O princípio primeiro das coisas, segundo Thales e outros filósofos antigos. Não é a água do plano material, mas apenas seu sentido figurado. Expressa o fluido po- tencial contido no espaço infinito, simbolizado no Antigo Egito, por Kneph, o deus “não-revelado”, representado sob a figura da serpente (emblema da eternidade) circun- dando um jarro de água, “E o Espírito de Deus cobiçava a face das águas” (Gênese, 1:2). O orvalho de mei, alimento dos deuses e das abelhas criadoras no Iggdrasil, cai durante a noite sobre a árvore da vida, sendo proveniente das “águas divinas, lugar nativo dos deuses”. Pretendem os alquimistas que a terra pré-adâmica, ao ser reduzida a sua pri- meira substância pelo Alkahest, é semelhante à água clara. O Alkahest é “o um e indivi- sível””, a água, o primeiro princípio, na segunda transformação,
Seu emprego é um dos mais antigos rituais praticados no Egito, de onde passou para a Roma pagã, Acompanhava o rito do pão e do vinho. “O sacerdote egípcio aspergia com água benta as imagens de seus deuses, bem como seus fiéis, Vertia- se e aspergia-se com tal água, Descobriu-se um hissopo, que se supõe ter sido usado para este fim, como em nossos dias.” (Bonwick, Fé Egípcia) No que se refere ao pão, “as tortas de Ísis... eram colocadas sobre o altar”, Gliddon diz que eram “idênticas na forma ao pão consagrado 1as Igrejas Romana e Oriental”, Melville assegura-nos que “os egfp- cios marcavam este pão bento com a cruz de Santo André, Partiam o pão consagrado antes dos sacerdotes o distribuírem ao povo e supunham que se transubstanciava em car- ne e sangue da Divindade, operando-se este milagre pela mão do sacerdote oficiante, que benzia o pão. Rougé diz que as oferendas de pão levavam a impressão dos dedos, o sinal da consagração”. (Idem, p. 418) (Ver também: Pão e vinho.)
Este símbolo é um dos mais antigos, Entre os gregos e persas, a águia era consagrada ao Sol. Com o nome de AZ&, os egípcios a consagraram a Horus e os coptas rendiam-lhe culto sob o nome de Aham. Os gregos consideravam-na como o emblema sagrado de Zeus e os druidas como o do supremo Deus. Este símbolo chegou a nossos dias, quando (a exemplo do pagão Marius que, no séc. II a.C., usava a águia de duas ca- beças como insígnia de Roma) as cabeças coroadas da Europa consagraram a si mesmas e seus descendentes a rainha dos ares provida de duas cabeças. Júpiter contentava-se com à águia de uma cabeça, bem como o Sol. Às casas reais da Rússia, Polônia, Áustria e Alemanha adotaram a águia de duas cabeças como divisa. 23
Ver Ahankára. Ahan (Sânsc.) — “Dia”, o Corpo de Brahmã, nos Purânas. Ahankâra ou Ahamkâra (Sânsc.) — O conceito de “Ev”, a consciência de si mes- mo ou auto-identidade; o sentimento da própria personalidade, o “Eu”, o egoísta e mã- yávico princípio do homem, devido à nossa ignorância, que separa nosso “Eu” do Eu nico universal, À individualidade, o orgulho, o egoísmo, o sentimento do eu, consciên- cia do eu ou ser pessoal. É o princípio em virtude do qual adquirimos o sentimento da própria personalidade, a noção ilusória de que o não-Eu (corpo, matéria) é o Eu (Espíri- to), isto é, que somos, trabalhamos, divertimo-nos, sofremos etc., referindo todas as ações ao Eu, que é inativo, imutável e mero espectador de todos os atos da vida, Âhavaniya (Sânsc.) — Um dos três fogos, que eram mantidos na antiga casa hindu, (Râma Prasãd) Ahbheie (Hebr.) — Existência. O que existe; correspondente ao Kether e ao Macropro- sopo, Ah-hi (Sen.), Ahi (Sânsc.) — Serpentes. Dhyan-Chohanes, “Serpentes Sábias” ou Dragões da Sabedoria. Ahi (Sânsc.) — Serpente, Um nome de Vritra, o demônio védico da seca. Ahimsã (Sânsc.) — Inocuidade, inocência, mansuetude. Uma das virtudes cardinais dos hindus. Respeito absoluto a todo ser vivo. Os jainistas, em particular, consideram “nada matar” como a própria essência da sabedoria. Ahriman (Per.) -- No Zoroastrismo, é o princípio e personificação do mal; o Senhor dos Espíritos Malignos. (Ver Ángra Mainyu.) “Ahriman É a sombra manifesta de Ahura Mazda (Asura Mazda), procedénte por sua vez do Zernâna Akerna, o círculo ilimitado do Tempo, da Causa Desconhecida” (Doutrina Secreta, II, 512),
“Um” e o Primeiro, Ahum (Zend.) — Os três primeiros princípios da constituição setenária do homem, segundo o Avesta: 0 corpo grosseiro vivente e seus princípios vital e astral.
