Glossário Teosófico
Ofitas (do grego Ophites)
Fraternidade gnóstica do Egito e uma das mais primiti- vas seitas do Gnosticismo ou Gnosis (sabedoria, conhecimento), conhecida pelo nome de “Irmandade da Serpente”. Floresceu no início do séc. II e, embora sustentasse alguns dos princípios de Valentino, tinha seus próprios ritos ocultos e sua simbologia. Uma ser- pente viva, que representava o princípio — Crhistos (isto é, a Mônada Divina que se reen- carna no Jesus, o homem), -— era exibida em seus mistérios e venerada como símbolo de Sabedoria, Sophia, representáção de todo-bom e do todo-sábio. Os gnósticos não cons- tituíam uma seita cristã; na acepção comum da palavra, como o Christos do conceito pré- cristão e da Gnrosis não era o “Deus-homem”" Cristo, mas o Ego divino, unificado com o Buddhi. Seu Crhistos era o “eterno Iniciado”, o Peregrino, representado por centenas de símbolos ofídios, alguns milhares de anos antes da era dita “cristã”. Isso pode ser visto na “tumba de Belzoni” do Egito, em forma de serpente alada com três cabeças (Amâ-Buddhi-Manas) e quatro pernas humanas, que simbolizavam seu caráter andrógi- no; nos muros da baixada das câmaras sepulcrais de Ramsés V encontra-se sob a forma de serpente com asas de abutre, sendo necessário advertir que o abutre e o falcão são emblemas solares, “Os céus estão rabiscados de inumeráveis serpentes”, escreve Hers- chel falando do mapa celeste dos egípcios. “O Meissi (Messias?), que significava a Pala- vra sagrada, era uma boa serpente”, diz Bonwick em seu Crença Egípcia. “Esta ser- pente de bondade, com sua cabeça coroada, estava montada sobre uma cruz e constitufa o estandarte sagrado do Egito.” À este “Sanador” e “Salvador” é que se referiam os ofitas e não a Jesus nem às suas palavras. “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim convém que seja levantado o Filho do Homem”, segundo disse ao explicar o signi- ficado de sua ofis. Tertuliano, sabendo ou não, fazia uma mescla dos dois. À serpente com asas é o deus Chnufis. À boa serpente levava a cruz da vida ao redor de seu pescoço ou suspensa pela boca. Às serpentes aladas passaram a ser os Serafins (Seraph, Saraph) dos judeus. No capítulo 87 do Ritual (Livro dos Mortos), a alma"hurhana transformada em Bata, a serpente onisciente, diz: “Eu sou a serpente Ba-ta, de longos anos, Alma da Al- ma, sepultada e nascida todos os dias; sou a Alma que desce à Terra”, isto é, o Ego. 435