Publicações Teosóficas e Místicas
[Lúcifer, Vol. I, no 1, setembro, 1887, pp. 77-79]
H.P. Blavatsky
The Theosophist (O Teosofista), uma revista de filosofia oriental, arte, literatura e ocultismo, dirigida por H.P. Blavatsky e H.S. Olcott, Presidente Vitalício da Sociedade Teosófica, Vol. VIII, nos 94 e 95, julho e agosto de 1887, Madras, Índia. Em Londres, George Redway, 15, York Street, Covent Garden.
Esta revista é o periódico mais antigo da Sociedade Teosófica e tem uma nítida característica própria: vários colaboradores hindus, budistas e parsis entre os mais eruditos da Índia Britânica. Nenhuma revista é, pois, mais confiável nas informações ocasionais que apresenta sobre os princípios e escrituras sagradas do oriente, uma vez que sua origem é de primeira mão e advêm de eruditos nativos, versados em seus respectivos cultos. De tempos em tempos, erros cometidos por orientalistas ocidentais têm sido respeitosamente corrigidos em The Theosophist, que continuará a desempenhar a tarefa a que se propõe de publicar artigos dignos de admiração.
Como destacado exemplo disso podem ser citadas as quatro "Palestras sobre o Bhagavad-Gîtâ", de um erudito nativo, o Sr. T. Subba Row. Iniciadas em fevereiro, são concluídas agora, no exemplar de julho. Nenhuma exposição melhor, mais talentosa ou mais completa sobre o mais filosófico e menos compreendido dos livros sagrados do oriente, foi jamais apresentada em qualquer trabalho, presente ou passado. Nos exemplares de junho e julho, é publicado o artigo Ha-Khoshecah: a Vision of the Infinite (Ha-Khoshecah: uma Visão do Infinito), do Dr. Henry Pratt, um erudito cabalista da Inglaterra.
Alguns artigos muito interessantes sobre "Mitologia Escandinava", do erudito sueco, Sr. C. H. A. Bjerregaard (Astor Library, Nova York), também são encontrados no último número.
The Theosophist é a revista da Sociedade Teosófica par excellence; as Atas e os Anais do trabalho da Sociedade são apresentados mensalmente em seus Suplementos .
Ninguém que deseja o mal desta Sociedade, que torne públicas denúncias e, ocasionalmente, ataques difamatórios deve — se for um oponente justo e honesto, é claro — publicar qualquer coisa sem primeiro se familiarizar bem com o conteúdo de The Theosophist e, sobretudo, dos Suplementos anexos à revista.
Este conselho é dado com toda a gentileza aos nossos caluniadores — cultos e ignorantes — para seu próprio bem, por mais que seja uma evidente desvantagem para a teosofia. Pois, como tantos de nossos críticos têm ultimamente feito o papel de bobo em suas alegadas exposés de nossas doutrinas, é vantagem para nossa Sociedade deixá-los seguir em frente sem ser perturbados e, assim, virar motivo de riso. Dois exemplos gráficos podem ser citados. Em Buddhism in Christendom: or Jesus the Essene, de um descortês diletante em orientalismo, a doutrina setenária dos ocultistas é desfigurada fora de reconhecimento, e passou a ser motivo unânime de riso dos que conhecem algo sobre o assunto. Seu infeliz autor evidentemente nunca abriu uma obra teosófica séria, a menos que, de fato, a doutrina seja muito superior à sua compreensão. Encontramos um refrescante contraste em Earth's Earliest Ages (Tempos Primitivos da Terra), de G. H. Pember, um autor que conscienciosamente estudou e compreendeu as doutrinas fundamentais da Teosofia.
Assim, apesar de sua tentativa de associá-la com a vinda do Anticristo e mostrar seus numerosos autores compromissados com o trabalho do Satã, "o Príncipe dos Poderes do Ar"1, o volume publicado pelo culto e justo cavalheiro é uma verdadeira pérola na literatura anti-Teosófica. O correto enunciado dos princípios que ele desaprova, como cristão ortodoxo sincero, é notável; e sua linguagem, digna, polida e inteiramente livre de qualquer personalismo evoca tão-somente uma resposta cortês daqueles a quem acusa. Ele evidentemente leu e, o que é mais, compreendeu, o que encontrou no The Theosophist e outros livros místicos. Será pois um prazer, e dever de Lúcifer, que não leva a mal o ataque pessoal, revisar este interessante volume em seu exemplar de outubro, que espera ver uma nota assim tão amável sobre Earth's Earliest Ages no The Theosophist de Madras.
