Glossário Teosófico

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Verbetes: L

Loka-nátha (Sânsc,)

“Senhor do mundo”, Epífteto de Buddha, Lokântaras (Sânsc.) — Termo búódico que expressa os infernos situados entre o mundo aqui debaixo e os mundos vizinhos. Loka-pãlas (Sánsc.) — Os defensores, regentes e guardiões do mundo fem nosso Cosmos visível], As divindades (deuses planetários) que presidem os oito pontos cardeais e dentre as quais figuram os quatro Maharájas, ["., Soma, Agni, Súrya, Anila, Indra, Kuvera, Varuna e Yama são os oito principais guardiões do mundo” (Leis de Manu, V, 96). À Soma corresponde o NE; a Agni, o SE; a Súrva, o SO; a Anila ou Vâyu,o NO; a Indra, o E; a Kuvera, o N; a Varuna, o O 2 a Yama, o S. Cada uma dessas divindades tem um elefante, que atua na defesa e proteção de seu ponto respectivo e estes oito cle- fantes também são designados pelo nome de Lokapálas.] Loka-sangraha (Sânsc.) — Ordem, governo ou boa marcha do mundo; o bem ou bem-estar do mundo; o conserto de todas as coisas humanas; a massa dos homens; o conjunto das coisas que constituem a vida do mundo. Loka-tativa (Sânsc.) — Verdadeiro conhecimento do homem (microcosmo), (P, Hoult) Lokatraya (Sânsc.) — O mundo triplo ou os três mundos: céu, ou região superior (s- varga), atmosfera, ar ou região intermediária (antarikcha) e Terra (prithivi)., De acordo com outra classificação, os três mundos são: céu, Terra e inferno (ou região inferior). (Ver Trailokya ou Trilokya.) Lokâvyata (Sânsc.) — Ateísmo da seita dos chârvâkas; ateu. Lokavyâtika (Sânse.) — Ateu,

Loke

Ver: Loft, Lokeza (loka=-fza) (Sâánsc.) — Literalmente, “Senhor do mundo": Brahmâ; um santo budista que venceu o mundo, (Ver Lokajit) Lokezvara (loka-fzvara) (Sânse.) — Senhor do mundo, Loki (Esc.) — O Espírito Maligno escandinavo, exotericamente. Na filosofia esotéri- ca, é um “poder antagônico”, só porque está em oposição à harmonia primordial. No Edda, É o pal do terrível lobo Fenris e da serpente Midgard, Pelo sangue, € irmão de Odin, o deus bom e valoroso, porém, por natureza, é seu antagonista, Loki-Odin são simplesmente dois em um, Como Odin é, em certo sentido, o calor vital, Loki £ o símbolo das paixões produzidas pela intensidade do famoso calor. Lokottara (loka-uttara) (Sânsc.) — Superior ao mundo; que se sobrepõe ao comum ou ordinário; não- usual; extraordinário. Este qualificativo aplica-se ao sistema Rája-vo- go. Lokottara-iddht (Pál.) — Poder extraordinário, como aquele adquirido pelos Arhats, Lola f(Sânsc.) — Ansioso, desejoso, ávido, cobiçoso, inquieto, impressionável, Lolatva (Sânsc.) — Desejo, afã, cobiça, avidez, paixão; agitação, inquietude, impa- ciência, volubilidade.

Longevidade

Numerosos monumentos egípcios nos mostram que o limite extre- mo de uma velhice sã e vigorosa é cento e dez anos, desde os tempos de Moisés. Este é o número de anos invariavelmente adotado para o formulário das inscrições, quando se 326

Longino, Dionysius Kassius

Célebre crítico e filósofo, que nasceu no início do séc. III (por volta do ano 213), Era um grande viajante, que assistiu, na Alexandria, às aulas de Ammonio Saccas, fundador do neoplatonismo, porém era antes mais um crítico do que um partidário. Porfírio (o judeu Malek ou Malchus) foi seu discípulo, antes de o ser de Plotino, Dizem que era uma biblioteca e um museu ambulantes. Até o término de sua vida, foi professor de literatura grega de Zenóbia, rainha de Palmira, que pagou OS seus serviços acusando-o perante o imperador Aurélio de a ter aconselhado a se re- belar contra ele, por cujo delito Longino e muitos outros foram condenados à morte pelo imperador, no ano de 273. (Glossário da Chave da Teosofia) Lopt ou Lopter (Esc.) - Outros nomes de Loki,