O mesmo que Asura, 0 santo, o semelhante ao alento. A hura Maz- da, o Ormuzd dos zoroastrianos ou parsis, é o Senhor que confere luz e inteligência, cujo símbolo é o Sol (ver Ahiura Mazda) € cujo aspecto obscuro é Ahriman, forma européia de Angra Mainyu (ver). Ahura Mazda (Zend.) — A Divindade personificada, o Princípio da Divina Luz Universal dos Parsis. O Altura ou Asura, alento “espiritual, divino”, no mais antigo Rig Veda, foi degradado pelos brahmanes ortodoxos em A-sura, não-deuses, da mesma for- ma que os masdeístas degradaram os devas (deuses) hindus em daeva (demônios). Ahusal (Alg.) — É o enxofre filosófico e não o enxofre comum, como mal o inter- pretou a maioria dos químicos, que também o denominavam de Akibor, Alchimit, Ahuta (Sânso.) — Adoração ou prece sem oferenda, Áhuti (Sânsc.) — Oblação. Aiar (Alg.) — Pedra bórica. 24
A divindade suprema dos yakootos, tribo da Sibéria setentrional. Ain (Hebr.,) - O existente em estado negativo; a divindade em repouso e absoluta» mente passiva, (W. W. W.) Ain-Aior (Cald.) — O único “Existente por si mesmo”, nome místico com o qual se designa a substância divina (cósmica), (W. W, WJ) Aindri (Sânsc.) — Esposa de Indra. Aindriya (Sânsc.) — O Indraní, Indriya; Sakti. Aspecto feminino ou “esposa” de In- dra.
Ver Criação. Ain Soph (Hebr.) — O “Dimitado” ou Infinito; a Divindade que emana e se expan- de. (W. W. W.) Na Cabala, o Ancião dos Anciãos; o Eterno; a Causa Primeira, Ain Soph também pode ser escrito como En Soph e Ain Suph, pois ninguém nem qualquer dos rabinos está totalmente certo a respeito de suas vogais, Na metafísica reli- giosa dos antigos filósofos hebreus, o Princípio Uno era uma abstração (o mesmo que Parabrahman), embora os cabalistas modernos tenham conseguido, através da soffística e paradoxos, convertê-lo em “Deus supremo” e nada mais, Porém, entre os cabalistas cal- deus primitivos, Ain Soph era “sem forma ou ser”, sem “qualquer sêmelhança com outra coisa” (Franck, Die Kabbala, p. 126), Que Ain Soph jamais foi considerado como *“Cria- dor” prova-o um judeu tão ortodoxo quanto Filón, ao chamar de “Criador” o Logos, que é imediato ao “Um HIimitado” e o “Segundo Deus”, “O Segundo Deus é sua Sabedoria (de Ain SophY”, diz Filón (Quoest. et Solut.). À Divindade é Não-Coisa, é inanimada e, portanto, chamada Ain Soph, significando a palavra Ain Nada. (Ver a Kabbala de Fran- ck, p. 153.) Ain Soph Aur (Hebr.) — A Luz infinita que se concentra no primeiro e supremo Sephira ou Kether, a coroa, (W. W. W.) Airâvata (de irâvar, aquoso) (Sânsc.) — Rei dos elefantes, assim qualificado por ser à cavalgadura do deus Indra. Talvez represente uma nuvem, sobre a qual Indra, o deus das nuvens, aparece montado, (Thomson) Airyamen Vaêgo (Zend.) — O Airyana Vaégo: a Terra primitiva da bem-aventuran- ça aludida no Vendidâd, onde Ahura Mazda entregou suas leis a Zoroastro (Spitama 2a- rathustra). Airyana-ishejô (Zend.) - Nome de uma oração ao “santo Airyamen”, o aspecto di- vino de Ahriman, antes que este se convertesse num negro poder antagônico, um Satã, Porque Ahriman é da mesma essência de Ahura Mazda, exatamente como Typhon-Seth é da mesma essência de Osfris (ver). Aish (Hebr.) — Palavra utilizada para designar o “Homem”,
