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É extremamente interessante acompanhar, ano após ano, a rápida evolução e mudança do pensamento do público na direção do misticismo. A mente educada inegavelmente tenta libertar-se dos pesados grilhões do materialismo. A feia lagarta debate-se na agonia da morte, sob o poderoso esforço da borboleta psíquica que tenta fugir da prisão construída pela ciência, e cada dia traz à luz alguma boa nova de um ou mais destes nascimentos mentais. Como o Path de Nova York corretamente observa em seu exemplar de setembro [p. 186], quando "temas teosóficos e do gênero" foram "utilizados em enredos de romances" e, poderíamos acrescentar, ensaios científicos e brochuras, "a implicação é que o interesse por eles difundiu-se por todas as camadas sociais". Este tipo de literatura é "paradoxalmente prova de que o Ocultismo ultrapassou a região da diversão despreocupada e entrou na região da séria investigação". Basta ao leitor examinar em retrospectiva as publicações dos últimos anos para descobrir que tópicos como Misticismo, Magia, Feitiçaria, Espiritismo, Teosofia, Mesmerismo ou, como agora é chamado, Hipnotismo, todos os vários ramos, enfim, do lado Oculto da natureza, estão se tornando predominantes em todo o tipo de literatura. Aumentam a olhos vistos em proporção com os esforços encetados para desacreditar os movimentos pela causa da verdade e reprimir a investigação — seja no campo da teosofia ou do espiritualismo — tentando enlamear seus mais proeminentes arautos, pioneiros e defensores, com alcatrão e penas. A tônica da literatura mística e teosófica foi dada por Mr. Isaacs, de F. Marion Crawford. Depois veio à luz seu Zoroastro. A este seguiram-se o The Romance of Two Worlds (Romance dos Dois Mundos), de Marie Corelli; The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro), de R. Louis Stevenson; A Fallen Idol (Um Ídolo Caído), de F. Anstey; King Solomon's Mines (As Minas do Rei Salomão) e o sumamente famoso She (Ela) de Henry Rider Haggard; Affinities (Afinidades) e The Brother of the Shadow (O Irmão da Sombra), da Sra. Campbell-Praed; House of Tears (Casa de Lágrimas), de Edmund Downey e muitos outros menos notáveis. E recentemente veio à luz A Daughter of the Tropics (Uma Filha dos Trópicos), de Florence Marryat e The Strange Adventures of Lucy Smith (As Estranhas Aventuras de Lucy Smith), de F. C. Philip. Não é necessário descrever em detalhes a literatura produzida por teosofistas e ocultistas renomados, algumas de cujas obras são extraordinárias, outras positivamente científicas, como The Kabbalah Unveiled (A Cabala Revelada), de S. L. MacGregor Mather e Paracelsus (Paracelso), do Dr. F. Hartmann; Magic, White and Black (Magia Branca e Negra) etc. É fato digno de nota também que a teosofia agora cruzou o Canal da Mancha e está abrindo caminho na literatura francesa. La France publicou um estranho romance de Ch. Chincholle, repleto de teosofia, ocultismo e mesmerismo e o chamou de La Grande Prêtresse (A Grande Sacerdotisa), ao passo que La Revue politique et littéraire (19 de fevereiro de 1887, et seq.) contém um romance intitulado Émancipée (Emancipação), de autoria de Th. Bentzon, onde doutrinas esotéricas e adeptos são mencionados associados ao nome de teosofistas bem conhecidos. Um sinal dos tempos! A literatura — sobretudo em países sem censura governamental — é o coração e o pulso do público. Além do evidente fato de que se não houvesse demanda não haveria oferta, a literatura atual é produzida apenas para agradar e é, portanto, evidentemente, o espelho que reflete fielmente o estado mental do público. De fato, editores conservadores e seus correspondentes e repórteres submissos seguem criticando com sarcasmo, de vez em quando em forma impressa, a justa face do espiritualismo místico e da teosofia e, alguns deles, também, de tempos em tempos, se comprazem em brutais ataques pessoais. Mas em geral não causam mal, exceto talvez à reputação de seus próprios editoriais, uma vez que não se pode dizer que tais editores primem pela cultura exuberante e o bom gosto com relação a certos ataques pessoais descorteses. Ao contrário, eles fazem o bem. Pois se por um lado os teosofistas e espiritualistas assim atacados podem considerar a linguagem insultuosa lançada sobre eles com um espírito verdadeiramente socrático e consolar-se por saber que nenhum dos epítetos usados pode de fato aplicar-se a eles, por outro lado, muito insulto e difamação em geral acaba por despertar a simpatia do público pela vítima, pelo menos nas pessoas sensatas e imparciais. Na Inglaterra, as pessoas em geral tendem a gostar do jogo limpo. Não
são ações próprias de um bashiboo-zook
(mercenário turco), as ações valentes daqueles que
se comprazem em chutar o morto ou ferido, que cativam a simpatia do público
por muito tempo. Se, como afirmam nossos inimigos leigos e repetem alguns
órgãos missionários ingênuos e demasiadamente
sangüíneos, o espiritualismo e a teosofia estão "completamente
mortos" (sic, vide jornais cristãos americanos), sim,
"mortos e enterrados", por que, nesse caso, os bons padres cristãos
não deixam o morto descansar até o "Dia do Juízo Final"?
