Glossário Teosófico
Moisés
Há dados que fazem crer que os livros atribuídos a Moisés foram escritos na Babilônia, durante o cativeiro dos israelitas ou imediatamente depois de Esdras, De fato, em tais escritos encontram-se apenas terminações persas e caldéias: Babel, porta de Deus; Phegor-beel ou Beel-phegor, deus do abismo; Daniel, juízo de Deus; Zebuth-beel ou Beel-zebuth, deus dos insetos; Bethel, casa de Deus; Gabriel, homem de Deus; Jahel, aflito de Deus; Jaiel, vida de Deus; Z/srael, que vê a Deus; Oziel, força de Deus; Ra- fael, socorro de Deus; Uriel, fogo de Deus. (Dicionário filosófico, verbete Moisés). Dá muitos séculos as fábulas orientais atribufam a Baco tudo o que os judeus disseram de Moisés, De fato, alguns escritores eruditos, tais como Vossius, M., Huet e o padre To- massin, observaram pontos curiosos de semelhança entre o deus Baco e o renomado le- gislador do povo hebreu: 1º) Baco nasceu no Egito e teve duas mães: a ninfa Semele e seu próprio pai Júpiter, que recolheu o menino do seio de sua mãe, morta por um raio, mantendo-o em sua coxa até o dia de seu nascimento, Moisés nasceu no Egito e também teve duas mães, uma que o deu à luz e outra que o adotou; 2º) Baco foi encontrado ex- posto na ilha de Naxos. Esta circunstância valeu-lhe o sobrenome de Myfas, que signifi- a “salvo das águas”, Moisés foi abandonado na margem do Nilo e por ter sido salvo das águas foi chamado Moisés, de mo, que em egipcio significa “Água” e yses, “salvo”; 3º) Baco cruzou o Mar Vermelho com um exército composto de homens e mulheres a fim de conquistar as Índias. Moisés também atravessou este mar, com uma hoste igualmente composta de homens e mulheres para encontrar a Terra da Promissão; 4º) Baco, da mesma forma que Moisés, transformou as águas em sangue; 5º) a fábula dota o deus Ba- co de comos e lhe coloca na mão um tirso temível (bastão terminado em pinha e enfeita- do de hera e pâmpanos), Moisés tinha dois raios luminosos na fronte e trazia na mão uma vara miraculosa; 6º) Baco foi criado no monte Nisa, Moisés passou quarenta dias no monte Sinai, de que Nisa parece ser um anagrama; 7º) Baco vingou-se de Penteu, rei de Tebas, que se opunha à introdução do culto de tal deus em seu reino. Moisés castigou ao Faraó que não queria que o povo de Deus saísse para celebrar sacrifícios; finalmente, Baco plantou a vinha em diversos lugares e, nos dias de Moisés, os exploradores envia- dos, por este, à terra de Cannã regressaram com um enorme cacho de uvas, que dois ho- mens transportavam em um varal, (Connaissance de la Mythologie, Lyon, 1817, p. 83) [Segundo Orfeu, em seu Hino a Adonis, Apolo, Baco, Dioniso, o Sol, Adonis — são nomes de um mesmo personagem,) Moksha (Mokcha) (Sânsc.) — “Liberação”. Liberação dos vínculos da carne e da matéria ou da vida nesta Terra. (Ver Mukni.) O mesmo que Nirvâna; um estado post- mortem de repouso e bem-aventurança da Alma-peregrina. [Moksha significa: liberação, desligamento, emancipação, salvação; é a iberação definitiva dos laços do corpo e da matéria em geral e, consequentemente, liberação das dores da existência mundana. Em tal estado, o Espírito individual, isento de toda nova reencarnação, é absorvido no Espíf- rito Universal, Esta liberação final, portanto, é considerada como a suprema bem-aven- turança, Tal palavra tem, ainda, outras acepções: morte, justiça, eqilidade, equilíbrio etc, (Ver Mukti.)] Moksha-dharma (Sânsc.) — Título da terceira parte do Zânti-Parvan do Maháâbhã- rata, 381)