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The Path; "uma revista devotada à Fraternidade da Humanidade, à Teosofia na América e ao estudo da Ciência Oculta, Filosofia e Literatura Ariana". Editada por William Q. Judge. Preço: 10 xelins anuais. Nova York, U.S.A., P.O. Box 2659 etc. George Redway, 15, York Street, Covent Garden, Londres.
Uma excelente publicação teosófica mensal, repleta de literatura filosófica de autoria de vários escritores e místicos conhecidos. A melhor publicação do gênero nos Estados Unidos e que sempre cumpre o que promete, oferecendo mais elementos para reflexão do que muitos importantes periódicos. Seu exemplar de agosto é muito interessante e completamente à altura de sua costumeira característica.
Jasper Niemand continua suas excelentes reflexões em Letters on the True (Cartas sobre a Verdade). O Sr. E.D. Walker, no artigo The Poetry of Reincarnation in Western Literature (A Poesia da Reencarnação na Literatura Ocidental, cita versos de Wordswoorth, Tennyson, Dean Alford, Addison, H. Vaughan, Browning etc. uma prova de que estes poetas estavam tingidos, se não imbuídos, da filosofia da reencarnação. B.N. Acle continua Notes on the Astral Light (Notas sobre a Luz Astral), de Eliphas Lévi. Ele cita o surpreendente e sensacional enunciado do ocultista epigramático que diz que "aquele que morre sem perdoar seus inimigos entra na Eternidade armado com uma adaga e devota-se ao horror do eterno assassinato". The Symbolism of the Equilateral Triangle (O Simbolismo do Triângulo Equilátero), da Srta. Lydia Bell, mostra quanta sabedoria pode ser extraída de um pequeno símbolo quando se sabe examiná-lo.
S.B. tece vários comentários muito pertinentes sobre Theosophical Fiction (Ficção Teosófica), cujo crescimento é um sinal dos tempos. "Um verdadeiro retrato da vida, real, ou potencial, em uma obra de ficção, tornando tal leitura uma das melhores fontes de aprendizado". Graças à instrução que recebe da literatura teosófica mais consistente, o público está se tornando mais crítico, tendo já formado um "padrão de probabilidade" para fenômenos sobrenaturais, que age como um saudável parâmetro para julgar outros autores ficcionistas, que não podem mais confiar inteiramente "na imaginação para suas ações e na memória para suas fantasias". Leitores de romances agora gostam que o sobrenatural não seja inatural, mesmo que tenham de degustá-lo em doses ínfimas, disfarçadas em suas favoritas imagens de amor, assassinato e conversa trivial. The Higher Carelessness (A Maior Indiferença — no 7 de Thoughts in Solitude (Pensamentos em Solitude)), de "Pilgrim"2, está repleto de profundas e belas reflexões. Este autor, assim como o "Místico Americano", cujo artigo sobre a intrigante pergunta Sou o Guardião de Meu Irmão? vem a seguir, avançou no caminho do conhecimento e o pensamento de ambos tem especial interesse para leitores contemplativos e que gostam de se auto-avaliarem. O "Místico Americano", a propósito, dá uma nova e surpreendente interpretação a uma frase com freqüência mal interpretada. "Não resista ao mal", ele cita e explica que o sentido disso é que não se deve resistir, de forma ardente e pessoal, ao mal que se nos acomete. Christianity — Theosophy (Cristianismo — Teosofia), do Sr. Wm. H. Kimbal, procura mostrar que o objetivo fundamental de ambos, isto é, a Fraternidade da Humanidade, é o mesmo, e que podem e devem unir suas forças.
Julius, em Tea Table Talk (Conversa à Mesa de Chá), é tão vivo, misterioso e astuciosamente sentimental como sempre.
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Notas:
1 Orientalistas espiritualistas, místicos e metafísicos não precisam ter ciúmes pois compartilham a mesma sina e são elevados à mesma dignidade dos teosofistas. Os autores de The Perfect Way (O Caminho Perfeito), Dra. Anna B. Kingsford e Edward Maitland, estão de braços dados com a humilde autora de Ísis sem Véu diante do trono de Satã. O Sr. Edwin Arnold, autor de Luz da Ásia, e o falecido Sr. E. V. Kenealy, autor do Book of God (Livro de Deus) são vistos na mesma luz radiante letal de enxofre e ácido sulfúrico. O Sr. C.C. Massey é mostrado profundamente imerso em Metafísica Anticristã; nossa amável Lady Caithness é mostrada na espiral da "Grande Besta" do Romanismo (Catolicismo Romano ofensivo) e acusada de "adoração de deusas" e, até mesmo, de Poderes de Percepção mística! — o Monoteísmo Budista do Sr. Arthur Lillie é considerado au grand sérieux!
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2 [William Scott Elliott. — Compilador].
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Tradução: Marly Winckler
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