Glossário Teosófico
Obscuridade ou Trevas
“As Trevas são Pai-Mãe e a Luz é seu Filho”, diz um antigo provérbio oriental, À luz é inconcebível, a não ser que seja considerada como pro- cedente de uma origem que seja sua causa; e como, no que se refere à Luz Primordial, tal origem é desconhecida, por mais que a reclamem a razão e a lógica, é denominada de “Trevas”, de um ponto de vista intelectual. As Trevas são, pois, a eterna matriz onde aparecem e desaparecem as origens da Luz. Em nosso plano, nada mais se acrescenta às trevas para delas fazer a luz nem à luz para dela se obter as trevas. Luz e trevas são duas coisas permutáveis entre si e, cientificamente, a luz é apenas um modo de ser das trevas e vice-versa. Contudo, ambas são fenômeno de um mesmo númeno, que é a Obscuridade Absoluta para a inteligência científica. (Doutrina Secreta, 1, 72) Sendo a Luz Absoluta a essência das Trevas, estas são consideradas como a representação alegórica apropriada da condição do Universo durante o pralaya. Segundo as doutrinas rosacruzes, “Luz e Trevas são idênticas entre si, sendo apenas diferenciáveis na mente humana” e, no con- ceito de R. Fludd, “as Trevas adotaram a iluminação a fim de se tornarem visíveis” Ubidem, 1, 98-99). Como expressa o Gênese, à Luz foi criada das Trevas “e as Trevas estavam sobre a face do abismo”. A Luz Absoluta é Obscuridade Absoluta e vice-versa; na realidade, não há nenhuma luz nem trevas nos reinos da Verdade, Nem uma nem ou- tra existem per se, pois cada uma delas tem de ser engendrada e criada a partir da outra para chegar à existência. (Ibidem, 11, 100)