Glossário Teosófico
Paz
Eis aqui como o Bhagavad- Gftâ expressa a maneira de conseguir o Sossego, a tranquilidade, a paz de ânimo, virtude que, por ser de tão alta estima, a Igreja Romana considera como um dos “frutos do Espírito Santo”: “Consegue à paz aquele em cujo coração estinguem-se os desejos, como os rios perdem-se no mar, o qual, embora cheio, jamais transborda; porém muito distante está da paz aquele que acaricia desejos: O ho- mem que, tendo extirpado de seu coração toda classe de desejos, vive livre de afãs, inte- resses e egoísmo, obtém a paz. — Tal € a meta, a condição divina,” (Bhagavad-Gftá, II, 70-72). Quando o Eu desviou sua atenção dos veículos, invólucros ou diversos corpos que ocupa, até o ponto em que estes já não influem sobre ele; quando pode servir-se de- les segundo lhe apeteça; quando chegou a ser perfeita a claridade de sua visão; quando os veículos, já não contendo vida elemental, mas unicamente a vida emanada do Eu, deixam de constituir um obstáculo para suas atividades, então a Paz cobre o homem com suas asas, pois este chegou finalmente àquilo que há tanto tempo pretendia alcançar. O ho- mem, unido desde então ao Eu, não se confunde com seus veículos, que para ele consti- tuem apenas as ferramentas que maneja a seu gosto. Realizou esta paz, que reside no coração do Mestre, a paz daquele que domina em absoluto todos os seus veículos e que, por consegiinte, é o senhor da vida e da morte. À união da vontade individual com a Vontade Una, a fim de servir à Humanidade, é para nós um objeto cem vezes mais ape- tecível do que todos os bens da Terra, Não viver isolado dos demais seres, mas, ao con- trário, tornar-se uno com eles, identificando-se com os mesmos; não querer alcançar so- zinho a paz e a felicidade e dizer com o Buddha: “Jamais gozarei sozinho a paz final, ao contrário, em todas as partes e sempre sofrerei e lutarei até que toda a Humanidade a al- cance comigo”. Então nos aproximaremos da Divindade e percorreremos o sendeiro se- guido por todos os grandes Seres e nos daremos conta de que a Vontade, que a ele nos conduziu, é bastante poderosa para sofrer aínda, para lutar mais ainda, até que o sofri- mento e a luta tenham finalmente cessado para todos e que todos gozemos a Paz infinita, (A, Besant, Estudo sobre a Consciência.)