Glossário Teosófico

Consulte um termo

Verbetes: C

Cremer, John

Sábio eminente que pelo espaço de cerca de trinta anos, e sendo abade de Westminster, estudou a filosofia hermética em busca de seus segredos práticos. Ao fazer uma viagem pela Itália, encontrou o célebre Raimundo Lully, a quem fez ir com ele para a Inglaterra. Lully revelou a Cremer os segredos da pedra, e por este servi- ço o mosteiro passou a rezar por ele todos os dias. Cremer, diz a Enciclopédia Maçônica, “tendo obtido um profundo conhecimento dos segredos da Alquimia, chegou a ser um dos mais célebres e instruídos Adeptos na filosofia oculta... viveu até idade muito avan- çada e morreu durante o reinado de Eduardo HI,

Criação

Sendo a matéria incriada, eterna e indestrutível, por mais que suas for- mas sejam cambiantes e passageiras, a Teosofia sustenta, de acordo com o antigo apóte- ma ex nihilo niíhil (do nada, nada sai), que o mundo não foi feito do nada e que, portanto, não É uma criação, no verdadeiro sentido da palavra, mas uma emanação da natureza material da Divindade e que nesta mesma natureza material se resolve, quando o mundo chega a seu fim. Por outro lado, não há, na língua sânscrita, qualquer palavra que ex- presse a idéia de criação, no sentido de se produzir algo do nada ou dar forma àquilo que antes não a tinha. (Ver Bhagavad-Gfrá, XIII 19; VIII 18 e IX, 7 e 8.) Criação bhúta -- Ver Bhúta-sarga.

Criação Kaumâra

No Vishnu Purâna É a nona criação: a dos Kuwnáras, isto É, daqueles que se negaram a engendrar, (P. Houtt)

Criação pâdma

Metáfora hindu para uma das duas grandes criações brâhmicas, representando uma metade da existência manifestada: “a idade em que Brahmãâ surgiu do lótus”. (Ver Criações prâkritas.) (P. Hoult)

Criações prâkritas

“Criações originais”. Às três primeiras criações de que nos falam os Purânas, isto é, as de Mahat-tattvas, Tanmâtira ou Bhúta e Indriva. (P. Hoult)

Cripta

Um subterrâneo secreto abobadado, Algumas criptas eram destinadas à Iniciação e outras para a sepultura. Antigamente havia criptas sob cada templo. Havia uma sob o Monte Olivete, revestida de estuque vermelho e lavrada, antes da chegada dos judeus, Crismon ou Chrismon (Gr.) — Monograma de Cristo, formado pela combinação de um X e um P (equivalente ao nosso R) entrelaçados, primeiras letras da palavra grega Christos. Este monograma, ao qual se acrescentam algumas vezes 0 4 € o 1 nos ân- gulos laterais do X, encontra-se pintado ou esculpido em um grande número de monu- mentos

Cristãos de São Tomás

Antigos cristãos das Índias Orientais, que pretendem descender daqueles que foram convertidos por São Tomás e sustentam que guardaram a verdadeira doutrina pregada pelo Apóstolo. Estes cristãos constituem a seita de Nestório e estão submetidos ao patriarca da Babilônia. Rechaçam o culto das imagens e seus ritos diferem consideravelmente daqueles da Igreja latina.

