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A APOSENTADORIA DE MADAME BLAVATSKY
[The Theosophist, Vol. VI, no 8 (68), Supl. de maio de 1885, p. 195] A seguinte circular emitida aos Ramos da Sociedade Teosófica pelo Presidente-Fundador, tem agora permissão de se tornar pública: – SEDE, ADYAR, 14 de abril de 1885. O Presidente-Fundador, por ordem do Conselho Geral, anuncia a apos
[The Theosophist, Vol. VI, no 8 (68), Supl. de maio de 1885, p. 195]
A seguinte circular emitida aos Ramos da Sociedade Teosófica pelo Presidente-Fundador, tem agora permissão de se tornar pública: –
SEDE, ADYAR,
14 de abril de 1885.
O Presidente-Fundador, por ordem do Conselho Geral, anuncia a aposentadoria do cargo de Secretária Correspondente de Madame H. P. Blavatsky, cofundadora desta Sociedade. A seguir estão os textos de sua carta de renúncia e da Resolução do Conselho a esse respeito: –
[CÓPIA]
ADYAR, 21 de março de 1885.
Ao Conselho Geral da Sociedade Teosófica.
SENHORES,
A renúncia ao cargo, que apresentei em 27 de setembro de 1884, e que retirei a pedido e solicitação urgente de amigos da Sociedade, devo agora renovar incondicionalmente. Minha doença atual é considerada mortal pelos meus médicos; não me é prometido sequer um ano de vida. Nessas circunstâncias, seria uma ironia professar o cumprimento do dever de Secretária Correspondente; e devo insistir que me permitam me aposentar. Desejo dedicar meus poucos dias restantes a outros pensamentos, e estar livre para buscar mudanças de clima, caso isso seja considerado benéfico para minha saúde.
Deixo convosco, a todos e a cada um dos meus amigos e simpatizantes, minha despedida amorosa. Se esta for minha última palavra, imploro a todos, conforme tenham consideração pelo bem-estar da humanidade e seu próprio karma, que sejam fiéis à Sociedade e não permitam que ela seja derrubada pelo inimigo.
Fraternalmente e sempre sua – na vida ou na morte.
(Assinado) H. P. BLAVATSKY.
Por volta dessa época, Madame Blavatsky estava sofrendo graves ataques de palpitações cardíacas, e todos na sede viviam em constante estado de alerta, pois os médicos haviam expressado a opinião de que, sob qualquer emoção repentina, a morte poderia ser instantânea.
A seguir está o certificado de seu médico: –
[CÓPIA]
Certifico, por meio desta, que Madame Blavatsky está completamente inapta para as constantes excitações e preocupações às quais está exposta em Madras. O estado de seu coração torna indispensáveis absoluto repouso e um clima adequado. Recomendo, portanto, que ela parta imediatamente para a Europa e permaneça em um clima temperado – em algum local tranquilo.
(Assinado) MARY SCHARLIEB
M.D. e B.S., LONDRES.[1]
Madame Blavatsky, portanto, partiu em companhia de três amigos – uma senhora europeia, um cavalheiro europeu e um cavalheiro hindu – que se ofereceram para cuidar dela.[2] Não foi decidido para onde ela iria ao chegar à Europa, deixando a escolha de um local tranquilo, conforme descrito pela Dra. Scharlieb, a cargo de sua escolta. Caso sua saúde seja suficientemente restabelecida, ela concluirá A Doutrina Secreta, que ela pretende que seja a maior obra de sua vida. Para obedecer estritamente às orientações gerais de sua médica, confirmadas por ela pessoalmente, não encaminharei a ela nenhuma carta ou publicação que possam interferir no repouso mental que agora tão necessário para sua recuperação, e confio que todos os seus amigos demonstrem a mesma gentileza.
Os membros locais do Conselho Geral, reunidos na Sede a meu convite como Comitê Executivo, no dia 12 do corrente mês, adotaram por unanimidade o seguinte:
RESOLUÇÃO
Resolve-se que a renúncia de Madame Blavatsky seja aceita, e que o Presidente seja solicitado, em nome do Conselho, a informá-la do grande pesar com que receberam a notícia de que ela é obrigada, devido a sua extrema má saúde, a renunciar aos seus deveres como Secretária Correspondente da Sociedade Teosófica. O Conselho registra ainda seu elevado apreço pelos valiosos serviços que ela prestou à causa da Ciência e da Filosofia.
(Assinado) R. RAGOONATH
Presidente
Para marcar nosso respeito pelas habilidades excepcionais de Madame Blavatsky, a vaga causada por sua aposentadoria não será preenchida e o cargo de Secretária Correspondente está, por meio deste, abolido. A correspondência oficial sobre assuntos filosóficos e científicos será, no entanto, conduzida como até agora por outros membros da Equipe Executiva, e perguntas podem ser dirigidas ao Secretário de Registro, em Adyar.
Pelo Comitê Executivo do Conselho Geral,
H. S. OLCOTT
Presidente da Sociedade Teosófica.
NOTAS: [1] Mary Scharlieb exercia medicina em Madras na época da emissão deste atestado. A menção “Londres” refere-se à cidade onde obteve seus graus acadêmicos (M.D. – Doutora em Medicina e B.S. – Bacharel em Cirurgia), e não ao local de emissão do documento.(N. T.)Kingsford, por sua vez, não encontrou na Inglaterra acesso regular às escolas médicas tradicionais, que ainda restringiam a admissão feminina. Foi, portanto, obrigada a estudar em Paris, onde se graduou em 1880.
O contraste revela uma situação paradoxal: enquanto na metrópole britânica as barreiras institucionais à formação médica feminina permaneciam rígidas, na Índia colonial circunstâncias práticas — especialmente a necessidade de atendimento médico às mulheres — abriram precedentes pioneiros para a admissão de estudantes do sexo feminino.
A presença de Scharlieb no episódio da saúde de Blavatsky insere, assim, a história teosófica no contexto mais amplo da emergência da medicina feminina moderna no Império Britânico — momento em que mulheres começavam a conquistar autoridade científica formal, ainda em meio a resistências sociais e acadêmicas significativas. (N. T.)