Ver Aizvarika. Aitareya (Sânsc.) — Nome de um áranyaka (Brâlhmana) e um Upanishad do Rig- Veda. Algumas de suas partes são puramente vedantinas. Aith-ur (Cald.) — Fogo Solar; Éter divino, Aizvarika (de Ízvara) (Sânsc.) — Escola deísta do Nepal, que elevou Ádi Buddha a deus supremo (Ízvara), ao invés de considerar tal denominação apenas a de um princípio, um símbolo filosófico abstrato. 25
O grande imperador mongol da Índia, célebre protetor das religiões, artes e ciências; o mais liberal de todos os soberanos muçulmanos. Nunca houve um gover- nante de maior tolerância e ilustração do que o imperador Akbar na Índia ou em qual- quer outro país mahometano. Akchamãálâ (Sânsc.) — Esposa de Vasichtha (Mânava-dharma-zâstra). Akchara (Akshara) (Sânsc.) — [Som, palavra, especialmente a palavra sagrada OM]. Indivisível, indestrutível, imperecível, etemo, imutável, sempre perfeito; o Abso- luto, a Deidade suprema, Brahma. Akhanda (Sâánsc.) — “Sem divisões”, inteiro. Akhu (Eg.)- Entre os egípcios, “inteligência”, Akiba (Hebr.) — O único dos quatro Tanaim (Profetas Iniciados) que, depois de en- trar no Jardim das Delícias (das Ciências Ocultas), conseguiu ser iniciado, enquanto os outros três fracassaram, (Ver Acher e Rabinos Cabalistas). Akilibat ou Alotin (Alg.) — Segundo Planiscampi, É a terebintina, Akshara— Ver Akchara, Akta (Sânsc.) — *Ungido”., Título de Twachtri ou Vizvakarman, o supremo “Cria- dor” e Logos no Rig-Veda. É denominado “Pai dos Deuses” e “Pai do Fogo Sagrado”. [Também o Sol é designado dessa maneira (€ produtor de formas)] (Ver Doutrina Se- creta, II, p. 101, nota.) Akúpâara (Sânsc.) — À Tartaruga. À tartaruga simbólica sobre a qual, diz-se, a Terra repousa. Al ou El (Hebr.) — Este nome da divindade é comumente traduzido como “Deus” e significa: poderoso, supremo, O plural da palavra é Elohim, igualmente traduzido na Bf- blia pela palavra Deus, no singular. (W. W. W,) Alabari ou Airazat (Alg.) — Chumbo dos filósofos, ao qual também denominam de Coração de Saturno. É propriamente a matéria da Arte, retirada dá raça de Saturno. Al-ait (Fen.) — O Deus do Fogo. Um nome antigo e muito místico no ocultismo copta. 27
À “pedra branca” da Iniciação. A “cornalina branca” mencio- nada na Revelação (Apocalipse) de São João, Alceani (Alg.) — Termo da Ciência Hermética. É a mudança da forma superficial dos metais, como a dealbação de Vênus, que é uma falsa tintura de 1ã ou prata etc. (Pla- niscampi) Al-Chazari (Ár.) — Príncipe, filósofo e ocultista. [Ver Livro de Al-Chazari.) . Álcool (Alg.) - À substância de um corpo livre de toda matéria terrestre; sua forma etérea ou astral. (F. Hartmann) É aquilo que os químicos denominam de “Espírito”. Pa- racelso dá também este nome aos pós muito sutis, tais como a flor da farinha, quando sem mistura, Alcyone (Gr.) ou Halcyone — Filha de Éolo e esposa de Ceyx, que morreu afogado num naufrágio, ao fazer uma viagem para consultar o oráculo, e em seu desespero ela se atirou ao mar, Esta prova de fidelidade excitou a clemência dos deuses, que transforma- ram ambos em alcfones. Diz-se que a fêmea põe seus ovos no mar e à mantém tranqútlo durante os sete dias que antecedem e os sete que se seguem ao solstício de inverno, Em ornitomancia, isso tem um significado muito oculto. Alecharit (Alg.) — Mercúrio comum e não vulgar, mas aquele dos filósofos.
