Glossário Teosófico
Memória
Em geral, entende-se por memória a faculdade mental de recordar ou reter o conhecimento dos pensamentos, atos e acontecimentos passados; a faculdade de reproduzir impressões anteriores através de associação de idéias sugeridas principal- mente por coisas objetivas ou por alguma ação sobre nossos órgãos sensoriais externos. Esta faculdade depende completamente do funcionamento mais ou menos são ou normal de nosso cérebro físico. Contudo, memória é um nome genérico, pois, além da memória em geral, temos: 1º) a lembrança; 2º) a retenção e 3º) a reminiscência. À lembrança e a retenção são atributos e auxiliares da memória em geral, À reminiscência é coisa intei- ramente diferente; os ocultistas e teósofos definem-na dizendo que é “a memória da al- ma” e, portanto, não é física nem passageira, nem depende das condições fisiológicas do cérebro, À reminiscência dá ao homem a certeza de ter vivido antes e de ter de viver no- vamente. De fato, segundo Wordsworth: “Nosso nascimento é apenas um sono e um es- quecimento; à alma que surge conosco, a estrela de nossa vida, teve seu ocaso em outro local e vem de longe” (Chave da Teosofia, pp. 124 e ss.), Por tudo o que foi dito, expli- ca-se o fato de o homem perder a memória de suas existências anteriores. Os gregos ex- plicavam isso através da engenhosa alegoria do rio Letes, o rio do esquecimento, cujas águas tranquilas e silenciosas tinham a virtude de fazer esquecer o passado, O que desa- parece realmente é a memória física ou cerebral, que dura apenas o tempo de uma exis- tência ou parte dela, restando, porém, a reminiscência, o reflexo dos fatos passados na memória da alma (como o perfume deixado por uma flor, reminiscência bastante vaga e contudo latente na imensa maioria das pessoas, mas que, em determinadas condições — sonambulismo, êxtase etc. —, desperta como recordação viva), até o ponto em que o ho- mem que tenha chegado a uma das etapas superiores da evolução se dê conta da longa série de suas vidas passadas. Memrab (Hebr.) — Na Cabala, é “a palavra da vontade”, isto é, as forças coletivas da natureza em atividade, conhecidas pelo nome de “Palavra” ou Logos pelos cabalistas judeus,