Glossário Teosófico

Limbo da Natureza (Herm,)

Corpo reduzido a seus primeiros princípios ele- mentados e não elementares. É preciso observar que, quando os químicos herméticos di- zem reduzir os corpos à sua primeira matéria, não pretendem reduzi-los ao estado de elementos do fogo, do ar, da água e da terra, mas à primeira matéria composta destes elementos. Esta matéria é que constitui a base de todos os corpos dos três reinos: animal, vegetal e mineral. Limbus Major [ou Limbus Magnus] (Lat.) — Termo usado por Paracelso para de- signar a matéria primordial (alguímica); “terra de Adão”. [O mundo em conjunto; a ma- triz espiritual do Universo; o Caos, em que está contido aquele do qual é feito o mundo, (F. Hartmann)] Linga ou Lingam (Sânsc.) — Um signo ou símbolo de criação abstrata, À Força converte-se no órgão da procriação masculino apenas nesta Terra. Na Índia há doze grandes Lingams de Shiva, alguns dos quais se encontram nas montanhas e rochas e tam- bém nos templos. Tal é o Kedareza no Himalaya, uma ingente e informe massa de ro- chas. Em sua origem, o Lingam não teve nunca a grosseira significação relacionada com o falo, idéia que é de uma data completamente posterior. Este símbolo tem, na Índia, o mesmo significado que tinha no Egito, que é, simplesmente, que a Força criadora ou pro- criadora é divina. Designa também como era o Criador -— masculino e feminino, Shiva e sua Shakri [sua esposa ou aspecto feminino]. À idéia grosseira e impudica relacionada com o falo não é hindu, mas grega e sobretudo judia. Os Bethels bíblicos eram verdadei- ras pedras priápicas, o Berfi-el (falo) onde Deus reside, O mesmo símbolo estava enco- berto na Árca da Aliança, o “Santo dos Santos”, Assim é que o Lingam, até então consi- derado como um falo, não é “um símbolo de Shiva” unicamente, mas o de todo “cria- dor” ou deus criador em cada nação, inclusive dos israelitas e seu “Deus de Abraão € Ja- có6”, [A palavra linga, além de falo ou membro viril, significa: marcha, sinal, selo, signo característico ou distintivo, atributo, emblema, evidência, prova etc. (Ver Linga-deha ou Linga-sharira.)) Linga-deha (Sânsc.) — Também chamado de linga ou linga-sharira. Significa lite- - ralmente “corpo caracterizante”. Segundo a filosofia sânkhya, o buddhi, o ahânkara, o manas e os dez indrivas, agrupados e unidos através dos cinco elementos sutis ou Tan- mârras, formam o chamado “corpo sutil ou interno”, que, sobrevivendo ao corpo físico, mortal, acompanha o Purucha (Espírito individual) em suas transmigrações sucessivas a outros corpos, até que o Purucha tenha-se livrado por completo de toda ligação com a matéria, O linga-deha é o que constitui a natureza, caráter ou disposição particular de cada indivíduo e forma a individualidade persistente através das numerosas existências por que passa a alma, em sua longa peregrinação; através dele, entra o Espírito em rela- ção com o mundo exterior. Não se deve confundir este “corpo sutil” com o linga-sharira (ou duplo astral) da literatura teosófica. Linga-Purâna (Sânsc.) — Uma escritura dos zaivas, shivaitas ou adoradores de Shi- va. Nela, Mahesvara, “o Grande Senhor”, oculto no Agni-linga, explica a ética da vida: dever, virtude, sacrifício próprio e, finalmente, a libertação, através da vida ascética no fim do Agni-kalpa (a sétima Ronda). Como observa justamente o Prof. Wilson, “o espí- rito do culto (fálico) é tão pouco influenciado pelo caráter do símbolo quanto se possa imaginar. Nada há nele que se pareça com as orgias fálicas da Antiguidade; todo ele é mistério e espiritualidade”, 320

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