Glossário Teosófico

Lúlio ou Lull (Lully) Raimundo

Alquimista, Adepto e filósofo nascido no séc. XIII, na Ilha de Maiorca. Conta-se dele que, num momento de necessidade, fez para o rei Eduardo III da Inglaterra vários milhões de “rosas nobres” de ouro, ajudando-o as- sim a prosseguir vitoriosamente a guerra, Fundou vários colégios para o estudo das lfn- guas orientais e o cardeal Jimenez de Cisneros, um de seus protetores, tinha-o em grande estima, bem como o Papa João XXI. Morreu em |3]J4, com idade bastante avançada. À literatura conservou muitas histórias extravagantes sobre Raimundo Lúlio; reunidas formariam uma novela extraordinária, Era o filho mais velho do Senescal de Maiorca, de quem herdou muitos bens, [Raimundo Lúlio compôs várias obras de grande mérito, tais como Arbor Scientice, Logica Nova, Ars Magna, vasto sistema de filosofia que resume os princípios enciclopédicos da ciência de seu tempo e classifica, de maneira ordenada, to- dos os conhecimentos humanos, formando engenhosas combinações para obter com elas progressos rápidos nas ciências. E notabilíssimo seu Livro de Amigo e de Amado (Libre damich é d' amar), verdadeira obra mística e de ocultismo de boa lei, da qual, para amos- tra, traduzimos a seguinte passagem: “Dizia o Amigo ao Amado [a Divindade, Brahma]: Tu És tudo e existes em tudo e com tudo. À ti quero dar-me todo, de tal modo que eu te possu:: todo e tu me possuas todo, Respondeu o Amado: Não podes me possuir todo sem que tu todo não sejas meu. E disse o Amigo: Possua-me todo e eu possuirei a ti inteiro, Respondeu o Amado: Se tu me possuis todo, o que terão teu filho, teu irmão e teu pai? Contestou o Amigo: Tu és tão absolutamente todo, que podes ser até todo de cada um que se dê todo a 1”. E verdadeiramente triste — dizla nosso malogrado irmão D. Francis- co de Morntoliu — ver como se falsifica o texto da obra na tradução espanhola, acrescen- tando-se frases inteiras que não existem no texto original, tão somente para aplicá-lo à ortodoxia reinante. Em sua obra De Nnva Logica, obra raríssima impressa em Valência, no ano de 1512, Lúlio expõe a evolução quase como aquela das obras teosóficas, partin- do do mineral ou pedra (Lapis) e passando sucessivamente pela chama (Flanmuna), o ve- getal (Planta), o bruto (Brutum), o homem (Homo), o céu (Celitm, sic), o anjo (Angelus) e chegando a Deus (Deus), que está no ponto mais elevado da escala da evolução.)

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