorreu o mundo ensinando às nações a sabe- doria e as ciências e estabelecendo mistérios. A própria história de Orfeu ter perdido sua esposa Eurídice e de a encontrar no Hades, no mundo inferior, é outro dos pontos de semelhança com a história de Arjuna, que vai ao Párála (Hades ou inferno, porém, na realidade, aos antípodas ou América) onde encontra Ulápi, filha do rei Nâga e com ela se casa. Isso é tão significativo como o fato de Orfeu ter a pele de cor enegrecida ou escu- ra, como acreditavam os próprios gregos, que nunca tiveram uma tez muito bonita. [Sa- bemos, por Heródoto, que Orfeu levou os mistérios à India, que, segundo a ciência ofi- cial, são anteriores aos caldeus e egípcios. Sabe-se que, no tempo de Pausânias, havia uma família sacerdotal que, da mesma forma que os brâhmanes com os Vedas, confiavam à memória todos os Hinos Órficos, que dessa maneira eram transmitidos de geração a geração. (Doutrina Secreta, 11, 297) Músico consumado, cultivou a cítara, que recebeu dos deuses, e acrescentou duas cordas às sete que possufa anteriormente; tinha tal destre- za em tocar a lira, que com seus acordes amansava as feras. Levou vida extremamente pura e abstinha-se de ingerir carne e outros alimentos de origem animal. (Ver Mistérios rficos.) É digno de nota o fato de que nos monumentos cristãos primitivos encontra-se algumas vezes, em meio aos profetas da Bíblia e santos da nova Lei, a figura de Orfeu rodeada de animais ferozes e domésticos atraídos pelo som de sua lira, Isso se relaciona com o fato de que, nos primeiros séculos do cristianismo, o insigne cantor da Trácia era objeto de uma singular veneração e até de uma espécie de culto por parte dos próprios santos Padres da Igreja, (Martigny, Dict. des antiq. Chrét.)) OÔrgelmir (Esc.) -- Literalmente, “barro fervente”. O mesmo que Ymir, o gigante; ser errático, indômito, turbulento; símbolo da matéria primordial, de cujo corpo, depois de tê-lo morto, os filhos de Bôr criaram uma nova Terra, Ôrgelmir é também a causa do Dilóvio nos Cantos escandinavos, por ter arrojado seu corpo no Ginnungapap, o abismo aberto, que, tendo sido preenchido por ele, transbordou o sangue, produzindo uma gran- de inundação, na qual se afogaram todos os Hrimthurses, os gigantes de gelo; apenas um deles, o astuto Bergelmir, salvou-se juntamente com sua esposa em um barco e se tornou O pai de uma nova raça de gigantes: “E havia gigantes na Terra naqueles dias”,