Glossário Teosófico
Mito (Mythos, em grego)
Comumente se entende por mito uma fábula ou ficção alegórica, que encerra no fundo uma verdade geralmente de ordem espiritual, moral ou religiosa. Porém, é preciso levar em conta que os antigos escritores davam à palavra my- thos o significado da tradição, palavra, relato, rumor público etc., e que a palavra latina fábula era sinônimo de alguma coisa dita, ocorrida em tempos pré-históricos e não ne- cessariamente uma ficção ou invenção. (Ver Doutrina Secreta, III, 33) Os mitos têm um duplo significado, Muitos deles resultam em realidades e a maior parte não são inven- ções, mas transformações, pois têm como ponto de partida fatos reais. “Os mitos — diz atinadamente Pococke -—, está provado agora, são fábulas na mesma proporção em que os compreendemos mal e são verdades na proporção em que eram compreendidos noutro tempo. Os mitos tiveram e têm ainda, para as massas populares, o valor de dogmas e rea- lidades e constituem a base das religiões exotéricas.” “De onde vem — diz Eugênio Tal- bot — esse consentimento unânime e persistente em crenças baseadas no erro?” Desta lei lógica e indiscutível de que “todo erro tem base na verdade”, Em outras palavras, como o compreendeu tão bem Otfried Múller, os mitos não são conseqgilência elaborada de um sistema, mas uma criação espontânea, irreflêéxiva e repentina do espírito humano em sua infância; o mito é o antipoda da abstração, Assim, não é de surpreender que a humanida- de siga aferrada, em todos os tempos, ao mito. Este faz parte dela própria e, quando a humanidade chega à idade adulta, não pode renegar as crenças de seu berço, Os estudos modernos de Mitologia comparada lançaram muita luz sobre a gênese do mundo, do ho- mem é dos deuses, bem como sobre a história e evolução das principais religiões do glo- bo. Para todo pensador é de suma importância examinar, com a maior atenção, os mitos sob todos os aspectos, aplicando-lhes cada uma das sete chaves, e descobrir as verdades transcendentais ocultas no fundo de tais ficções. Mitra (Sânsc.) — Um dos doze Ádityas (filhos de Aditi) ou personificações do Sol. Nos Vedas, encontra-se geralmente associado com Varuna, sendo Mitra aquele que rege o dia e Varuna O que rege a noite, À semelhança do nome e por ser uma forma do Sol, guarda estreita relação com o Mithra persa, (Ver Mitra ou Mithra.) Mitra significa tam- bém: amigo, companheiro, aliado. Mitra ou Mithra (Per.) — Antiga divindade iraniana, um deus-Sol, como o de- monstra o fato de ter cabeça de leão. Este nome existe também na Índia e significa uma forma do Sol. O Mithra persa, aquele que fez Ahriman sair do céu, é uma espécie de Messias que, segundo se espera, voltará como juiz dos homens e é um Deus que arca com os pecados e expia as iniqiidades da humanidade. Como tal, contudo, encontra-se diretamente relacionado com o Ocultismo supremo, cujos ensinamentos eram expostos durante os Mistérios mitraicos. [Esta divindade é o princípio mediador colocado entre o bem e o mal, entre Ormuzd e Ahriman; Mitra é Khorschid, o primeiro dos [zeds, o doa- dor de luz e de bens, mantenedor da harmonia no mundo e guardião protetor de todas as criaturas, Sem ser propriamente o Sol, é a representação do astro-rei e é invocado como este. Através de documentos relativos à Pérsia — diz E. Bournof — sabemos que o viril fi- gurava também nas cerimônias masdeístas, nas quais representava Mithra, e que Mithra não era nada mais do que a força imanante do Sol, concebido como regulador do tempo, iluminador do mundo e agente de vida. O Veda confirma sobejamente esta interpretação do símbolo e dá ao próprio tempo o primeiro sentido da fórmula cristã per quem omnia facta sunt (“pelo qual todas as coisas foram feitas”)