Glossário Teosófico
Semana Santa
É a grande época do ano cristão, “Todo o ofício do Sábado Santo é de uma beleza verdadeiramente ideal e de uma filosofia profunda -— diz E. Burnouf. — Não posso reproduzi-lo aqui como gostaria, porém convido a todos aqueles que se ocu- pam com o estudo das religiões a segui-lo com o livro na mão e o espírito aberto. Se guardam na memória a recordação das grandes cerimônias védicas, as encontrarão aqui inteiras, em meio às orações, que lhes recordarão os mais belos cantos de nossos ante- passados ários. Ali verão as “portas eternas” do recinto sagrado, por onde há de passar *o rei glorioso"; o fogo divino e a vida que jazem ainda no cálice (samudra) sob a figura de Jonas; a luz indefectível do Pai; o Espírito penetrando na pia batismal como uma virtude misteriosa; o fogo nascendo pela fricção do pedernal, que no Ocidente substituiu os Ara- ni e em seguida o cirio, grande símbolo pascal, Nos tempos antigos da Igreja, a cerimônia do fogo e do círio eram efetuadas no domingo, ao amanhecer, uma vez que, no dia do equinócio, o Sol desponta às seis horas. O fogo, excitado pela fricção, serve para acender o cfrio pascal; o diácono, vestido de branco, toma uma haste (o vetasa dos hinos), em cuja extremidade superior hã três castiçais, que representam os três fogos do recinto védico; os acende um após outro com o fogo novo, dizendo a cada vez: “a luz do Cristo", Em se- guida acende o círio pascal, no qual a cera substitui a manteiga do sacrifício, a 'mãe- abelha, a vaca dos hindus. Por último surge o Cristo, sob seu verdadeiro nome de Agnus, que pode muito bem ser Agni sob forma latina, Recita-se então a seguinte oração, em que se encontra exposta a mística de todo rito pascal: “Oh noite verdadeiramente feliz, que despojou os egípcios (Sasyuws, no Veda) e enriqueceu os hebreus (ários)! Noite em que as coisas celestes se associam às coisas terrestres e as divinas às humanas! Rogamos- te, Senhor, que este cfrio, consagrado em honra de teu nome, permaneça indefectível para destruir as trevas desta noite e que, recebido em aroma de suavidade, se misture com os luminares do alto”. Que o astro que pela manhã traz a luz (lucifer matutinus) en- contre suas chamas: este astro, digo, que não se põe nunca, que retornou das regiões in- feriores, luziu sereno sobre a linhagem humana.” (E. Burnouf, A Ciência das Religiões, 3º ed., pp. 232 e segs.) Ver Páscoa, Senã (Sânsc.) — O shakti ou aspecto feminino de Kârttikevya; é chamado também «de Kaumãra, [Send significa também: exército, hoste, linha de batalha, arma, flecha. | Senânt (Sânsc.) — Caudilho ou chefe do exército,