E se não estão, por que os editores — os profanos e os partidários
do clericalismo — ainda deveriam temer? Não se mostrem tão
covardes se têm a verdade do seu lado. Magna est veritas et prevalebit
(Magna é a verdade e prevalecerá) — "o crime será
descoberto", cedo ou tarde. Abram suas colunas para a discussão
livre e destemida e façam como os periódicos teosóficos
sempre fizeram, e como Lúcifer agora se prepara para fazer.
O "brilhante Filho da manhã" não teme a luz. Ele a procura
e está preparado para publicar qualquer contribuição
inimiga (expressa, é claro, em linguagem decente), embora muito
difira de suas visões teosóficas. Está determinado
a ouvir de forma imparcial a toda e qualquer causa, às partes rivais,
e permite que fatos e pensamentos sejam julgados por seus respectivos méritos.
Pois por que ou o que deveríamos temer quando os fatos e a verdade
são nosso único objetivo? Du choc des opinions jaillit
la vérité (do choque de opiniões brota a verdade)
foi dito por um filósofo francês. Se a Teosofia e o Espiritismo
nada mais são que "gigantescas fraudes e vã esperança
da época" por que estas dispendiosas cruzadas contra ambos?
E se não forem, por que os agnósticos e buscadores da verdade
em geral deveriam ajudar os intolerantes, sectários e dogmáticos
materialistas a ocultar nossa candeia debaixo do
alqueire1 pela mera força física
e autoridade usurpada? É fácil atacar a boa-fé do
justo. Ainda mais fácil desacreditar aquilo que por sua própria
estranheza intrínseca já é impopular e dificilmente
receberia crédito em seus dias mais prósperos. "Não
acolhemos qualquer suposição tão avidamente quanto
aquela que vem ao encontro daquilo com que estamos de acordo e reforça
nossos próprios preconceitos", disse um
popular autor2 em Don Gesualdo. Portanto,
fatos tornam-se muitas vezes "fraudes" ardilosamente inventadas;
e mentiras evidentes, óbvias, são aceitas como verdades indiscutíveis
à primeira brisa da Calúnia de Don Basílio
por aqueles para cujos empedernidos preconceitos tais calúnias são
como orvalho do céu.