Cristo

Do grego Chrestos, forma gnóstica primitiva de Cristo, Foi usada no V sé- culo a.C. por Ésquilo, Heródoto e outros, O Manteuma pythochresta, Ou seja, 08 “orácu- los proferidos por um deus pítico”, através de uma pitonisa, são mencionados pelo pri- meiro autor citado (Choeph, 901), Chrésterion não é somente “o lugar de um oráculo”, mas também uma oferenda para ou pelo oráculo. Chréstés é aquele que explica oráculos, “um profeta e adivinho”, e Chrésterios € aquele que serve a um oráculo ou deus, O pri- meiro escritor cristão, Justino mártir, em sua primeira Apologia, denomina Chrétianos os seus correligionários, “Deve-se somente à ignorância o fato de os homens se intitularem cristãos ao invés de chréstianos”, diz Lactâncio (iv, IV, cap, VID, Os termos Cristo e Cristãos, que originalmente eram escritos como Chrést e Chrétianos, foram copiados do Templo dos pagãos. Chréstos significava, em tal vocabulário, um discípulo posto à prova, um candidato à dignidade de hierofante. Quando o aspirante alcançava, através da Iniciação, grandes provas e sofrimentos, e havia sido ungido (isto é, “friccionado com óleo”, como o eram os Iniciados e também as imagens dos deuses — ídolos —, como um último toque da prática cerimonial), seu nome era transformado em Christos, o “purifi- cado”, na linguagem do mistério ou esotérica, Na simbologia mística, realmente, Christés ou Christos significava que já se havia percorrido o “caminho”, o Sendeiro, e alcançado a meta; quando os frutos de um árduo trabalho para unir a efêmera personalidade de barro com a Individualidade indestrutível transformavam-na, assim, no Ego imortal. “Ao fim do caminho está o Chéstés”, o Purificador, e, uma vez terminada a união, o Chréstos, o “homem de dor”, convertia-se em Christos, Paulo, o Iniciado, sabia disso e foi precisamente isso o que quer expressar quando diz, em má tradução: “Estou outra vez em dores de parto até que Cristo tenha-se formado em vós” (Gálatas, IV, 19), cuja verdadeira interpretação € “.. até que formeis o Christos dentro de vós mesmos”. Porém os profanos, que sabiam apenas que Chréstés estava de algum modo relacionado com o sacerdote e o profeta e nada sabiam sobre o significado oculto de Christos, insistiram, como Lactâncio e Justino, em ser chamados Chrestianos ao invés de Christãos. Toda 123

Cruz

Mariette Bey demonstrou a antiguidade da Cruz no Egito, provando que, em todos os sepuleros primitivos, “o plano da peça tem a forma de uma cruz". É símbolo da fraternidade das raças e homens, e colocavam-na sobre o pelto dos cadáveres, no Egito, como atualmente a colocam sobre os corpos dos defuntos cristãos e, em sua forma svástika (croix cramponn£ge), sobre o coração dos Budas e Adeptos budistas, (Ver Cruz do Calvário.) [Na Ciência Hermética, à cruz é, como entre os egípcios, o símbolo dos quatro elementos. E é, coma a pedra filosofal, composta da mais pura substância dos elementos grosseiros, isto é, da própria substância dos elementos, Dizem: In cruce salus, a salvação está na cruz; por semelhança, a salvação de nossas almas resgatadas pelo san- gue de Jesus Cristo preso à madeira da cruz.)

Cruz ansata (Lat)

É a cruz com asa P , enquanto a Tau tem esta forma T .êã mais antiga cruz egípcia, ou seja, Tas, era assim: , À cruz ansata era símbolo da imor- talidade, porém a cruz Tati era símbolo do Espírito-Matéria e tinha o significado de um emblema sexual. À cruz ansata foi o primeiro símbolo da Maçonaria egípcia, instituída pelo Conde de Cagliostro e os maçons, certamente, devem ter esquecido qual o signifi- cado primítivo de seus símbolos mais elevados, quando algumas de suas autoridades in- sistem ainda em que a cruz ansata é apenas uma combinação do cteis (yoni — órgão se- xual feminino) e do phallus (lingam). Não é nada disso. À asa ou ansa tem um duplo sig- nificado, porém nunca um significado fálico. Como um dos atributos de Ísis, era o cfr- culo do mundo; como símbolo da lei sobre o peito de uma múmia, era o da imortalidade, de uma eternidade sem princípio nem fim, a que desce sobre o plano da natureza material e o ultrapassa, a linha horizontal feminina sobrepujando a linha vertical feminina; o prin- cípio fecundante masculino da Natureza ou Espírito. Sem asa, a cruz ansata converte-se em Tau "PF , que, por si só, é um símbolo andrógino, e vem a ser puramente fálico ou se- Xual apenas quando toma a forma de

Cruz do Calvário

Esta forma de cruz não data do Cristianismo, Era conhecida e utilizada para fins místicos milhares de anos antes de nossa era, Figurava indispensavel- mente em vários rituais do Egito e Grécia, Babilônia, Índia, México, Peru e China, É um símbolo cósmico tanto quanto fisiológico (fálico), que existia em todas as nações “pa- gãs”, como atesta Tertuliano. “Em que se diferencia a Minerva ateniense do corpo de uma cruz?”, pergunta o citado autor, “A origem de vossos deuses deriva de figuras mol- dadas em uma cruz, Todas aquelas fileiras de imagens de vossos estandartes são os acessórios de cruzes; aquelas tapeçarias de vossas bandeiras são as roupagens das cru- zes.” E o fogoso campeão estava certo. O Tau ou É é a mais antiga de todas as formas e 124

Círculo de leitura

Receba novos textos e percursos de estudo.