Helena Blavatsky

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Informativo HPB no 08 - A "Divina Anna"

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Índice do Artigo
Informativo HPB no 08 - A "Divina Anna"
Sinnett e a Autoridade do
O Protesto de Anna Kingsford e a Eclosão da Crise
Carta do Mestre KH para a Loja de Londres
A Discórdia é a Harmonia do Universo
Bibliografia
Todas Páginas

(Artigo publicado originalmente no Informativo HPB n0 08, Set./99)   

Como vimos no Informativo HPB n0 7, Anna Kingsford foi um grande exemplo humanitário para sua época, sobretudo em sua luta pelo vegetarianismo e defesa dos animais. Era uma mística cujas "iluminações" traziam profundos ensinamentos ocultos numa linguagem poética de rara beleza. Seu trabalho pela divulgação da Filosofia Hermética e do Cristianismo esotérico acabaram aproximando-a da ST, onde foi eleita presidente da Loja de Londres (LL). Kingsford queria que essa se transformasse num "corpo realmente influente e científico", não comprometido "apenas com o Orientalismo, mas com o estudo de todas as religiões esotericamente", dando especial ênfase ao estudo "da nossa igreja católica ocidental". (The Credo, p. 14) 

Essas linhas de trabalho não eram as que mais agradavam à Madame, que não era vegetariana e tinha uma conhecida implicância com o Cristianismo dogmático, tendo uma preferência particular pela Filosofia Oriental. Como citamos no Inf. HPB n0 7, Maitland dizia: "...nós já sabíamos o bastante da ST, sua origem, motivos e métodos para não acreditar nela. Seus prospectos originais cometiam a flagrante inconsistência de declarar absoluta tolerância da Sociedade a todas as formas de religião e, depois, afirmar que um objetivo principal era a destruição do Cristianismo." (The Credo, p. 11) Realmente, numa circular feita para divulgação da ST, em maio de 1878, quando seus objetivos ainda não tinham a formulação atual, se lia: 

"Os objetivos da Sociedade são vários.(...) A Sociedade ensina e espera que seus membros exemplifiquem pessoalmente as mais elevadas moralidade e aspiração religiosa; oponham-se ao materialismo da ciência e a toda forma de teologia dogmática, especialmente a cristã, que os Chefes da Sociedade consideram como particularmente perniciosa; tornar conhecido nas nações ocidentais, os fatos há muito suprimidos sobre as filosofias religiosas orientais, sua ética, cronologia, esoterismo, simbolismo; contrapor-se, tanto quanto possível, aos esforços dos missionários de iludir aos assim chamados ‘Infiéis’ e ‘Pagãos’ com relação à real origem e dogmas do Cristianismo e aos efeitos práticos dos últimos sobre o caráter público e privado nos assim chamados países civilizados;" (CW I, p. 376-377) Além das linhas de trabalho de Anna Kingsford não serem da predileção da Madame, havia o fato de Kingsford se considerar uma profetiza, porta-voz de uma nova era e de um novo evangelho, e com conhecimentos que ela dizia serem superiores aos que HPB recebia, uma vez que eram obtidos diretamente, sem intermediários, em suas iluminações. Talvez essa seja a origem do apelido irônico com que HPB se referia a ela para Sinnett, chamando-a de "Divina Anna" (LBS, p. 44). Embora publicamente a Madame não demonstrasse seus sentimentos em relação a Anna Kingsford, em suas cartas para Sinnett os extravasava livremente, revelando suas críticas: "Eu era, desde o começo, contra sua nomeação, mas tive que segurar minha língua, uma vez que era escolha de KH ..." (LBS, p. 60). Ou, referindo-se à escolha dela por Massey:  "... não foi ele, e somente ele que propôs e a elegeu como a única possível Salvadora da Sociedade Teos. Britânica? Bem, agora agradeça a ele e a mantenha para todos vocês serem transformados numa geléia [um grupo amorfo, sem identidade]. É claro que ela irá lhe adular mais do que nunca. Eu sei que isto irá acabar em um escândalo." (LBS, p. 22) Mas o fato é que a "Divina Anna" também parecia incomodar HPB em outros aspectos, bem mais pessoais. A Madame demonstra isso pela maneira como descreve sua aparência física e seu modo de vestir. Anna Kingsford, sendo uma mulher de rara beleza, é descrita por Maitland na primeira vez que a encontrou como sendo: "Alta, esbelta e de formas graciosas. De aparência agradável e requintada. Brilhante e jovial em expressão. O cabelo longo e dourado (...) Anna Kingsford parecia, à primeira vista, mais como uma fada do que humana, mais criança do que mulher." (Shirley, p. 13) HPB havia pedido a Sinnett um retrato dela, pois não a conhecia pessoalmente mas, pouco depois, lhe escrevia dizendo que Kingsford lhe havia sido mostrada:  "Diga, por que ela estava usando com um vestido que parecia com ‘o casaco preto e amarelo das zebras da criação do Rajá do Kashmir?’ E é verdade que usava rosas em seu cabelo ‘que é como um pôr de sol flamejante, amarelo dourado’? E por que (...) usava ‘tilintantes brincos de lua crescente’ - simbólicos do crescente brilho da ‘Loja de Londres’? Essa lua tomou luz emprestada do Satélite. (...) Mas por que - por que tinha ela, a ‘mística do século’ que usar tantas jóias! Como pode confabular com os deuses invisíveis quando parece ‘com uma vitrine de uma joalheria inglesa em Delhi’? Bem, eu também penso que a vi, e gostaria de ter o seu retrato para comparar. Pois ela me foi mostrada. Não é alta, fina na cintura mas larga nos ombros, e muito bonita, bochechas ligeiramente rosadas e com lábios bem vermelhos, e um nariz que fica mais largo quando ela fala, do que quando está em repouso? Seus olhos são azul claro. Ela é fascinante..." (LBS, p. 51)