Lótus

Planta de qualidades sumamente ocultas, sagrada no Egito, na Índia e em outros locais. Chamam-na “filho do Universo que leva em seu selo a semelhança de sua mãe”, Houve um tempo “em que o mundo era um lótus (padma) de ouro”, diz a alegoria, Uma grande variedade desta planta, desde o majestoso lótus da India até o lótus do pân- tano (trevode pata de ave) e o Dioscoridis grego, é usada como alimento em Creta e ou- tras ilhas. É uma espécie de Nymphaea, introduzida na Índia e no Egito, onde não era na- tiva. (Ver o texto do Simbolismo Arcaico no Apêndice VIH do t. IL da Doutrina Secreta: “O Lótus como Símbolo Universal”) [Os egípcios viram no lótus um símbolo do renas- cimento do Sol e da ressurreição. Por este motivo colocam-no sobre a cabeça de Nowré- Toum, e Hórus é representado saindo do cálice desta flor. (Pierret, Dict. Arch. Egypt]

Lripâda

Ver Sri-páda. Zrita (Sânsc.) — Situado, posto; contido; refugiado; caído; partícipe; aplicado; ocu- pado; inclinado; escolhido. ' Lritayant (Sânsc.) — Que se dirige; que acode. Lrivant (Sánsc.) — Ouvinte.

Lua

O satélite da Terra figurou muito como emblema nas religiões da Antiguida- de e mais comumente foi representado como feminino, porém isso não é universal, visto que nos mitos teutônicos e das árvores e também nos conceitos dos râjpuis da Índia (ver Tod,, Hist.) e na Tartária, a Lua era do gênero masculino. Os autores latinos falam de Lua e também de Lunus [Masculino], porém com extrema raridade, O nome grego é Se- lene e o hebraico é Lebanah e também Yarcah. No Egito, a Lua estava associada com Ísis, na Fenícia com Astarté e na Babilônia com Ishtar. Sob certos pontos de vista, os antigos consideravam a Lua como um ser andrógino. Os astrólogos indicam para a Lua uma influência sobre diversas partes do homem, segundo os vários signos do Zodíaco que atravessa, bem como uma influência especial produzida pela casa que ocupa num horóscopo. À divisão do Zodíaco nas vinte e oito casas da Lua parece ser mais antiga que a divisão em doze signos. Os coptas, egípcios, árabes, persas e hindus serviam-se da di- visão em vinte € oito partes, há já muitos séculos, € os chineses ainda dela se servem. Os herméticos diziam que a Lua deu ao homem uma forma astral, enquanto a Teosofia ensi- na que os Pitris lunares foram os criadores de nosso corpo humano e dos princípios infe- riores. (Ver Doutrina Secreta, 1, 386, edição antiga — W.W.WJ [A Lua é, por excelência, à Divindade dos cristãos, sem que eles mesmos o saibam, por mediação dos judeus mo- saicos e cabalistas. Para alguns antigos Padres da Igreja, tais como Orígenes e Clemente da Alexandria, a Lua era o símbolo vivo de Jehovah: o doador de vida e de morte, aquele que dispõe da existência (em nosso mundo), O cristianismo é uma religião totalmente baseada no culto solar e lunar (Doutrina Secreta, 1, 415, etc). À Lua é a Diva triformis, o Três em Um: Lua no céu, Diana na Terra e Hécate no inferno. Às influências da Lua são 327

