Glossário Teosófico
Celibato
Sobre este ponto, diz Delacroix, a nova lei está em oposição aberta com a antiga. Entre os judeus, o celibato era visto com menosprezo e condenado; todos eles eram casados, também os levitas e sacerdotes. À lei cristã, pelo contrário, declara que o celibato é um estado muito mais perfeito. À maneira enérgica e figurada com que se ex- pressa sobre este assunto foi tomada ao pé da letra por alguns indivíduos irreflexivos, que acreditaram que, para serem cristãos perfeitos, era preciso que se eliminassem do número dos homens. Esse foi o caso de Orígenes, que se mutilou, movido por um zelo imprudente pela castidade tão encomiada pelo Evangelho. Contudo, nos primeiros sécu- los da Igreja, havia bispos, sacerdotes e diáconos casados, e o próprio apóstolo São Pau- lo, em sua primeira Epístola a Timóteo (cap. III, 2, 4 é 12), diz: “.. é necessário que o Bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher... que tenha filhos em sujeição com toda a honestidade... " e “Os diáconos sejam esposos de uma só mulher; que governem bem seus filhos... E acrescenta no cap. IV, 1-3: “... nos tempos vindouros alguns apos- tatarão da fé, dando ouvidos a espíritos de erro e a doutrinas de demônios... que proibi- rão o casamento...". Isso não constituiu obstáculo para que o Papa Calixto II, no Concf- lio de Reims, do ano de 1119, excomungasse todos os eclesiásticos casados e declarasse seus filhos bastardos,