Adivinhação através de um galo ou outra ave. Traçava-se um círculo, que era dividido em casinhas, cada uma das quais correspondendo a uma le- tra, Espalhava-se cereal sobre as casas e anotavam-se as sucessivas divisões marcadas com letras, das quais a ave comia o cereal. (W, W. W.)
Atividade divina. Alethae (Fen.) — “Adoradores do Fogo”, de Al-ait, Deus do Fogo, O mesmo que os Cabires (Kabires) ou Titãs divinos. Como as sete emanações de Agruerus (Saturno), re- lacionam-se com os deuses fgneos, solares e “da tempestade” (Maruís). Aletheia (Gr.) — Verdade, Também Alethia, uma das nutrizes de Apolo. [Mais ge- nericamente: Desvelação.] M.P,
Pseudônimo do fundador da escola espírita francesa, cujo nome verdadeiro era Rivaílle. Foi quem colecionou e publicou as revelações feitas, em estado de transe, por certos médiuns e, entre os anos de 1855 e 1870, utilizou-as para desenvol- ver uma “filosofia”,
Psyche ou nephesh da Bíblia; o princípio vital ou sopro de vida que todo o animal, desde o infusório, compartilha com o homem, Na Bíblia traduzida, tal palavra significa indistintamente vida, sangue e alma. “Não matemos seu nephesh", diz o texto original; “não o matemos”, traduzem os cristãos (Gênese, XXX VII, 21) e assim sucessi- vamente. [A Alma, ou seja, o homem propriamente dito, é o intelecto humano, o elo en- tre o Espírito Divino do homem e sua personalidade inferior. É o Ego, o índivíduo, o Eu, que se desenvolve através da evolução. Na linguagem teosófica, é o Manas, o Pensador, À mente é a energia do mesmo, trabalhando dentro das limitações do cérebro físico. (A. Besant, Sabedoria Antiga.) (Ver Anima e Artahkarana,)
Termo utilizado no ocultismo em relação ao Linga Sharíra ou cor- po astral do quaternário inferior. É denominado de “Alma plástica” ou “protea” por seu poder de assumir qualquer forma e modelar-se segundo qualquer imagem impressa na Luz Astral que o rodeia ou na mente dos médiuns ou das pessoas presentes nas sessões de materialização, O Linga Sharira não deve ser confundido com o mâvyávi-rúpa ou “corpo de pensamento”, ou seja, a imagem criada pelo pensamento e vontade de um adepto ou feiticeiro, porque, enquanto a “forma astral” ou Linga Sharíra é uma entidade real, o “corpo mental ou de pensamento" é uma ilusão passageira, criada pela mente,
Nome empregado para designar o Mâyâávi-râápa ou “corpo mental”; a forma astral mais elevada que assume todas as formas e cada forma de acordo com a vontade do pensamento do adepto. (Ver Alma plástica.) 29