Esta é uma explicação científica que não requer a ação de magos negros ou dugpas; pois a "sugestão" como agora é praticada pelos feiticeiros da ciência nada mais é que "dugpachismo" — pur sang. Nenhum "adepto da mão esquerda" oriental pode fazer mais mal com sua arte infernal do que um sério hipnotizador da Faculdade de Medicina, um discípulo de Charcot ou qualquer outro luminar científico de primeira magnitude. Em Paris, assim como em São Petersburgo, crimes têm sido cometidos sob "sugestão", divórcios têm ocorrido e maridos por pouco não assassinaram suas esposas e seus supostos amantes, devido a truques praticados contra mulheres inocentes e respeitáveis, que tiveram assim seu honesto nome e toda a sua vida futura arruinados para sempre. Um filho, sob tal influência, arrombou a escrivaninha do pai avarento, que o pegou em flagrante, e quase deu-lhe um tiro num acesso de raiva. Uma das chaves do Ocultismo está nas mãos da ciência — fria, insensível, materialista e ignorante crassa do outro lado verdadeiramente psíquico dos fenômenos: daí, impotente para traçar uma linha de demarcação entre efeitos fisiológicos e puramente espirituais da doença inoculada, e incapaz de prevenir resultados e conseqüências futuras dos quais não tem conhecimento e sobre os quais não detém, portanto, controle. Encontramos no Le Lotus, de setembro de 1887, o seguinte: Um jornal francês, o Paris, de 12 de agosto, contém
um longo e excelente artigo de G. Montorgueil, intitulado: "The Accursed
Sciences" (As Ciências Malditas), de onde extraímos
a seguinte passagem, uma vez que, infelizmente, não podemos reproduzi-lo
na íntegra:
Ah, os pobres jurados! É deles que temos de ter pena. Ao levarem a sério sua tarefa, eles têm já enorme dificuldade em separar o verdadeiro do falso, mesmo em casos pouco complexos, em que os fatos são óbvios, todos os detalhes tangíveis e as responsabilidades claras. E vamos pedir-lhes que em sã consciência decidam questões de magia negra! Realmente sua razão não se sustentará uma quinzena sequer; eles desistirão antes disso e o caso será encerrado como taumaturgia. Avançamos rapidamente. Estranhos julgamentos por bruxaria vicejarão novamente; sonâmbulos que eram apenas grotescos aparecerão em trágica luz; leitores de borra de café, que até agora só arriscavam a corte policial, ouvirão sua sentença na seção do tribunal. O mau-olhado figurará entre as ofensas criminais. Os últimos anos do século XIX teriam nos assistido avançar de progresso em progresso, não tivéssemos chegado finalmente a esta enormidade judicial: um segundo Laubardemont processando outro Urbano Grandier.3 Dois fatos tornaram-se agora patentes para a lei e a ciência: (II). Que a grande maioria das pessoas testadas é passível à sugestão hipnótica. Estes casos apresentam dois aspectos sombrios e terríveis. Do ponto de vista moral, tais processos e sugestões deixam uma mancha indelével sobre a pureza da natureza do sujeito. Mesmo a mente inocente de uma criança de dez anos pode ser assim inoculada com o vício, o germe venenoso que se desenvolverá em sua vida subseqüente. Sob o aspecto judicial, não é necessário entrar em grandes detalhes. Basta dizer que é este traço característico do estado hipnótico — a absoluta rendição da vontade e da autoconsciência ao hipnotizador — que possui tal importância aos olhos das autoridades legais, por levar ao crime. Pois se o hipnotizador tiver o sujeito inteiramente à sua disposição, podendo fazer-lhe cometer qualquer crime, agir invisível, por assim dizer, dentro dele, quais não seriam os terríveis "erros judiciais" que se poderiam esperar? Não é de admirar-se pois que a jurisprudência de um país após outro tenha entrado em alerta e esteja planejando medidas para reprimir o exercício do hipnotismo! Na Dinamarca acaba de ser proibido. Cientistas realizaram experiências em sensitivos com tamanho sucesso que uma vítima hipnotizada foi zombada e vaiada pelas ruas a caminho de cometer o crime, que cometeria de forma completamente inconsciente não tivesse a vítima sido advertida com antecedência pelo hipnotizador. Em Bruxelas, um caso recente e triste é bem conhecido de todos. Uma jovem de boa família foi seduzida em estado hipnótico por um homem que primeiro a sujeitou à sua influência em uma reunião social. Ela só compreendeu sua condição meses depois, quando seus parentes, que adivinharam o criminoso, forçaram o sedutor a fazer a única reparação possível — casar-se com a vítima. A Academia Francesa recentemente debateu a questão: até que ponto um sujeito hipnotizado, de mera vítima poderia tornar-se um instrumento regular para o crime. Naturalmente, nenhum jurista ou legislador pode permanecer indiferente a esta questão; e está provado que os crimes