Lucas, Paulo

Viajante francês que, no início do séc. X VIII, percorreu o Oriente às expensas do rei, Em Bursa encontrou um derviche chamado Usbeck com quem teve algumas palestras a respeito da filosofia hermética, Escreveu um curioso relato de sua viagem pela Ásia Menor, onde narra inúmeros feitos prodigiosos de que foi testemunha e que, ele mesno confessa, são difíceis de acreditar, Lúcifer (Lui.) — O planeta Vênus, considerado como a brilhante “Estrela Matuti- na”, Antes de Milton, Lúcifer nunca havia sido um nome do Diabo, Pelo contrário, visto que no Apocalipse (X XII, 16) o Salvador cristão faz dizer de si mesmo: “Eu sou... a res- plandecente estrela da manhã” ou Lúcifer. Um dos primeiros Papas de Roma possuía tal nome e havia até, no séc. IV, uma seita cristã denominada os Luciferianos. Lúcifer vem de Luciferus, portador de luz, aquele que ilumina, e corresponde exatamente à palavra grega Phosphoros. À Igreja dá hoje ao Diabo o nome de “trevas”, enquanto que no Li- vro de Jó chama-se de “Filho de Deus", a brilhante Estrela Matutina, Lúciler. Há toda uma filosofia de artifício dogmático devido ao fato de que o primeiro Arcanjo, que sur- giu das profundezas do Caos, foi chamado de Lux (Lúcifer), o luminoso “Filho da Ma- nhã” ou Aurora Manvantárica. À lgreja transformou-o em Lácifer ou Satã, porque é anterior e superior a Jehovah e tinha de ser sacrificado ao novo dogma. (Doutrina Se- creta, 1, 99-100) Lúcifer é o portador de luz da nossa Terra, tanto no sentido físico quanto místico. (Doutrina Secreta, 1, 363, Na Antiguidade e na realidade, Lúcifer, ou Luciferus, é o nome da Entidade Angélica que preside a Luz da Verdade, o mesmo que à luz do dia, Lúcifer é a Luz divina e terrestre, o “Espírito Santo” e “Satã” ao mesmo tempo (fdem, 11, 539). Está em nós; é nossa Mente, nosso Tentador e Redentor, o que nos livra e salva do animalismo puro. Sem este princípio — emanação da mesma essência do puro e divino princípio Mahar (Inteligência), que irradia de um modo direto da Mente divina — com toda certeza, não serfamos superiores aos animais. (fbidem, Il, 540). Lúci- fer e o Verbo são um só em seu aspecto dual. Equivale ao Ezanas-Sukra da Índia. (Ver Chandra-vanza, Luz Astral, Satã etc.)

Luchi

Ver Suchi. Zuchna (Sânsc.) — Dessecante; o fogo; o Sol. Um inimigo de Indra. (Ver Vritra.) Zuddha (Sânsc.) — Puro, branco; limpo de todo pecado; sem faltas; só, completa- mente só.

Ludra

Ver Shudra. Zukla (Sânsc.) — Branco, luminoso, claro, brilhante, Luz, bri:ho., À primeira metade do mês lunar, ou seja, o novilúnio até o plenilúnio; a quinzena luminosa ou brilhante. Este período é adequado ao progresso espiritual, (Ver Krishna e Quinzena Luminosa.)

Luís de Neus

Alquimista, natural da Silésia. No ano de 1483, fez na corte de Marburgo e na presença de grande número de testemunhas alguns experimentos com sua tintura filosófica, para transformar o chumbo em ouro puro, Em vista do êxito de tais operações, João Dornberg, ministro de Henrique III, exigiu-lhe que lhe revelasse o se- gredo e, tendo-se o alquimista negado, foi encerrado num cárcere, onde morreu de fome. Este e outros casos que poderiam ser relatados mostram quão certas e justas eram as re- gras traçadas no livro De Alchymia, atribuído a Alberto o Grande e que devem servir de norma aos alquimistas, para chegarem à grande obra, À primeira destas regras é a se- guinte: “O alquimista será discreto e calado; não revelará a ninguém o resultado de suas operações”, Outra de tais regras diz: “Evitará (o alquimista) ter qualquer relação com príncipes e senhores”, 328

