Glossário Teosófico

Casta

1) Originalmente, era o sistema das quatro classes hereditárias em que se dividia a população hindu: Bráhbmana, Kchatriya, Vaisya e Sudra (ou seja: sacerdotes, guerreiros, mercadores e agricultores, servos e homens dedicados a ocupações mais vis, que constituem a casta inferior), Além das quatro castas primitivas, surgiram depois, na ndia, centenas de outras resultantes da união de um indivíduo pertencente a uma casta com uma mulher de uma classe ou subclasse diferente, ou vice-versa, (Ver Leis de Manu, IeX,e Bhagavad-Gitá, 1, 41 e XVII, 41-44.) 2) Às quatro castas, como se sabe, são: Primeira casta, por assim dizer, essencial e principal (o Ramayana é, no fundo, apenas um canto e elogio a esta casta, com o pretexto de relatar as aventuras de Rama), a casta dos Brahmanes, saídos, segundo uma tradição, da boca de Brahma; segundo outra, da boca de Prajapati; definitivamente, o significado é o mesmo, pois Prajapati (em sânscrito, “Senhor das criaturas”) é, nos Brahamas, a personificação do Criador do Universo. Po- rém, como em um princípio, Prajapati sacrificou-se voluntariamente para assegurar a Criação (foi feito em pedaços pelos deuses e com esses pedaços os deuses formaram os diversos seres da Natureza; donde, naturalmente, surgiu o panteísmo, base da religião hindu), então imaginou-se (o Céu não podia ficar sem um deus principal, assim como ne- nhum reino sem rei) um duplo, ou seja, Brahma. Um dos hinos védicos declara que os Brahmanes safram da boca, da parte mais nobre, portanto, de Purusha, a fonte primeira do Universo. Com isso e por causa disso o Brahmane é, entre todos os seres criados, o superior, É um verdadeiro “deus de forma humana”, que deve ser venerado por todos e ao qual se deve obedecer sem vacilar. Os sacerdotes hindus são brahmanes, porém nem todos os brahmanes são sacerdotes, Os que não o são costumam dedicar-se, em geral, à agricultura. O dever principal dos mesmos é estudar os livros sagrados (inventados e co- letados por seus antecessores) e cumprir os ritos. As Leis de Manu estipulam que a exis- tência de um brahmane deve compreender os quatro estados sucessivos seguintes: 1º) Brahmacarya ou estudante solteiro; 2º) Grihastha, dono-de-casa, isto é, o homem casa- do que vive com a mulher e os filhos (sacerdote ou não), consagrado aos deveres pró- prios de sua condição; 3º) Vanaprastha ou anacoreta, que vive no bosque, em reclusão religiosa, após ter cumprido todos os deveres, seja de sacerdote, seja de homem do mun- do; 4º) Samnyasin, ou mendigo religioso, que, vagabundo e livre de toda preocupação e de toda responsabilidade material, consagra-se à pobreza, aos exercícios espirituais e às mortificações da carne. À segunda casta é a dos Kshatrivas ou Kchatryas. Esta casta é aquela dos reis, príncipes, nobres, guerreiros principais e donos de grandes extensões de terra. Saíram, em um princípio, dos braços (ou-do peito) de Brahma, Buda, o fundador do Budismo, e Mahavira (“Grande Alma”, também denominado Vardhamana), o santo fundador do Jainismo ou Djainismo, pertenciam a esta segunda casta. À terceira casta é a dos Vaisyas, isto é, comerciantes e agricultores ricos, saídos do ventre de Brahma ou das Suas coxas. À quarta casta (o brahmane já tem quem o enriqueça, o defenda, o alimente e O vista e, então, só necessita daqueles que o sirvam cegamente) é a dos Sudras, saídos dos pés de Brahma. À palavra nishada indica também um homem de casta impura; a palavra vrishala significa, em geral, as castas. Em janeiro de 1948, a Assembléia Constituinte hindu aboliu as castas, Estabele- ceu-se que todos os homens eram iguais perante a lei. “Enquanto houver homens — disse Gandhi — que sejam considerados como indignos, não poderemos falar de independên- 102

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