Glossário Teosófico
Pedra Filosofal, Lapis philosophorum (Las,)
“Pedra dos Filósofos”. Termo místico pertencente à Alquimia e que não tem significado muito diferente daquele que geralmente se lhe atribui. À Pedra Filosofal é também chamada de “pó de projeção”. o Magnum Opus (Grande Obra) dos alquimistas, objeto que devem alcançar à todo custo, uma substância que tem a virtude de transmutar em ouro puro os metais mais vis, Con- tudo, misticamente, a Pedra Filosofal simboliza a transmutação da natureza animal e in- ferior do homem na natureza divina e elevada. À Obra Secreta de Chiram ou Hiram da Cabala, “una em essência, porém três na aparência”, é o Agente Universal ou Pedra dos Filósofos. A culminação da Obra Secreta é o homem espiritual perfeito, num extremo da linha; a união dos três Elementos é o Solvente Oculto da “Alma do Mundo”, a Alma Cósmica ou Luz Astral, na outra extremidade. (Doutrina Secreta, 11, 119) — Considerada do ponto de vista puramente material, estabeleceu-se uma diferença entre a pedra (ou pó) filosofal denominada de grande magistério, grande elixir ou quintessência, que é aquela que adquiriu seu maior grau de perfeição e tem a virtude de transmutar em ouro os metais vis, e a chamada pequena pedra filosofal, pequeno magistério, pequeno elixir ou fintura branca, que é menos perfeita do que a outra e só pode transmutar tais metais em prata. À pedra filosofal apresenta-se em formas e cores diversas (branco, vermelho, ver- de, azul celeste etc.), Segundo Van Helmont, tinha a cor de açafrão em pó e era pesada e brilhante como pedaços de vidro. Paracelso descreve-a como um çorpo sólido de cor ru- bi escura, transparente, flexível, porém quebradiça. Raimundo Lúlio (ou Lull) designa-a algumas vezes com o nome de carbúnculus; outros a apresentam como um pó vermelho etc. Às propriedades essenciais que os alquimistas lhe atribuem são as seguintes: trans- mutar em ouro e prata os metais vis (chumbo, mercúrio, cobre etc.); prevenir e curar to- do tipo de enfermidades, tanto as agudas quanto as crônicas, e prolongar a vida humana além de seus limites naturais; por esta razão, considera-se tal substância, tomada inter- namente, como o mais precioso dos remédios. Alguns autores espagíricos atribuíram a esta famosa pedra outra propriedade importante: a de formar artificialmente pedras pre- ciosas, tais como diamantes, pérolas e rubis. “Haveis visto, Sir - escreveu Lull ao Rei da Inglaterra - a maravilhosa projeção que fiz em Londres com a água de mercúrio que lan- cei sobre o cristal dissolvido; formei um diamante finíssimo, do qual mandastes fazer al- Eumas coluninhas para um tabernáculo”. Outras virtudes ainda mais apreciáveis do ponto de vista intelectual e moral foram atribuídas a este raro tesouro e são as que con- ferem a quem o possui o dom da sabedoria e, além disso, como a pedra filosofal enobrece os metais vis e transforma cristais em pérolas finas, também purifica a alma do homem e extirpa de seu coração a raiz do mal e de todo pecado. À respeito da quantidade de pedra filosofal que deve ser empregada para produzir seus efeitos, as opiniões dos alquimistas variam consideravelmente. Kunckel admite que não pôde converter em ouro mais do que 477