Lúlio ou Lull (Lully) Raimundo

Alquimista, Adepto e filósofo nascido no séc. XIII, na Ilha de Maiorca. Conta-se dele que, num momento de necessidade, fez para o rei Eduardo III da Inglaterra vários milhões de “rosas nobres” de ouro, ajudando-o as- sim a prosseguir vitoriosamente a guerra, Fundou vários colégios para o estudo das lfn- guas orientais e o cardeal Jimenez de Cisneros, um de seus protetores, tinha-o em grande estima, bem como o Papa João XXI. Morreu em |3]J4, com idade bastante avançada. À literatura conservou muitas histórias extravagantes sobre Raimundo Lúlio; reunidas formariam uma novela extraordinária, Era o filho mais velho do Senescal de Maiorca, de quem herdou muitos bens, [Raimundo Lúlio compôs várias obras de grande mérito, tais como Arbor Scientice, Logica Nova, Ars Magna, vasto sistema de filosofia que resume os princípios enciclopédicos da ciência de seu tempo e classifica, de maneira ordenada, to- dos os conhecimentos humanos, formando engenhosas combinações para obter com elas progressos rápidos nas ciências. E notabilíssimo seu Livro de Amigo e de Amado (Libre damich é d' amar), verdadeira obra mística e de ocultismo de boa lei, da qual, para amos- tra, traduzimos a seguinte passagem: “Dizia o Amigo ao Amado [a Divindade, Brahma]: Tu És tudo e existes em tudo e com tudo. À ti quero dar-me todo, de tal modo que eu te possu:: todo e tu me possuas todo, Respondeu o Amado: Não podes me possuir todo sem que tu todo não sejas meu. E disse o Amigo: Possua-me todo e eu possuirei a ti inteiro, Respondeu o Amado: Se tu me possuis todo, o que terão teu filho, teu irmão e teu pai? Contestou o Amigo: Tu és tão absolutamente todo, que podes ser até todo de cada um que se dê todo a 1”. E verdadeiramente triste — dizla nosso malogrado irmão D. Francis- co de Morntoliu — ver como se falsifica o texto da obra na tradução espanhola, acrescen- tando-se frases inteiras que não existem no texto original, tão somente para aplicá-lo à ortodoxia reinante. Em sua obra De Nnva Logica, obra raríssima impressa em Valência, no ano de 1512, Lúlio expõe a evolução quase como aquela das obras teosóficas, partin- do do mineral ou pedra (Lapis) e passando sucessivamente pela chama (Flanmuna), o ve- getal (Planta), o bruto (Brutum), o homem (Homo), o céu (Celitm, sic), o anjo (Angelus) e chegando a Deus (Deus), que está no ponto mais elevado da escala da evolução.)

Lunares, pitris

Ver Pitris lunares. Lundi ou Lundikâ (Sânsc.) — Observações dos deveres de um príncipe: justiça nas ações, juízos e sentenças.

Luni

Nome de certa tribo de Índios americanos ocidentais; um resto antiquíssimo de uma raça ainda mais antiga. (Doutrina Secreta, 11, 665.)

Lupercais (Lupercalia, em latim)

Ver Festas Luperceais, Lupta (Sánsc.) — Privado, perdido, suprimido. Lupta-pinda (Sânsc.) — Privado da torta que se oferece aos antepassados, na ceri- mônia religiosa chamada sráddha (ver).

Lustração

Cerimônia religiosa praticada por gregos e romanos para purificar as cidades, os campos, rebanhos, casas etc., bem como crianças recém-nascidas e as pessoas manchadas por crimes ou infeccionadas por um objeto impuro, Tais práticas eram feitas geralmente através de aspersões, procissões e sacrifícios expiatórios. As lustrações pro- priamente ditas eram feitas atraves do fogo, do enxofre queimado, das fumigações de louro, sabina, oliveira e outras plantas, da aeração ou da água lustral (água purificada com um tição ardente retirado do fogo do sacrifíciode que se empregava em aspersões, como se faz com a água benta, À lustração das crianças era uma cerimônia análoga à do batismo próprio dos cristãos, visto que nela a criança recebia seu nome e era purificada com uma aspersão de água lustral. Era praticada no dia chamado lustral, que para os me- ninos era, geralmente, o nono após o nascimento e, para as meninas, o oitavo, terminan- do a cerimônia com um festim e grandes regozijos. 329

Luz do Logos

À Luz primordial; Fohat (ver Fohar). Este qualificativo de “cria- dora e geradora Luz do Logos” é também aplicado a diversas divindades, tais como Hó- rus, Brabmã, Ahura Mazda etc., como manifestações primitivas do Princípio sempre não manifestado, quer se denomine Ain-suph, Parabrahman ou Zeruâna Akerne, Kãla ou Tempo Infinito. (Doutrina Secreta, 11, 244)

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