cometidos sob sugestão são tão inéditos que alguns deles dificilmente podem ser trazidos para o âmbito da lei. Daí a prudente proibição legal, recém-adotada na França, que decreta que ninguém, salvo os legalmente qualificados a exercer a profissão médica, pode hipnotizar qualquer pessoa. Mesmo o médico que goza de tais prerrogativas legais tem permissão para hipnotizar uma pessoa apenas na presença de outro médico qualificado, e com a permissão por escrito do sujeito. Séances públicas de hipnotismo são proibidas, sendo estritamente confinadas a clínicas e consultórios médicos. Os que burlam esta lei estão sujeitos a pesadas multas e prisão. Mas a nota que dá o tom foi tocada, e esta arte negra pode ser usada de várias maneiras, apesar da lei. Que ela será assim usada, são suficiente garantia as vis paixões inerentes à natureza humana. Muitos e estranhos serão os romances ainda por vir; pois a realidade é, muitas vezes, mais estranha que a ficção, e o que é considerado ficção é com muito maior freqüência realidade. Não é de admirar-se pois que a literatura oculta esteja
aumentando a cada dia. O ocultismo e a feitiçaria estão no
ar, sem o verdadeiro conhecimento filosófico a guiar os experimentadores,
refreando assim os resultados nocivos. "Obras de ficção"
são chamados os vários romances e novelas. "Ficção"
no arranjo de seus personagens e nas aventuras de seus heróis e
heroínas — admite-se. Nada disso, no que diz respeito aos fatos
apresentados. Estes não são ficção,
mas verdadeiros pressentimentos do que jaz no seio do futuro, e
muito disso já veio à luz — e ainda por cima corroborado
por experimentos científicos. Sinais dos tempos! Encerramento
de um ciclo psíquico! A época dos fenômenos com médiuns
ou através deles, profissionais ou não, já passou! Foi
a seção preliminar do florescimento da era mencionada até
na Bíblia4; a árvore do Ocultismo
está agora se preparando para "frutificar", e o Espírito
do Oculto está despertando no sangue das novas gerações.
Se homens antigos apenas "tiveram sonhos", os jovens
têm visões5 e as registram
em romances e obras de ficção. Ai do ignorante e despreparo
e daqueles que dão ouvidos às sereias da ciência materialista!
Pois realmente, realmente, muitos serão os crimes cometidos inconscientemente
e muitas serão as vítimas que sofrerão inocentemente
a morte por enforcamento e decapitação nas mãos de
juizes justos e jurados por demais inocentes, ambos da mesma forma
ignorantes do poder demoníaco da "SUGESTÃO".
Notas: 1 Referência a Mateus, 5,
15 — N. do T.
2 Referência a um romance de Ouida
[Louise de la Ramée], datado de 1886 — Compilador.
3 [Referência ao padre Católico
Romano Urbano Grandier (1590-1634), acusado de praticar feitiçaria
em Loudun (Vienne, França), em 1632. Suas supostas vítimas
foram as freiras ursulinas de um convento local que eram "atormentadas
por demônios" — uma explicação prevalecente na época
para vários tipos de distúrbios psico-mentais e tendências
mediúnicas, que em vários períodos da história
surgiram como epidemia em muitas partes do mundo. Como Grandier conquistou
muitos inimigos devido ao seu brilho incomum como escritor e pregador e
por causa do seu jeito algo despreocupado de viver, tornou-se tarefa fácil
acusá-lo de enfeitiçar jovens mulheres. O primeiro julgamento
levado a cabo por ordem do bispo de Poictiers deu em nada, em razão
das muitas contradições nas provas apresentadas. Através
dos esforços do Cardeal de Richelieu, entretanto, que parecia guardar
um antigo ressentimento contra Grandier, outro julgamento foi ordenado,
na promotoria de Laubardemont. Grandier inabalavelmente recusou-se a confessar
os crimes de que era acusado. Foi considerado culpado e queimado vivo em
18 de agosto de 1634. Este vergonhoso procedimento não pôs
fim à epidemia das assim chamadas "possessões demoníacas",
uma vez que grande quantidade de outros homens e mulheres foram igualmente
afetados em várias partes do país. Foram precisos muitos
anos para isto acabar. — Compilador].
4 "E acontecerá depois que derramarei
o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas
profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão
visões". (Joel, 2, 28).
5 É curioso observar que o Sr.
R. Louis Stevenson, um dos mais poderosos de nossos imaginativos autores,
afirmou recentemente a um repórter ter o hábito de construir
as tramas de seus contos em sonhos, entre eles a do Médico
e o Monstro. "Eu sonhei", continuou ele, "a história de 'Olalla'...
e tenho no momento duas histórias ainda não escritas que
também sonhei... Mesmo quando em sono profundo sei que sou eu quem
está inventando". ... Mas quem sabe se a idéia da "invenção"
também não é um "sonho"!
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