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Blavatsky sobre a Igreja da Candelária
Há alguns anos, certos viajantes viram em Bari, na Itália, uma estátua da Madona, trajada com uma saia rosa de babados sobre uma volumosa crinolina! Peregrinos piedosos que possam desejar examinar o guarda-roupa regulamentar da mãe de seu Deus podem fazê-lo indo ao sul da Itália, à Espanha e à Améri

Há alguns anos, certos viajantes viram em Bari, na Itália, uma estátua da Madona, trajada com uma saia rosa de babados sobre uma volumosa crinolina! Peregrinos piedosos que possam desejar examinar o guarda-roupa regulamentar da mãe de seu Deus podem fazê-lo indo ao sul da Itália, à Espanha e à América do Norte e do Sul católicas.
A Madonna de Bari deve ainda estar lá — entre dois vinhedos e uma locanda (taberna). Quando foi vista pela última vez, uma tentativa parcialmente bem-sucedida havia sido feita para vestir o menino Jesus; haviam coberto suas pernas com um par de calças sujas, de bordas recortadas. Um viajante inglês, tendo presenteado a “Mediadora” com um guarda-sol verde de seda, a grata população dos contadini, acompanhada pelo padre da aldeia, dirigiu-se em procissão até o local. Conseguiram colocar o guarda-sol, aberto, entre as costas do menino e o braço da Virgem que o abraçava. A cena e a cerimônia eram ao mesmo tempo solenes e altamente revigorantes para nossos sentimentos religiosos. Pois ali estava a imagem da deusa em seu nicho, cercada por uma fileira de lâmpadas perpetuamente acesas, cujas chamas, tremulando na brisa, infestavam o puro ar de Deus com um odor ofensivo de azeite de oliva. A Mãe e o Filho verdadeiramente representam os dois ídolos mais conspícuos do Cristianismo Monoteísta!

Como companheira do ídolo dos pobres contadini de Bari, vá à rica cidade do Rio de Janeiro. Na Igreja do Duomo da Candelaria, em um longo salão que corre ao longo de um dos lados da igreja, podia-se ver, há alguns anos, outra Madona. Ao longo das paredes do salão há uma fileira de santos, cada um de pé sobre uma caixa de contribuições, que assim forma um pedestal apropriado. No centro dessa fileira, sob um dossel magnificamente rico de seda azul, exibe-se a Virgem Maria apoiada no braço de Cristo. “Nossa Senhora” está trajada com um vestido azul de cetim muito decotado, de mangas curtas, mostrando, com grande vantagem, um pescoço, ombros e braços alvíssimos e esquisitamente modelados. A saia, igualmente de cetim azul, com uma sobressaia de rica renda e franzidos de gaze, é tão curta quanto a de uma bailarina; mal chegando aos joelhos, exibe um par de pernas elegantemente moldadas, cobertas com meias-calças de seda cor de carne, e botas francesas de cetim azul com saltos vermelhos muito altos! Os cabelos louros dessa “Mãe de Deus” estão arranjados segundo a última moda, com um volumoso coque e cachos. Enquanto se apoia no braço de seu Filho, seu rosto volta-se amorosamente para seu Unigênito, cuja vestimenta e postura são igualmente dignas de admiração. Cristo usa um fraque de noite, com abas, calças pretas e colete branco decotado; botas envernizadas e luvas brancas de pelica, sobre uma das quais cintila um rico anel de diamante, valendo muitos milhares, devemos supor — uma preciosa joia brasileira. Acima desse corpo de um moderno dândi português, há uma cabeça com os cabelos repartidos ao meio; um rosto triste e solene, e olhos cujo olhar paciente parece refletir toda a amargura desse último insulto lançado à majestade do Crucificado.

Fonte: Ísis sem Véu, Parte II, Religião, p. 9-11.